Pensando Teologia: bíblia Cristianismo fé história jesus religião
by Thiago Bomfim
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Algumas considerações sobre a Bíblia
A Bíblia não faria muito sentido se Jesus não aparecesse no meio dela. Quase todo o Velho Testamento descreve a ideologia de um povo, numa determinada época, que é guiado pelo barbarismo e pela guerra justificada pela suposta preferência divina a uma determinada nação.
Se as escrituras se resumissem aos relatos, com o exagerado tom de epopéia, do povo escolhido eu me confundiria na escolha de uma divindade para adorar. Há uma variedade de de deuses que dão uma forcinha na guerra, por exemplo, Atenas, que foi muito legal ajudando os gregos na vitória contra Tróia.
Um deus a serviço das necessidades pessoais de uma determinada gente está mais para um governador. Casos recentes, como o do amado ex-presidente americano George W. Bush, apontam o resultado dessa leitura errada que chega a uma conclusão de “Deus está do nosso lado”. E haveria, até certo ponto, um embasamento para a formulação dessas teorias, se não fosse Cristo.
O Novo Testamento “globaliza” a mensagem do evangelho numa nova interpretação de Jesus que não escolhe uma nação preferida. Todas as fronteiras da mensagem são destruídas. E se Deus vê toda a humanidade como um só povo, não há como justificar uma guerra dizendo que Ele está de um lado e não de outro.
Um episódio de João 4 relata-nos a intepretação do Messias acerca das fronteiras religiosas:
19Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.
20Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Portanto, amigos ateus ou não-cristãos, bem vindos a salvação! Não é necessário que venhas a Jerusalém e nem que subas ao monte.
Sigam sua vida de estudos e subversão religiosa, que apoio abertamente, pois se negam a religião do senso comum, negam o maior mal da nossa história.
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by Thiago Bomfim
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Por que eu ainda escrevo nesse blog?
Eu não sei por qual motivo ainda escrevo nessa página. Pelo dinheiro não é, pois tenho mais custos na manutenção da hospedagem do que ganhos das propagandas que figuram nesse quadradão do lado direito superior.
Por prazer ainda menos. Seria hipócrita se afirmasse que o gosto pelo escrever me consome outras vontades prioritárias: comer, beber, dormir… Se encontrarem nessas páginas algum trecho no qual exalto o prazer no exercício da escrita, tenham certeza que eu mudei de opinião, pior ainda, menti.
Podes alegar que escrevo para delinear uma boa imagem. Porém, se for feita uma boa avaliação, se concluirá que ocorre exatamente o contrário: cada linha é um suicídio da aparência de intelectual.
Talvez escreva para desabafar, mas isso é muito feminino para se afirmar. Nem as mocinhas de hoje usam diários para reclamar do “dificultoso” viver teen diário.
Mas se for necessário justificar essa nobre atividade direi que os textos me saem tão impulsivamente quanto aquilo que ocorre ao se comer uma comida ruim ou estragada: aos vômitos.
Portanto, não garimpem muitas preciosidades aqui.
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by Thiago Bomfim
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Bom leitor não se mede pela quantidade de livros que enfeitam sua estante
Deveria, mais uma vez, enumerar elogios as minhas aulas de Latim, de Estudo Diacrônicos e as recomendações de leitura da professora, mas vou poupá-los dessa ladainha, hoje.
Contei que um dos meus vícios era a compra de livros que raramente recebem minha atenção. E, contra essa prática, fui repreendido pelo filósofo Sêneca, em um trecho do “livro” Da tranquilidade da alma. Vou reproduzí-lo, com alguns grifos, a seguir. Tirem suas conclusões:
As despesas de ordem literária, as mais justas de todas, não são estas mesmas razoáveis, a não ser que sejam moderadas. Para que servem inúmeros livros e bibliotecas, se o proprietário encontra apenas o tempo em sua vida para ler as etiquetas? Uma profusão de leituras sobrecarrega o espírito, mas não o ilustra; e melhor seria aplicar-se muito a um pequeno número de autores do que vagar no meio de muitos.
Quarenta mil volumes foram queimados em Alexandria.Quantos outros exaltam este esplêndido monumento da magnificência real, como Tito Lívio, que o chama a obra-prima do gosto e da solicitude dos reis. Eu não vejo lá nem gosto nem solicitude, mas orgia da literatura; e quando digo da literatura minto, pois o cuidado pelas letras lá não era cultivado: aquelas belas coleções só eram constituídas para amostra. Quantas pessoas desprovidas da mais elementar cultura têm também livros, que não são de modo algum instrumentos de estudo, mas que adornam suas salas de refeições! Compremos os livros dos quais temos necessidade, não os compremos para ostentação.
Estaria o filósofo falando de nossos hábitos no século XXI ?
Uma vida, um paraíso
Ela nasceu, cresceu. Teve uma boa infância e se tornou uma boa pessoa.
Fez uma família muito feliz. Deu filhos a um homem solitário.
Um dia, quando esse homem estava prestes a morrer, dele cuidou com tanta dedicação que o marido se recuperou bem rápido.Mudou toda a alimentação da casa. Optou pela preparação de carnes brancas naquele grill que aparece nos comerciais de TV.
Deixou os churrascos do final de semana. Passou a fazer saladas para que o seu amado nunca mais tivesse problemas do coração. O marido emagreceu. Não corria mais perigos cardíacos aquele homem: saudável como nunca.
Hoje ela faleceu depois de uma doença que não souberam diagnosticar a tempo. Deixou-nos com imensa saudade. Fez da sua vida um paraíso e agora irá para outro, descansar.
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by Thiago Bomfim
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Gregório de Matos: sátira e confissão
Em um belo dia Gregório de Matos escreve:
Que vai pela clerezia?………………Simonia
E pelos membros da Igreja?……….Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?…..Unha.Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.E nos frades há manqueiras?………Freiras
Em que ocupam os serões?…………Sermões
Não se ocupam em disputas?………Putas.Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.
Noutro dia:
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-nos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na Sacra História:Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Prazeroso ver o modo como o artista passeia da sátira para a poesia religiosa, com maestria em ambos tipos de criação literária!
Pretendo, nesses próximos dias, comentar algumas criações de Gregório de Matos para os estimados visitantes dessa Livraria, já que o Barroco brasileiro foi tema das aulas de Literatura Brasileira desse semestre no curso de Letras.
Creio que muitos vão se admirar com a genialidade (adjetivo em alta nos campos de futebol) desse poeta. Outros torcerão o nariz.





