100 discos da década | 1º – Sufjan Stevens – Illinois (1)

Sufjan Stevens - Illinois Haja criatividade para fazer músicas com todos os estados americanos, e fazer música boa! Mesmo sendo um álbum conceitual, algo raro nessa lista extremamente pop, Illinois merece o primeiro lugar.

O disco não é só o topo da lista da Livraria como também está entre os melhores discos de outras listas por aí.

Alguns podem estranhar a presença desse multiinstrumentista numa lista de 100 discos cristãos, mas eis a explicação: mesmo tendo sido educado numa família ecumênica e liberal, boa parte das músicas de Stevens tocam em assuntos de espiritualidade cristã, algumas vezes de modo explícito e , em alguns casos, discretamente.

O curioso é que, mesmo com essa carga calórica transaturada teológica adicionada ao delicioso chocolate musical, Sufjan Stevens continua sendo reconhecido como um bom músico para além de selos cristãos.

Contudo, o selo que ele criou para publicar seus discos, o Asthmatic Kitty (gatinho asmático), divulga outros artistas que se dedicam exclusivamente à música cristã, como o casal da banda The Welcome Wagon.

Illionoise é um conjunto musical alucinante que te cativa contando histórias conhecidas de personalidades e cidades do estado americano que intitula o disco desse primeiro lugar.

Esse disco merece uma série de posts a que me dedicarei nestes próximos dias (vai dar trabalho o que eu quero fazer).

E só avisando: o ganhador do disco Redemption Songs que acertou em cheio album e artista via Twitter foi o jb_joaobatista.

Humor autodepreciativo

Dizem que uma piada precisa sempre de um bobo que, por meio de uma situação degradante ou indigna, traga o riso. Isso quer dizer que, direta ou indiretamente, uma anedota acaba sempre constrangendo um fulano ou uma classe inteira de pessoas.

Mas vamos parar de fazer piada só por conta disso? Nem pensar. Foda-se o politicamente correto.

Contudo, uma quantidade reduzida de picuinhas é sempre bem vinda, especialmente para pessoas com um histórico de polidez já um tanto desgastado. Por isso, sem abrir mão do riso, faça piadas de ti mesmo. É o tal humor autodepreciativo: você é o alvo da piada que é feita por você.

Vamos a um exemplo (fraquíssimo):

Neste blog fala-se de tudo, mas da nada se fala.

Uma chiforinfola de sabores

Paulistano tem mania de distorcer sabores. A outrora simples e agradável tapioca virou uma profusão de ingredientes que supera a variedade de qualquer barraquinha de pastel de feira. É possível encontrar em São Paulo tapioca com requeijão e carne seca.

O start pra essa zona gastronômica, tenho certeza, foi o catupiry: a substância pastosa cujos ingredientes desconhecemos, passou a habitar cada centímetro da alimentação dos paulistanos. Frango, pizza, macarrão, torta, pastel, croissant:  nisso aí tudo tem catupiry.

Outra maldição que percorre essa cidade é o açaí. Açaí é bom, mas o problema é que o açaí daqui tem gosto de tudo: banana, morango, mamão; só não tem gosto de açaí.

A única coisa que ainda não sofreu mutações do apurado paladar dos moradores dessa cidade é o chimarrão. Mas vamos dar asas à nossa imaginação e criar algumas combinações para a apreciação dessa erva nos arredores da nossa amada metrópole: chimarrão com suco de uva, chimarrão com Coca Cola, chimarrão com 51, batida de chimarrão, chimarrão com catupiry, chimarrão com doce de leite.

Dá indigestão de pensar, né? Só que a  mixagem alimentar não foi o pior daquilo que a nossa criatividade, conterrâneos, foi capaz de produzir. Ouçam o rock que fazem nessa cidade! Deixemos esses assunto desagradável para outro dia.

Vaquinha pra comprar meu baixo elétrico

Muitos já estão entediados com os escritos que são publicados nesse blogue aqui. Forneço agora a todos a chance de me colocar em outras atividades menos incômodas que a escrita. Que tal a música?

Contei recentemente aos leitores pacientes – e aos privados de conteúdo que seja pouco melhor que o desta página, o que não é difícil de fazer – sobre os projetos de montar uma banda. Recebi após esta confissão gentis sugestões e orientações de amigos especialistas no que concerne ao mundo da música e do baixo elétrico.

Para entrar de cabeça nessa empreitada usei o sistema do Vakinha para angariar fundos que correspondam a 1/3 do valor aproximado de alguns baixos que eu andei a pesquisar.

