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by Thiago Bomfim
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Série: Espiritualidade em tempos de crise financeira – A Conspiração do Advento
Há um bocado de gente que se ofende quando alguém diz que não gosta do Natal. Eu não só entendo esse asco, como também compartilho dele inúmeras vezes. O Natal é uma boa época, mas, paralelo ao chamado espírito natalino, o mundo entra em uma onda de consumismo e otimismo sazonal, que tornam a data em um mero feriado com o objetivo de se esvaziar os bolsos.
Impulsionados pela aparente estável situação econômica promovida pelo 13º salário, todos correm para os centros de compras (shoppings) e gastam tudo. Ainda descontentes, usam o cartão de crédito e parcelam em suaves parcelas aquilo que não se encaixou no seu orçamento extra de final de ano. Não pensem que falo isso como um especialista em controle de gastos, pelo contrário, sou um consumidor compulsivo buscando mudar.
Esse ano, presenciei uma iniciativa interessante, que subverte toda essa idéia de Natal que temos hoje. O mais incomum é que o movimento vem lá dos Estados Unidos, sim o país do dollar, ditador de toda a nossa cultura de consumo atual. E mais curioso ainda é que a idéia surge em plena crise econômica, rebelando-se contra a propaganda de recuperação financeira do “continuem gastando”, adotada inclusive pelo esquerdista presidente Lula. Estou falando do Advent Conspiracy.
O que é o Advent Conspiracy?
O Advent Conspiracy (Conspiração do Advento) é um movimento mundial, iniciado pela igreja emergente dos EUA, que tem o objetivo de colocar em evidência o verdadeiro sentido do Natal: o nascimento de Jesus Cristo. Está baseado em quatro pilares, que traduzi da página de divulgação:
- Adoração plena: começa em Jesus e termina em Jesus. Esta é uma abordagem holística daquilo que Deus quer para o Natal. Época na qual somos chamados a deixar as nossas distrações para que nos concentremos em louvar ao Senhor. No Natal o amor vence, a paz reina e um rei é celebrado a cada respirar. A festa do ano. Se envolver com a história do advento é se envolver com uma irresistível paixão em adorar a Jesus plenamente.
- Gastar menos: antes que você pense que estamos tentando te transformar em um Ebenezer Scrooge, deixe-nos explicar. Gostamos de presentes. Nosso filhos gostam muito de presentes. Mas pense nisso: os americanos gastam uma média de 450 bilhões de dólares todo Natal. Com que freqüência você gastou em presentes de Natal sem ter qualquer obrigação de fazer isso? Quantas vezes você ganhou um presente sem que este fosse compulsado pela mesma atitude? Nós pedimos que as pessoas comprem um presente simples nesse Natal. Somente um. Parece insignificante, mas muitos dos que fizeram esse pequeno sacrifício o experimentaram como se fosse um milagre: ficaram disponíveis para celebrar Cristo nessa época do advento.
- Doar mais: o presente de Deus para conosco foi um relacionamento construído de amor. Então não é de se admirar que liguemos o Natal a uma idéia de que a época deve ser um momento para presentear amor aos nossos amigos e família, de uma forma que esse presente seja inesquecível. O tempo livre é o melhor presente que o Natal nos dá, e não importa o quanto busquemos, ele não será encontrado no shopping. Tempo para criar um presente que a família guardará por gerações. Tempo para escrever uma carta para a mãe. Tempo para cozinhar boa comida e cantar músicas ruins de Natal. Tempo para ensinar os filhos a andar de bicicleta. Tempo para tornar o amor algo real ao presentear relacionamentos. Parece bem melhor do que comprar uma camisa dois números maior, não acha?
- Amar a todos: quando Jesus amou, ele amou de maneiras inusitadas. Mesmo rico, ele veio pobre para a amar o pobre, o desprezado e o doente. Ele se marginalizou. Gastando menos no Natal temos a oportunidade de, juntamente com Cristo, presentear aqueles que mais precisam de ajuda. Quando a Conspiração do Advento foi criada, quatro congregações compartilharam essa simples idéia aos membros. O resultado foi mais de meio milhão de doláres para socorro daqueles que precisavam. Um pequeno presente. Um inacreditável presente em nome de Cristo.
