Henri Nouwen: O progresso é regredir

Acompanho um devocional do Henri Nowen entregue por e-mail, recomendado há um tempo atrás pelo Sandro Baggio. O que me impressiona nas mensagens do teólogo é a simplicidade que carrega uma verdade tão direta e necessária ao viver diário nesse estilo de vida enlatado que levamos.

Traduzi o texto, recebido no sábado, que está abaixo. Gostaria que os leitores da Livraria dedicassem atenção especial à essa mensagem:

Mobilidade descendente

A sociedade em que vivemos, de várias maneiras, sugere que o caminho a seguir é o do avanço. Ir em direção ao topo, estar na ribalta, quebrar o recorde: isso é o que chama atenção, aparece na primeira página do jornal e nos oferece como recompensa o dinheiro e a fama.

O caminho de Jesus é radicalmente diferente. Uma jornada de mobilidade ascendente, em detrimento da mobilidade descendente. É ir para o fundo, deixando as pontuações para trás, escolhendo o último lugar! Por que vale a pena escolher o caminho de Jesus? Porque é o caminho para o Reino, o caminho que Jesus seguiu, e o caminho que leva à vida eterna.

Mais direto impossível!

Felipe: o delfim

Conversei ontem, depois de uma garimpada por conversas no Shared Talk, com um amigo de Porto Rico. Entre várias coisas que conversamos, o rapaz me contou uma história curiosa sobre a apressada pronúncia do português europeu, pelo qual se interessa muito.

Lá, do outro lado do Atlântico, se estiverem falando do Flip, provavelmente estarão se referindo ao Felipe: ao homem, não ao delfim.

Eu sei… é bem mais engraçado se ele contar.

Conversamos também sobre a literatura e o nosso português. Era extremamente curioso por nossa literatura, de difícil acesso por lá.

Fiquei a pensar em como valorizamos tão pouco essa nossa língua. Só a sua poesia já seria dignidade suficiente para a sua eternidade.

Imagem de carlosoliveirareis usada sob Licença Creative Commons 2.0.

A linha divisória

Dois extremos na cidade de São Paulo. À direita, a favela de Paraisópolis, maior da cidade, à esquerda, paradoxalmente, região do Morumbi:


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Por que eu vou aos lançamentos de livros?

Mia Couto Antes de Nascer o Mundo Capa Cover Estive hoje no lançamento do novo livro de Mia Couto, escritor de um país com 11 livrarias: Moçambique. Imagino os tipos de pensamentos que os leitores da Livraria nutrem a meu respeito, quando me observam noticiando as minhas idas a esses locais: “uma verdadeira tiete de escritores, maria celulose!”.

Em primeiro lugar, preciso esclarecer que esses eventos high end user são raríssimos na minha agenda de peão e estudante de Letras. Lembro-me só de dois: Saramago e o de hoje. Depois, preciso deixar bem clara a minha atitude perante essas pessoas que escrevem livros: não vejo nada de superior neles. Seu talento é encarado por mim apenas como uma dedicação imensa ao ato de escrever, que para alguns geram bons frutos e para outros apenas bons lucros.

Entretanto, visitas a lançamentos de livros são úteis para que eu reafirme o verdadeiro lugar desses escritores: o de homens. Mia Couto hesita, pensa, erra. Juro que, da segunda fileira de onde ouvia a entrevista, parecia que era feito de carne e osso. O branco que muitos escritores dizem ter, visitou a fala mais que às folhas. Toda a visão de ícone que porventura possa ter criado acerca da genialidade de um fazedor de livros se desfaz quando tenho a oportunidade de ouví-lo.

Podes pensar que desprezo o talento para o romance moldado no escritor, mas não é disso que falo. Cabe ainda mais a congratulação, posto que de material humano provenha excelente arte. Porém, não me verias numa fila de autógrafos, tanto pela fadiga, quanto pela inutilidade do ato.

Mas qual a diferença entre receber o autógrafo e ouvir a palestra? Na primeira atitude cria-se um deus, consciente de seu poder, riscando sua criação com letras horrendas. Na outra situação ele é um homem sem qualquer poder, mas com toda a espontaneidade de um criador.

Devo dizer que Couto é espirituoso e consegue simpatia de leitores com facilidade. Como naquelas avaliações que fazem do risco-país, concluo que, numa primeira impressão, o artista moçambicano me deu bons motivos para investir num de seus títulos.

Um comentário breve de Mia Couto no meu canal do YouTube:

Compre o livro Antes de Nascer o Mundo de Mia Couto.

Devemos ter muito cuidado ao criar deuses, pois os poucos que temos, verdadeiros ou falsos, já nos trazem problemas e apuros demais.

Novo vídeo do Jars of Clay – Two Hands

Demorou, mas saiu o novo vídeo do Jars of Clay. A música é Two Hands do disco The Long Fall Back To Earth:

Abertura do seriado Dexter em versão metal

Nunca fui muito admirador desse estilo musical que chamam de metal. Não o desmereço, acho apenas que é muito duro e que está além da minha compreensão, só isso. Mas olhe só que interessante essa abertura de Dexter, o serial killer/herói/personificação do desejo humano hiperbolizado, feita numa guitarra, ou algo que corresponda ao outrora instrumento do demônio.

O mais curioso é a adaptação exata ao tempo da música original de Rolfe Kent: