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by Thiago Bomfim
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Créditos à maldade
Resolvi, novamente, mudar o tom das postagens desse blog. Os leitores, pouquíssimos, mas fiéis, devem estar cansados dessa ladainha de redenção temporária: alguns dias pura mansidão, noutros a cólera incontrolável de um escritor de meia tigela. A página que estás lendo não merece mais que a dezena de seguidores desse feed perdido, que é só mais um nessa imensidão da internet.
A justificativa para a escolha desse novo caminho é, de novo, o cansaço. Cansei-me de falar do mal, protagonizá-lo nos posts daqui. Invejo e admiro, se é que os dois sentimentos podem conviver, os amigos que perseveram no combate das deturpadas ideologias por meio de seus espaços pessoais na web.
Eu, fracote, optei pelo caminho egoísta de me deleitar das coisas boas da vida no meio desse campo de batalha, pelos menos nesta segunda-feira. Altruisticamente, afirmo que farei o bem ao invés de combater o mal. Um discurso! Pois já é um começo, seu cético… Seria melhor o começo sem discurso nenhum, concordo.
Devo, por força do título, dar o devido crédito à maldade. Sem ela nossas histórias perderiam o tempero. Foi de seu engenho as trapaças pelas quais Cândido passou. Seu braço açoitou o Messias. E Paulo? Não teria sido apenas mais um, se antes não tivesse sido um Saulo?
Os contos perderiam o sentido de existência se apenas a bondade imperasse. Não havendo o mal, a moral da história não teria com o que contradizer.
A maldade serve apenas para criar o mártir. Seu papel coadjuvante só eleva ainda mais o sofrimento e a glória de um herói.
Não digo que seja necessária ou útil a ruindade. Apenas constato sua existência e sua vaga garantida no mercado de trabalho da vida. É dela também a contradição da promessa inicial dessa postagem.
Imagem do post: Conversão de São Paulo, por Caravaggio, 1600.
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by Thiago Bomfim
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A gaiola da fé
Estive a pensar se Deus não passava de uma coisa da mente do homem: uma belíssima e quase perfeita invenção para nos colocar dentro dos limites. Cheguei à conclusão de que não pode ser assim.
Homens são como ratos, que, postos dentro duma gaiola, brigam entre si, machucando-se e ferindo um ao outro. Para comprovar esta verdade, compareça a uma tarde chuvosa de São Paulo, de preferência numa da marginais congestionadas: verás os camundongos, soltando blasfêmias aos seus semelhantes, dentro de seus ternos e sem desgrudar do volante.
A divindade não quer nos por limites. Se fizesse assim, só agravaria esse ranço ruim da humanidade que temos. Engoliríamos uns aos outros, num anseio de se libertar da gaiola da fé.
Os limites, os faróis, os radares e as cercas foram criados por nós. A liberdade, o amor, a tolerância está em Deus. Claro que pode não ser o Deus que te apresentaram.
Imagem de Milton Jung CBNSP usada sob Licença Creative Commons 2.0.
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by Thiago Bomfim
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Travis – Turn
Poucos, como nós, tiveram o privilégio da década de 90, não é?
I want to see what people saw
I want to feel like I felt before
I want to see the kingdom come
I want to feel forever young
I want to sing
To sing my song
I want to live in a world where I belong
I want to live
I will survive
And I believe that it won’t be very long
If we turn, turn, turn, turn, turn
Then we might learn
So where’s the stars?
Up in the sky
And what’s the moon?