A Livraria do Thiago se junta ao movimento com essa série de posts, começando hoje (um pouco atrasado, eu sei), acreditando que abrir mão de um pequeno conforto, ou de um hábito desnecessário é o caminho para se doar dignidade a quem realmente precisa. Convido outros blogueiros e leitores a participar e divulgar essa experiência.
A página do Advent Conspiracy conta com vários recursos úteis para a divulgação e envolvimento. O site Rethinking Christmas tem idéias muito criativas de presentes baratos para esse ano. Se alguém tiver interesse e não dominar o inglês, posso traduzir as idéias mais populares do site.
Por fim, deixo alguns outros links e recursos para que você pesquise e conheça mais sobre o assunto:
- A Bíblia e o dinheiro – Mensagem e confissão do Pastor Ed René Kivitz sobre a nossa mentalidade consumista.
- Advent Conspiracy.org – Página de divulgação do movimento.
- Imago Dei Podcast (em inglês) – Podcast que atualmente promove uma série sobre a conspiração. Recomendo o sermão Spend Less.
- Renovatio Café – Site em português com informações sobre o movimento emergente e a Conspiração do Advento.
- Rethinking Christmas – Site com informações e recursos sobre a celebração do Natal e sugestões de presentes baratos.
- 7 Burning Issues, Consumerism – Matéria da Relevant Magazine sobre o o consumismo. Conta com opiniões de pessoas do movimento emergente como Brian McLaren.
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Iniciativa interessante, mas não me serve como meio-termo para minha postura abolicionista quanto ao Natal e todos os feriados religiosos. Admito que até levo pro lado pessoal: odeio todos eles. =)
Rapaz, não entendo sua postura quanto aos feriados religiosos. Não considera gostar deles pensando-os como dias de folga ou tempo livre ?
E quanto ao Natal, se ele for esse monte de coisa que está aí, eu entendo, como citado no início do post, o seu asco pela época.
Como dias de folga eu gosto, mas me incomoda que sejam religiosos. Se todas as religiões requeressem seus feriados de direito seria difícil trabalhar… o ideal seria que os feriados fossem genéricos. As religiões, se quisessem, adaptariam às suas necessidades.
Mas a questão, Teo, não é o feriado. É a época. Mesmo se fosse um feriado sem qualquer ligação com a religião, o fato dele ter se tornado tão comercial continuaria sendo um problema.
Sou contra essa visão de estados imparciais no quesito religião, prova disso são as barbaridades que a Europa comete em prol de seu suposto avanço: http://tinyurl.com/5g7wf4
Não sou a favor de que um país assuma ser de alguma religião, mas discordo da postura secularizada que acaba se tornando repressão.
Thiago, assim como sou o primeiro a defender a laicidade do Estado sou o primeiro a rejeitar os abusos secularistas e até mesmo ateístas. No caso que você citou o Estado reprimiu uma manifestação pessoal (e até mesmo silenciosa) o que é deplorável. Mas o excesso não invalida o equilíbrio, e o radicalismo não invalida o consenso em si.
Concordo com o problema principal das festas religiosas em geral (e não só do Natal) seja o aspecto comercial que assumiram. Mas um feriado nacional tem efeito inexorável sobre a vida de todos em um um país. O significado dele tem que fazer sentido pra todos então.
Penso que a anulação de qualquer feriado religioso, também trata-se de anulação de uma cultura/tradição. Natal é cultura popular, tradição e manifestação de convicções.
Ultimamente inventaram uma idéia de ligar os feriados a uma identidade preguiçosa do brasileiro.
Pense, meu caro, na conveniência desse discurso: sendo o Brasil um país emergente, colônia de exploração, cada dia a menos sem se produzir é prejuízo e isso não faz mal para o brasileiro , que anda precisando descansar, isso faz mal para um sistema no qual tempo é dinheiro.
Eu não quero abolir feriados. Tá louco? hehe Quase tive um troço esse ano, todos os feriados cairam no fim de semana. Não vejo feriado como preguiça, e também rejeito essa mentalidade de explorado satisfeito.
A cultura não é anulada por atos legislativos. A cultura natalina e dos outros feriados continuaria existindo pra quem dá importância, mesmo sem o suporte estatal, que não precisa (e diria até que não deve) existir para esse tipo de coisa.
[...] Advent Conspiracy não virou aqui no Brasil. Alguém pode tentar explicar dizendo que a cultura de consumo dos [...]






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