Carnavariscos

Carnaval Um monte de gente aproveita para vociferar que o carnaval é a festa do diabo. Mas eu acho o lado bom do carnaval, este que permite o ócio, o churrasco familiar, o farofismo paulistano descendo a congestionada Imigrantes muito mais bonito do que certos carnavais que acontecem naqueles locais a que chamam igreja.

Vamos a um teste: você tem mais medo do carnaval da sessão do descarrego promovido pela Igreja Universal ou do desfile televisionado pela Rede Globo? Tudo bem que as opções são bem restritas e ruins, mas pense naquilo que é mais suportável: ver a evolução duma Beija Flor ou os gritos suínos dos pastores de tal denominação cristã, que é assim chamada apenas para que haja uma classificação que a inclua em algum lugar que não seja o limbo do sincretismo religioso?

A questão é: irmãozinhos, pra que tanta hipocrisia malhando a Globo com a sua cobertura dos desfiles sendo que a gente vê um show de horrores todos os dias nos canais ligados à Rede Record? E mais: se a anarquia global, como dizem, é feita em honra ao Belzebu, não é pior que o furdunço cristão seja feito em nome de Deus?

100 discos da década | 1º – Sufjan Stevens – Illinois (1)

Sufjan Stevens - Illinois Haja criatividade para fazer músicas com todos os estados americanos, e fazer música boa! Mesmo sendo um álbum conceitual, algo raro nessa lista extremamente pop, Illinois merece o primeiro lugar.

O disco não é só o topo da lista da Livraria como também está entre os melhores discos de outras listas por aí.

Alguns podem estranhar a presença desse multiinstrumentista numa lista de 100 discos cristãos, mas eis a explicação: mesmo tendo sido educado numa família ecumênica e liberal, boa parte das músicas de Stevens tocam em assuntos de espiritualidade cristã, algumas vezes de modo explícito e , em alguns casos, discretamente.

O curioso é que, mesmo com essa carga calórica transaturada teológica adicionada ao delicioso chocolate musical, Sufjan Stevens continua sendo reconhecido como um bom músico para além de selos cristãos.

Contudo, o selo que ele criou para publicar seus discos, o Asthmatic Kitty (gatinho asmático), divulga outros artistas que se dedicam exclusivamente à música cristã, como o casal da banda The Welcome Wagon.

Illionoise é um conjunto musical alucinante que te cativa contando histórias conhecidas de personalidades e cidades do estado americano que intitula o disco desse primeiro lugar.

Esse disco merece uma série de posts a que me dedicarei nestes próximos dias (vai dar trabalho o que eu quero fazer).

E só avisando: o ganhador do disco Redemption Songs que acertou em cheio album e artista via Twitter foi o jb_joaobatista.

100 discos da década | 2º – Jars of Clay – Who We Are Instead

Jars of Clay - Who We Are Instead Poucas bandas criam um estilo tão particular como o Jars of Clay. Para qualquer americano, ser influenciado por folk é processo de osmose, mas valorizar estas raízes com boa música contemporânea não é para todos.

Who We Are Instead é um disco de beleza incomparável. A espiritualidade é tratada de  modo sério com aplicação às situações e problemas cotidianos sem deixar qualquer resquício de uma visão teológica específica (diferente de discos mais recentes da banda).

Mesmo as músicas covers do disco, ainda que de fontes não cristãs, se encaixam perfeitamente à ideologia da fé baseada no cristianismo. E estas mesmas regravações (covers), com a interpretação do Jars of Clay, ganham nova identidade, incorporando o estilo da banda, chegando até a passar a impressão de que a fonte original é o cover.

Bono Vox, vocalista do U2, chegou a admitir que ouvia esse disco no carro, especialmente o cover de “Jesus Blood Never Failed Me Yet”.

Ficha:

Disco: Who We Are Instead

Artista: Jars of Clay

Ano: 2003 (Novembro)

Gravadora/Selo: Essential

Lista de músicas:

  1. "Sunny Days"
  2. "Amazing Grace" (featuring Ashley Cleveland)
  3. "Lonely People" (America cover)
  4. "Only Alive"
  5. "Trouble Is"
  6. "Faith Enough"
  7. "Show You Love"
  8. "Lesser Things"
  9. "I’m In The Way"
  10. "Jesus Blood Never Failed Me Yet" (Gavin Bryars cover)
  11. "Jealous Kind" (featuring Ashley Cleveland)
  12. "Sing"
  13. "My Heavenly"

Videos (Show You Love & Lonely People [não oficial])

 

100 discos da década | 3º – Learning to Breathe – Switchfoot

Switchfoot - Learning to Breathe O terceiro disco do Switchfoot foi um disco definidor para a banda. Reconhecemos todo o trabalho posterior baseados em Learning to Breath. Se alguém algum dia disser que não gostou de um determinado disco do Switchfoot, automaticamente deve-se traduzir “tal disco não é igual a Learning to Breathe”.

