Há um problema quando encaminhamos os nossos dias como rotina. Eles ficam vazios, apesar de, na maioria dos casos, serem produtivos.
Uma nova prática de vida seria encarar as suas escolhas diárias como rituais. Diferente de uma rotina, um ritual traz consigo um significado maior, bem próximo de algo transcendental.
Posso, por exemplo, encarar o almoço de domingo como uma hora determinada para se sentar à mesa e comer um almoço com alguns quitutes diferentes: esta é a rotina dominical. Ou talvez escolha olhar para este almoço como um instante de proximidade entre pais e filhos que trabalharam a semana toda e que, em um dos sete dias da semana, pararam por alguns minutos para celebrar uma união que, ao que parece, vai além da relação consanguínea.
Não importa qual seja a rotina, transforme-a em ritual. Isto que eu estou fazendo agora é o meu ritual diário – não rotina – de escrever um texto ruim e publicar.
Olhar para as nossas atitudes como parte de um ritual grandioso faz com que as escolhas tenham um significado diferente. Você pode se tornar um tipo de pessoa excêntrica, que leva tudo a sério demais; mas ser excêntrico é um elogio para uma sociedade em que humanos devem seguir um padrão. Deformar, sair da forma e de forma, se tornar disforme é bem bom.
É importante lembrar que o ritual nada tem a ver com ser o menino exemplar politicamente correto. O seu ritual pode ser exatamente o de transgredir toda a etiqueta e suposta “boa educação”. O importante é que você coloque um pouco de “religião” nas suas atitudes, nem que sua religião seja a poesia, a música, o ar, a preguiça. Só não recomendo que a sua religião seja o trabalho ou o futuro.