A big balloon
We’ll never know unless we grow
There’s so much world outside the door
I want to sing
To sing my song
I want to live in a world where I’ll be strong
I want to live
I will survive
And I believe that it won’t be very long
If we turn, turn, turn, turn
And if we turn, turn, turn, turn
Then we might learn
Turn, turn, turn, turn
Turn, turn, turn
And if we turn, turn, turn, turn
Then we might learn
Learn to turn
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by Thiago Bomfim
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Tradução: Derek Webb – The State
Oh, I was free to live and love
And kill as I saw fit
I was at peace, there really was
No one I was at war with
The only common good
Was that we understood
That laws unjust were only good for breaking
That difference legalized instead of sameness
Left nobody free
But that was the day before I married my conscience to the state
My taxes paid these roads we laid
To places of my choosing
There were no eyes up in the skies
Looking down into my bed
There was no government
Without our consent
And keys were made for anyone who just claimed it
And glass was all of every wall that framed it
From sea to shining sea
But that was the day before I married my conscience to the state
Right and wrong were written on my heart and not just in the laws that condemned me
But now with Caesar satisfied I can even do the things that should offend me
O Estado (The State) – Derek webb
Ah! Eu era livre para viver e amar
Matava quando necessário
Estava em paz, não declarava guerra
Com ninguémUm bem comum;
Entendíamos que
Aquelas leis injustas eram boas apenas para desobedecermos;
A diferença legalizada ao invés da igualdade
Não fazia ninguém livre
Mas, pensava assim antes do casamento da minha consciência com o EstadoMeus impostos pagaram estas estradas que abrimos
Para os locais que escolhi;
Não havia olhos que do alto
Vigiavam a minha camaNão havia governo
Sem nosso consentimento
E propriedade só existia apenas para aquele que a reivindicava
E de vidro era toda a parede que envolvia
Os quatro cantos do mundo
Mas isso era antes de eu casar minha consciência com o EstadoO certo e o errado foram escritos no meu coração, não pelas leis que me condenam
Mas agora, com Cesar satisfeito, posso até fazer as coisas que me ofendem
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by Thiago Bomfim
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Somos todos hereges
Não levo mais sustos quando me tacham de herege. Toda a carga infernal dessa palavra se desgastou muito, à medida que passeava minha fé por quase uma dezena de denominações.
Na minha infância, seguindo meus pais religiosamente a uma Assembléia de Deus, fui ensinado a acreditar que, no sexo feminino, um herege era conhecido por meios capilares ou têxteis: quanto menor, mais perigoso.
Numa Batista, já na adolescência, acreditei que um herege era medido por metros cúbicos. Se a capacidade dum tanque de batismo não fora suficiente para uma exibição de um Michael Phelps, tínhamos ali uma seita propagando suas heresias.
Há poucos anos, quase me levaram acreditar, numa Quadrangular da Cidade Dutra, que a heresia era vista de acordo com os rendimentos bancários insignificantes, ou por meio daquele que não recebia a unção dos quatro seres.
Concluímos então que a heresia não passa de um rótulo dado por nós àqueles que não compartilham do mesmo pacote de idéias.
Claro que há uns pacotinhos mais nocivos que outros, mas, no final, somos todos farinha do mesmo saco.
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by Thiago Bomfim
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Gran Torino: a metáfora da cruz
Não é correto, prazeroso e adequado que se busque mensagens do Cristianismo em tudo o que há de produção cultural. Não só no caso da fé cristã, todo o esforço de se buscar a ideologia que mais nos agrada nas artes é tedioso.
Entretanto, deixar de lado o plurisiginificado pode comprometer a leitura plena de uma determinada obra. Podemos assistir Vicky Cristina Barcelona e nos divertir com o emaranhado dos relacionamentos desencontrados da história, é uma perspectiva suficiente, mas não é completa. Quando se descobre que Woody Allen, diretor do filme, enfatiza sempre o existencialismo na sua produção artística, você então encontrará os sinais dessa ideologia no desenrolar da história. Isso torna a sua visão de um filme de Allen ainda mais interessante e ampla.
Essa postagem, a partir de agora, está cheia de spoliers acerca do filme Gran Torino. Ainda assim, recomendo a leitura, se tiveres como propósito a observação de novos sentidos nesse filme.
Gran Torino, interpretado e dirigido por Clint Eastwood, é daqueles filmes que, só pela compreensão do enredo, já se faz extremamente benéfico. Toca naqueles assuntos sempre urgentes de convivência e boas maneiras. Claro que o estilo e a moral é o retrato do bom americano, mas nem por isso devemos desmerecer uma história tão bem contada.
Impressionei-me com a conclusão da trama, cujo final mostra Walt Kowalski, o herói, se sacrificando por um povo que não era seu e que tinha em comum com ele apenas a raça – humana, que é bom sempre lembrar.
Perfurado por uma incontável chuva de balas, o personagem cai para trás, de braços abertos, consumando a possibilidade de paz para uma determinada família.
Lembra-me bem a metáfora da cruz. Um Deus, que encarna num meio de um povo, gente que vive em constantes pelejas para decidir qual é o local correto de adoração, qual deus é o melhor. Violam a sua semelhança de humanos, fazendo com que um sacrifício de alguém que nada tem a ver com as diferenças se faça necessário.
Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Is 53:5. (NVI)
Cena em que Kowalski cai de braços abertos no gramado de um quintal que não é seu






