Legalização do aborto em casos de ancefalia e evolução social

kill Caracterizada pela ausência parcial ou total do cérebro a ancefalia nos coloca diante de uma velha questão: em que casos o aborto seria uma prática lícita e aceitável?

Há muitas discussões entre os membros da comunidade científica e uma série de convicções por parte dos religiosos.

Indiferente às questões da igreja ou às definições da ciência, é certo que a descriminalização do aborto, mesmo em casos de ancefalia é uma regressão nas práticas da sociedade.

Se considerarmos que um indivíduo sem cérebro, mesmo com suas minguadas possibilidades de vida, não é digno de viver, seria caso também de se regrar um racionamento de recursos e condições de vida, de acordo com a inteligência de um ser.

As crianças estariam na pirâmide desse sistema. Com sua pouca experiência de vida, seriam escassos os acessos delas às condições de saúde, educação e alimentação. Ainda na parte inferior dessa mesma ordem, colocaríamos os analfabetos, marginalizados da escola, distantes do direito de opinar e separados das condições dignas de sobrevivência .

Evoluímos ao tentar incluir os deficientes físicos nas mesmas atividades das pessoas “comuns”. Agregamos valor à nossa organização social aos repensarmos a forma com a qual tratamos os animais, as plantas e mesmo os recursos não-renováveis do planeta.

Há um seculo considerávamos o trabalho escravo como algo corriqueiro, porém hoje julgamos essa forma de exploração como algo intolerável. Assim, o nosso avanço foi real.

Permitir abortos para casos específicos de ancefalia é também dar aval à nossa sociedade para tratar cada ser de acordo com suas habilidades ou limitações.

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‘Permitir abortos para casos específicos de ancefalia é também dar aval à nossa sociedade para tratar cada ser de acordo com suas habilidades ou limitações.’

adorei (Y)

Ótimo post amigo e muito atual. Falamos tanto de inclusão aos deficientes na sociedade mas ainda estamos tratando-os como se fossem inferiores e sem vida né?
Abraços amigo, está bom o blog.

Boa dissertação. Temo que o aborto em casos de anencefalia seja o precedente para que no futuro se defenda o direito a aborto em casos de deficiências diagnosticadas na gravidez.

Excelente texto!

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