Desculpem o sensacionalismo do título, mas ele não é mentiroso sobre o que eu vou dizer.
Eu não acredito num estilo de música que algumas pessoas chamam de adoração. De todas as músicas que já fizeram, esta é a mais mentirosa e aquela que teria o potencial de ofender Deus, mas eu acho que ele tem muito mais o que fazer do que ficar bravinho com essas coisas, para isto cá estou eu.
Há uma parábola na Bíblia em que o pai pede ao filho que faça alguma coisa não sei onde e imediatamente este diz “sim, eu faço”, enquanto o outro se nega a fazer. Mas quem acaba fazendo é justamente o segundo. Isto é muito parecido com a música de adoração: ela é um “sim” que se converterá em “não” mais cedo ou mais tarde. Já o “não” do outro filho, o que supostamente não adora, se converterá em “sim”, inconscientemente, nos seus atos cotidianos.
Vou pegar uma letra de uma música bem famosa de adoração para dar um exemplo da mentira que se esconde por trás desse estilo de música:
Nós queremos nos prostrar, nós queremos te adorar
E declarar, no mundo inteiro, que tu és Senhor
Não há como expressar seu amor em se entregar(…)
Mais um exemplo:
Te Louvarei, não importa as circunstâncias
Adorarei somente a ti Jesus
Nos dois exemplos, belas palavras escondem a verdadeira atitude dos humanos diante dos problemas da vida. No primeiro caso, o desejo de se prostrar e adorar pode, facilmente, ser dirigido ao dinheiro, ao trabalho e até para um namoro obsessivo. Já o louvor da segunda música poderá, sem nenhum impedimento, se tornar num choramingo insuportável de “Deus me abandonou” ou “Eu dou sempre o dízimo, por que tu, Deus, não me abençoa?”.
Mas, preciso ser justo, nem todo o louvor rotulado como adoração pode ser desprezado e tachado como mentiroso. O problema está no louvor escrito em primeira pessoa expressando algum desejo ou vontade falsa do coração humano. Como todos sabemos, sem hipocrisia, na primeira tentação, cederemos ao desejo mesquinho de agradar essa nossa podre carne ou, se não o fizer, ao menos desejaremos fazê-lo, o que, biblicamente, já é pecado; ou seja, não há escapatória: disse “sim” no louvor, espere então em breve a mentira (ou o verdadeiro “não”).
O louvor não chega a ser nocivo quando ele é feito em terceira pessoa, quando se enumera, numa sequência entediante, os supostos atributos divinos. Caso da música abaixo, God of Wonders, de que gosto muito.
Entretanto, a suposta sinceridade em repetir os atributos de Deus pode esconder o real desejo de um coração trapaceiro. Há pessoas que cantam que Deus é amoroso, provedor, companheiro, amigo, esperando que, por terem cantado isso, automaticamente, obrigarão a Deus que seja realmente tudo isso para elas.
Ou seja, mesmo na suposta adoração em terceira pessoa, há o mesmo perigo de se dizer uma coisa quando o coração anseia por dizer outra. Portanto, tomemos cuidado, pois enganar a Deus é tarefa inútil, impossível e, por mais que tentemos adornar as nossas palavras com métrica bonita e rima impecável, o Soberano sabe bem que tipo de gente nós somos.
Pingback: Matheus Paviani
Pingback: José Inácio
Pingback: William Koppe
Pingback: Abner Melanias
Pingback: Tweets that mention A mentira que é a música de adoração -- Topsy.com