No ano de 2007 assisti a adaptação do livro Into the Wild (Na Natureza Selvagem) que Sean Penn escreveu e dirigiu para o cinema. Desde esta época, a figura do aventureiro e vagabundo Christopher McCandless tem me perturbado a mente.
O rapaz, depois de uma carreira estudantil exemplar com notas que, segundo ele, seriam suficientes para estudar direito em Havard, resolveu botar o pé na estrada e fugir para o Alaska. O caminho até este destino permitiu que McCandless conhecesse algumas pessoas que compartilham um sentimento de saudade por este rapaz, ainda que a presença de Alexander Supertramp, como ele mesmo se apelidou, na vida de cada uma delas tenha sido breve.

Depois das várias vezes que assisti ao filme, resolvi ler o livro escrito por Jon Kraukauer, editor da revista Outside. Apesar de preferir o filme, gostei muito da versão do escritor que, mesmo sendo mais precisa, conta com as experiências de Krakauer seguindo as pegadas de Chriss McCandless.
O livro é abundante em citações de vários escritores que foram referência para McCandless e também de algumas citações do próprio aventureiro deixadas em cartas e bilhetes para os amigos.
Um conselho dirigido ao velho Ronald A. Franz me chamou atenção pelo romantismo levado ao extremo por este corajoso e nobre rapaz:
Gostaria de repetir o conselho que lhe dei antes: acho que você deveria promover uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer corajosamente coisas em que talvez nunca tenha pensado, ou que fosse hesitante demais para tentar. Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro. A coisa mais essencial do espírito vivo de um homem é sua paixão pela aventura. A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências.
Mas será que isso tudo não passa de algumas declarações bonitas? Quem pagará as contas de um estilo de vida como esse? Não é muita utopia?
Utopia, como costumo dizer, é um bom nome para as coisas que temos medo de tentar, para os sonhos que deixamos perecer conosco. Não que todo sonho tenha que ser colocado no curso da realidade, alguns precisam continuar lá na imaginação, contudo, outros merecem a dignidade da tentativa. Franz, acreditem, levou o conselho do rapaz ao pé da letra e, até hoje, vive num estilo de vida alternativo.
Se um sonho grande – muito alto – for alcançado pela metade, será pelo menos algo grandioso, se comparado ao estilo de vida da maioria das pessoas.