Estou lendo um livro em que um cara muito famoso relata tudo aquilo que fez em vão. Vilanias que, segundo ele, nada trouxe de bom. Eu, cético com a obviedade e racionalidade de tudo o que ele diz, minto para mim exatamente o oposto, só pelo desejo de testar e desmentir a pura verdade. Será que é isto mesmo que acontece com pessoas que experimentam este tipo de vida? É lógico, responde a mente, mas eu só ouço o vuvuzelante som que diz: Faça-o para ver se é assim mesmo! Não vai querer saber como é? Afinal, diz o grande poeta português, tudo vale a pena.
Será este mesmo tipo de pensamento que atiçou aqueles dois no Éden para que provassem o tal fruto proibido cujo acesso no centro do jardim não poderia estar mais facilitado? Será que somos sadomasoquistas a ponto de nos lançar ao inferno só para ver se ele é aquilo tudo que nos assombrou desde a tenra infancia?
Afinal, o inferno é tão acessível quanto aquele fruto: basta que façamos o oposto do que devemos fazer para que pelos domínios de Hades possamos passear. Mas eu, vejam só, duvido muito do inferno. E esta é a minha maldita curiosidade.
Restou-me então o medo – não a prudência – para evitar grandes desastres.




Vuvuzelante som?
haehaeaheahea