Desde que assisti Shutter Island (Ilha do Medo) interessei-me superficialmente pelo tema da loucura.
Tenho na família alguns casos de distúrbios mentais que, se não são hereditários, aparecem com uma frequência longe da normalidade.
O assunto é tabu entre os parentes, que não gostam nem visitam esse blogue. Então tenho liberdade para discutí-lo aqui.
Num dos casos recentes, o parente deu cabo ao seu próprio sofrimento e noutro o parente isolou-se mentalmente da ‘realidade’ e lá está até hoje, levando a vida mais tranquila que se pode levar.
Agora um fato sobre a loucura é bem curioso: em parte significante dos casos, o que mais incomoda um louco é a suposta lucidez. Ele não suporta a normalidade e por isso recorre à vida reclusa ou ao suicídio.
Enquanto isso, os “lúcidos” fazem esforço anormal para a manutenção da sanidade: livros açucarados de autoajuda, academia, companhias sociais equilibradas, alimentação saudável e, em último caso, remédios e consultas a um doutor de loucos.
Não acham que é gigantesco o esforço que é feito em prol da saúde mental? Como se a vida inteira fosse uma luta contra o distúrbio de ser louco. Se a chamada lucidez fosse algo inato, haveria tanta necessidade de se lutar contra os males duma mente ”perturbada”?