Dizem por aí que o mais belo louvor sai da boca daqueles que possuem coração limpo, mentes puras e atitudes irrepreensíveis. Tais almas chegam até mesmo a receber a certificação arcaica e celestial de “levitas”.
Mas esta ideia é meio esquisita pra mim. Se o elogio sai da boca de alguém que não descansa de glorificar os atributos de alguém, não seria o ato engrandecedor apenas mais uma bajulação cotidiana mecanizada?
E se Deus recebesse um elogio daquele que não o obedece, que insiste em se desviar dos divinos conselhos, que faz pouco caso das leis, códigos e sugestões de boa conduta do Mestre? Não seria a ‘adoração’ desse “desviado” ainda mais valorosa, já que é de um ‘pagão’ que provém o louvor? Se és reconhecido por alguém que aparentemente não te ama, este reconhecimento não é ainda mais valoroso?
Deixo aqui, para usares como quiser, a oração do adorador imundo:
“Faço pouco, quase nada, do que mandas, mas ainda assim reconheço que és grande! O que eu não quero fazer eu faço. Pra ser sincero, às vezes gosto de fazer aquilo que não queria. Vou além: lá no fundo eu até que queria fazer mesmo. Contudo, de alguma forma que não sei explicar, eu gosto de você.”
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