Author Archive for Thiago Bomfim

Misteriosa Highway #2: de Chet Baker a Los Hermanos

Vi certa vez, numa entrevista para o programa Ensaio da TV Cultura, o Bruno Medina, tecladista do Los Hermanos, dizendo que uma das coisas que o influenciou foi o trompetista Chet Baker. Fui buscar esta relação na ferramenta “Artist Connections” da Last.fm e olhe só o resultado do teste de DNA (bem mais agradável que o trauma do post passado):

  • Chet Baker:
Autumn Leaves
  • Stan Getz:
Corcovado
  • Charlie Byrd:
Wave
  • Tom Jobim:
Tom Jobim E Roberto Carlos – Lígia
  • Vinícius de Moraes:
Tarde em Itapuã
  • Chico Buarque:
Gota d’Água
  • Los Hermanos:
Condicional

De Chet Baker a Los Hermanos

O mais interessante dessa lista é a abrupta transição que a Last.fm relata de Chico Buarque para Los Hermanos, sem passar por Legião Urbana, Paralamas, Cazuza, nem qualquer outra banda de rock anterior aos barbudos.

Misteriosa Highway #1: de Demônios da Garoa até Terra Samba

Como um artista se liga a outro? Nesta categoria do tipo “enche linguiça” que estreia hoje na Livraria vou explorar as conexões de bandas diferentes por meio da ferramenta “Artist Connections” da Last.fm.

Vou procurar as relações entre os artistas e tentar aproximar a experiência do leitor do blogue com a ajuda de vídeos do YouTube. Buscarei conexões bem óbvias, mas, de vez em quando, vou brincar com coisas bem desconexas e mostrar que, pelo menos na música, é possível sempre se ter uma boa influência numa raiz bem profunda.

Vamos à primeira experiência: de Demônios da Garoa até Terra Samba! Tentaremos fazer este DNA maldito, sim. Reparem a “variação” de nível qualitativo de acordo com a idade da banda e respectiva posição: quanto mais embaixo, mais sofrimento para o querido leitor:

  • Demônios da Garoa:
Saudosa Maloca
  • Bezerra da Silva:
Tem Coca Aí na Geladeira
  • Gilberto Gil
Madalena

Agora aguenta…

  • Carlinhos Brown
Ashansu
  • Timbalada
Mimar Você
  • Terra Samba:
Liberar Geral

Desculpe o sofrimento proporcionado, leitor, mas fala aí: essa ferramenta da Last.fm pode provar, numa visão bem amigável, que qualquer banda tem lá suas raízes em boas coisas. Noutra visão, talvez a mais realista, a Last.fm denuncia o nível de degradação a que chegou a música popular.

Demônios da Garoa até Terra Samba[6]

Ecos da internet

Dog and BoneEstou querendo ler, ouvir, ou assistir alguma novidade, e tem sido demasiado difícil realizar tal atividade. A internet, com o “advento” das redes sociais, faz eco de qualquer informação com a ajuda de uma “personalidade virtual” que possua um número considerável de seguidores no Twitter. Se eu leio alguma coisa no microblog, já posso esperar ver o mesmo conteúdo daqui a alguns minutos no Facebook, no Google Buzz ou no e-mail. E por ser informação gerada pelo meu ciclo de convivência, com gostos bem semelhantes aos meus, provavelmente eu não vou me incomodar ao receber os itens compartilhados.

Até o jeito que ouvimos música hoje é extremamente limitado. Acredito na utilidade de recursos como a Last.fm, ferramenta que, ao meu ver, é genial em sua proposta de recomendar. Mas esta rádio via web é bastante limitada em nos oferecer aquilo que está fora da nossa “cápsula de preferência”, em nos proporcionar algo que nos afaste daquilo que certamente nos agrada.

Vivemos numa órbita comportamental que a internet só ajuda a manter em perfeito estabilidade, pois nela é vetado o afastamento do ciclo das recomendações, é proibido a distância daquilo que não nos trará choque. Diria que a nossa dieta cultural não nos oferece nada além daquilo que nós queremos.

Por exemplo: ontem fui escolher um filme para assistir. Gosto muito de Clube da Luta e fui no IMDB ver as recomendações de títulos semelhantes para amparar minha escolha baseada nesta preferência. Acabei escolhendo Zodíaco. As chances de eu gostar deste filme são altas, mas as chances de eu me surpreender com algo alheio ao meu universo são praticamente inexistentes.

Para uma pessoa ligada em recursos da internet, existe uma cápsula anti-decepção quase impenetrável, graças aos sistemas de recomendação e estrelinhas que usuários como nós espalham por aí na avaliação de consumíveis culturais. Contudo, numa cápsula onde você só pode dizer “Like”, as chances de se surpreender são remotas, ou até nulas.

Humor nacional

Para o festival de babaquices nacionais online os brasileiros patriotas resolveram dar piti com o Sylvester Stallone.

É preciso lembrar que todo brasileiro riu da Vanusa chapada cantando o entediante Hino Nacional, todo patriota ri do presidente Lula (e com razão), toda gente dessa terra faz piada com a criminalidade do Rio de Janeiro, inclusive os cariocas.

Está na hora de abandonar esses provincianismos e de reconhecer que casos como o de Stallone não passam de um relatório exagerado, de uma narração engraçadinha. Talvez não fosse necessária a adição bem humorada, pois, como se diz, a piada já estava pronta.