Aí está a oportunidade de você colocar um jovem com pouco talento para a escrita no mundo da música. Ao menos poderás poupar vosso olho para as palavras mal escolhidas e caoticamente colocadas em frases que, incapazes de serem sérias, são extremamente fracas na arte de soar ao menos engraçadas.

Quer dar uma forcinha na compra desse baixo?

Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (2)

A Million Miles in a Thousan Years - Capa (Cover) Um livro excelente. Não há nada de muito novo, mas Donald Miller faz coisas muito óbvias sobre vida cristã serem muito dolorosas. Ouvimos tudo o que Miller diz todos os dias, mas não ouvimos como ele diz.

Donald Miller simula um relato pessoal quando na verdade está falando da minha história, da minha pequena história.

Estou profundamente agradecido por ter uma leitura dessa à disposição, mesmo que ela me seja tão incômoda.

A presença de Deus parece esmaecida, mas na verdade ela está lá o tempo todo, só que inserida numa realidade que fazemos questão de ignorar.

SPOILER

Can you imagine an informecial with Paul, testyfying to the amazing product of Jesus, sayng that he once had power and authority, and since he tried Jesus he’s been moved from prision to prison, beaten, and routinely bitten by snakes? (…) I think Jesus can make things better, but I don’t think he is going to make things perfect. Not here, and not now.

Confissões de São Thiago

Ano Novo é um momento em que as pessoas se aproveitam do simbólico recomeço para rever as atitudes tentando melhorar alguma coisa. Como este blogue é um adepto dos clichês, assim como eu, não há de fugir a essa regra.

Eu ando contaminado por várias influências erradas do meio cristão: cultura, idéias e bobeiras. E vocês não tem noção de como isso é prejudicial para mim e para vocês que insistem na visita esporádica desse site. Conversava com uma pessoa da minha família que o fato de eu não ir na igreja, além dos compromissos escolares que não poupam nem o final de semana, era o estado de espírito em que me encontrava ao término das reuniões: estava cansado, farto e profundamente irritado com certos desvios de discurso em oposição à prática.

Creio que não é adequado exigir de outros uma conduta impecável. Para ser sincero eu não me irrito nenhum pouco com condutas irresponsáveis, pois a minha funciona dessa maneira. O que me tira do sério é o discurso que exige perfeição vindo de um orador que nem se preocupa com o conceito de “perfeito”. Devo ser justo e dizer que nem todos os casos se enquadram na moldura acima. Testemunhei uma bela exceção na última comunidade que freqüentei, que tinha à frente dela um pastor guiado por uma sinceridade que alguns julgavam extremada.

Entretanto, para uma pessoa como eu, contaminada por uma má disposição, o mais inocente deslize pode despertar uma raiva acumulada de experiências desagradáveis em comunidades cristãs que foram ambientes prejudiciais. Outro fator relevante para a minha indisposição com a comunhão dos santos é o fato de que estive por aí com várias comunhões – não muito santas, é verdade – que me fizeram muito bem. Posso dizer que a graça está por todo canto, no meio da desgraça que é o mundo e a vida.

Isso pode parecer uma bela desculpa de um vagabundo que não está querendo compromisso com igreja e talvez seja exatamente isto. Mas eu penso que é essencial que os leitores daqui estejam cientes da disposição do blogueiro para que não exijam dele algo que ele nunca mencionou que estava à disposição.

Por fim, algo que me desagrada muito é o meu ego que é como espelho do ego de todos nós. Vejo algo que fiz de modo mesquinho se voltando do mesmo modo contra mim de pessoas que até admiro. Não exijo deles outro comportamento: cada um tem a sua consciência transformada pelo Espírito que transcende toda a nossa moral e etiqueta. Há uma opção que é a mais viável e confortável para todos e que só depende da minha vontade: deixar de ouví-los. E foi isso que fiz: exclui do meu leitor uma série de feeds de blogs de cristãos, dei um unfollow em alguns profiles e fiz alguns bloqueios nos comunicadores.

No momento, é provável que alguns já estejam pondo o rótulo de “infantil” neste ato. Podem pensar desse modo, desde que seu pensamento não chegue aos meus ouvidos. Na Bíblia há uma bela metáfora que pede que nossos olhos sejam removidos, se eles nos trazem razão para o pecado. E é isto que estou fazendo: tapando olhos e ouvidos para aquilo que,  ao alcance dos sentidos, pode virar cólera no Thiago. Uma atitude ruim a menos talvez signifique alguma coisa nas contas celestiais que me prometem um tal “galardão”.