Embora o trabalho que lançou a banda aos holofotes tenha sido o posterior – The Beautiful Letdown – é no terceiro trabalho que todas as boas características da banda estão condensadas.

Podemos dizer que o Switchfoot, mesmo sob o estigma do rótulo cristão, foi a banda desse entediante seguimento que mais passeou pela cultura mainstream, tudo graças a Learning to Breathe.

É um disco extremamente radiofônico, mas isso não é uma coisa ruim se o período a que o termo “radiofônico” se refere é a década de 90 ou os preciosos primeiros anos dos 00.

Ouso dizer que Learning to Breathe é o único disco que coloca Switchfoot no hall de dignidade do post-grunge.

Ficha:

Disco: Learning to Breathe

Artista: Switchfoot

Ano: 2000 (Setembro)

Gravadora/Selo: Re: Think

Lista de músicas:

  1. "Dare You to Move
  2. "Learning to Breathe"
  3. "You Already Take Me There"
  4. "Love Is the Movement"
  5. "Poparazzi"
  6. "Innocence Again"
  7. "Playing for Keeps"
  8. "The Loser"
  9. "The Economy of Mercy"
  10. "Erosion"
  11. "Living Is Simple"

Video (Dare to Move + You Already Take Me There):

100 discos da década | 4º – Derek Webb – Mockingbird

Derek Webb - Mockingbird Derek Webb deve ser o nome mais repetido desse blogue que, a todo custo, se esforça para divulgá-lo como alternativa a outras gringaiadas que fazem a cabeça do povo. Então, pra variar, vamos a mais uma sessão de rasgação de seda.

Mockingbird é um disco perfeito saído de um conjunto contraditório: melodia suave para ideias incômodas. E incômodo é a palavra mais adequada para este disco e para este cantor: não é possível ouvir Webb sem concordar com ele por completo e, consequentemente, sentir-se um lixo ou, ao contrário, enxotar sua música como se ela fosse a coisa mais abominável e injusta que já se ouviu.

Em várias vezes, enquanto ouvia esse disco, pulava faixas como Rich Young Ruler pelo desconforto que causava, sendo dotada de uma ideologia que, à primeira vista, parece apenas política, mas que é na verdade uma vontade gigantesca de aplicar o reino de Deus ao pé da letra.

Em outro campo Mockingbird merece inúmeros méritos: o da linguagem. Pouquíssimos discos bebem na fonte do sarcasmo de modo tão ávido como este. Ao desavisado este disco pode parecer um odioso propagar de ideologias subversivas, quando na verdade ele é um púlpito de essências de vida cristã, só que ditas, quase sempre, ao contrário por meio do velho e bom recurso chamado ironia.

Melodicamente o disco é extremamente suave, já que de choques estão fartas as letras: piano sobreposto a um violão discreto e cordas vergonhosas com aparição esporádica.

Ficha:

Disco: Mockingbird

Artista: Derek Webb

Ano: 2005 (Dezembro)

Gravadora/Selo: Integrity Media

Lista de músicas:

  1. "Mockingbird"
  2. "A New Law"
  3. "A King & A Kingdom"
  4. "I Hate Everything (But You)"
  5. "Rich Young Ruler" 
  6. "A Consistent Ethic Of Human Life"
  7. "My Enemies Are Men Like Me"
  8. "Zeros & Ones"
  9. "In God We Trust"
  10. "Please, Before I Go"
  11. "Love Is Not Against The Law"

Video (minha tradução da música A New Law):

Uma chiforinfola de sabores

Paulistano tem mania de distorcer sabores. A outrora simples e agradável tapioca virou uma profusão de ingredientes que supera a variedade de qualquer barraquinha de pastel de feira. É possível encontrar em São Paulo tapioca com requeijão e carne seca.

O start pra essa zona gastronômica, tenho certeza, foi o catupiry: a substância pastosa cujos ingredientes desconhecemos, passou a habitar cada centímetro da alimentação dos paulistanos. Frango, pizza, macarrão, torta, pastel, croissant:  nisso aí tudo tem catupiry.

Outra maldição que percorre essa cidade é o açaí. Açaí é bom, mas o problema é que o açaí daqui tem gosto de tudo: banana, morango, mamão; só não tem gosto de açaí.

A única coisa que ainda não sofreu mutações do apurado paladar dos moradores dessa cidade é o chimarrão. Mas vamos dar asas à nossa imaginação e criar algumas combinações para a apreciação dessa erva nos arredores da nossa amada metrópole: chimarrão com suco de uva, chimarrão com Coca Cola, chimarrão com 51, batida de chimarrão, chimarrão com catupiry, chimarrão com doce de leite.

Dá indigestão de pensar, né? Só que a  mixagem alimentar não foi o pior daquilo que a nossa criatividade, conterrâneos, foi capaz de produzir. Ouçam o rock que fazem nessa cidade! Deixemos esses assunto desagradável para outro dia.