Grandes humoristas não sentem vergonha de fazer humor autodepreciativo, de se incluir na piada. O pior tipo de piadista é aquele que não sabe rir de si. Brasileiro é bem dessa laia: sabe rir de tudo e de todos, mas quando é o alvo da brincadeira  “xinga muito no Twitter” e acha  tudo uma “puta falta de sacanagem”.

Simpsons no Brasil

Paixões que eu tinha e paixões que eu passei a ter

O tempo muda bastante os nossos gostos. Não é estranho pra mim pensar que o Thiago de hoje só neste dia existiu. Quem virá amanhã é um ser diferente, carregando as coisas velhas do hoje e renovando as esperanças para o depois de amanhã. Agora paremos de augustocuryces, e vamos à  duas listas.

Eu já gostei muito de:

  1. guitarra – comprava revistas de metal farofa e tenho algumas até hoje;
  2. diante do Trono – até virar homem;
  3. estudar – mas cheguei à faculdade;
  4. Oficina G3 – até resolver ir a um show deles;
  5. ir à igreja – até resolver aproveitar os meus domingos;
  6. assistir à Fórmula 1 – mesma justificativa do caso acima;
  7. sorvete – até que parei por causa da intolerância à lactose e hoje nem sinto mais falta;
  8. conversar com várias meninas – até notar que o assunto era sempre o plastiquinho numerado com a bandeira Visa impressa nele;
  9. ir ao correio – até mudar pra São Paulo;
  10. e de fazer “racha de bicicleta” no interior – até arrumar encrenca com os companheiros de “aventuras”.

Atualmente eu gosto muito:

  1. de ver filmes – principalmente dramas não românticos;
  2. de viajar – principalmente viagens longas;
  3. de me embriagar – pra pensar na vida e chorar para os amigos;
  4. de escrever – apesar de ser bem medíocre nessa atividade;
  5. de ler tirinhas – especialmente o Mundinho Animal;
  6. de Post Rock – graças ao Sigur Rós;
  7. de folk americano – graças à porta que foi Derek Webb;
  8. de Beatles – inexplicável;
  9. de comer à mesa – estou sentindo que me resta pouco tempo com meus pais;
  10. e de fazer barulho com os amigos da banda – por vários motivos.

Então é isso. Bom domingo.

Baixaria #1: o fim da música gospel/cristã/evangélica

Amigos, estamos vivendo a melhor época para a música que se autonomeia “gospel” que é justamente o seu fim. Vamos aqui começar pelo relatório de gravadoras indo a falência, tendo seus artistas engolidos pelo furacão Sony: MK Music, Gospel Records, Zekap Gospel, Line Records. Todos os “grandes” nomes estão sendo levados por este tornado medonho que também fabrica os Playstations, console que tanto exercitou os dedos da nossa geração (além de outras atividades).

Como todo o furacão, que traga tudo o que está à sua frente, a Sony tem ajuntado todo o lixo no meio do seu turbilhão. E como é comum ao fenômeno, este furacão, com todo o seu poder de destruição, espalhará o seu entulho pelas grandes redes de supermercados. É esperta, contudo, a multinacional japonesa, que sabe que para cristão “é pecado comprar pirata”.

Mas vamos ver o lado bom dessa capitalização da mensagem cristã! É depois da limpeza dos escombros deixados por este furacão que serão construídos os novos edifícios. Podemos já ver bandas cantando uma música com temática do cristianismo e em seguida, na mesma apresentação, tocar alguma música do gênio Marcelo Camelo: tudo em cima do mesmo palco/púlpito.

Os novos artistas que fazem isto não são mais capazes de traçar a linha entre vida secular e vida cristã: as duas se fundem de tal modo que viram um todo chamado apenas vida. Por isso não é mais estranho que a temática da vida (ou o oposto dela) possa ser ouvida dos lábios de artistas que cresceram em igrejas.

Não se enganem com o esperado sucesso ou a longa vida da parceria da Sony com os artistas evangélicos que já subiram aos palcos do SOS da Vida, ou fizeram “o primeiro DVD gospel do País”. Há um pessoal aí que sabe fazer mais, com muito menos.

Estamos na era dos famosos do MySpace: Arctic Monkeys, Panic! At The Disco, Lily Allen. Tempo do In Rainbows (do Radiohead) e do videoclipe que lança bandas via web, caso do Ok Go no YouTube. Estes foram só os primeiros passos que mostram que música vive muito melhor sem gravadora nenhuma.

Claro que esta instituição viverá enquanto puder tirar caldo do último bagaço que restar. O bagaço que atualmente ainda rende um caldo é a música gospel que fez sucesso sucesso no final dos 1990 e na metade da década passada. Logo, logo isso vai virar uma grande despesa e aí, no dia em que não der pra explorar mais nada, “bye, bye Cassiane, Resgate, Renascer Praise, Diante do Trono e Oficina G3”.

Radiohead fazendo um cover dos The Smiths

Confirmado: Switchfoot no Brasil. Veja datas e cidades

O Swithfoot confirmou a sua agenda para a turnê latinoamericana, e os detalhes das cidades brasileiras:

  • São Paulo – 16/09 (Carioca Club)
  • Ribeirão Preto – 17/09 (RP Hall)
  • Goiânia – 18/09 (Centro de Convencoes @ Goiania)

Finalmente conseguimos, pessoal. Sonho realizado.

Poster da Turnê do Switchfoot no Brasil