O cristianismo, religião vinda de Cristo e por ele praticada, é de uma perfeição tão grande que poderia ser uma ideia platônica, se não fosse Jesus que, como homem, foi o único realizador de tal sistema.
Nenhum homem, excetuando o próprio Deus encarnado, tem o direito de se declarar cristão, se levarmos em consideração o cumprimento pleno dos conselhos do messias. Por acaso vendeste a tua casa e abandonaste a tua família para seguir o Senhor? Não? Nem eu.
Diante da “impossibilidade” de se obedecer a Cristo, aquele tipo esperto que lê estes textos em busca de deslizes pode oportunamente pensar: “então farei o que bem entender, viverei a meu modo”.
Aviso a esta gente que a busca da perfeição de Cristo não é um alvo e sim, um caminho. Alcançá-lo é, ao que parece, impossível; mas perseguí-lo é um dever.
Ao se tomar ciência de que a perfeição de Cristo é impossível, no mesmo instante, nos submeteremos à humildade que é a virtude daquele que se reconhece incapaz. Eis aí a finalidade da tal “carreira” que precisamos correr: colocar-nos em nosso devido lugar. Cumprí-la é o de menos; tentá-la: eis aí o único cristianismo possível a um homem.
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