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by Thiago Bomfim
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Carnavariscos
Um monte de gente aproveita para vociferar que o carnaval é a festa do diabo. Mas eu acho o lado bom do carnaval, este que permite o ócio, o churrasco familiar, o farofismo paulistano descendo a congestionada Imigrantes muito mais bonito do que certos carnavais que acontecem naqueles locais a que chamam igreja.
Vamos a um teste: você tem mais medo do carnaval da sessão do descarrego promovido pela Igreja Universal ou do desfile televisionado pela Rede Globo? Tudo bem que as opções são bem restritas e ruins, mas pense naquilo que é mais suportável: ver a evolução duma Beija Flor ou os gritos suínos dos pastores de tal denominação cristã, que é assim chamada apenas para que haja uma classificação que a inclua em algum lugar que não seja o limbo do sincretismo religioso?
A questão é: irmãozinhos, pra que tanta hipocrisia malhando a Globo com a sua cobertura dos desfiles sendo que a gente vê um show de horrores todos os dias nos canais ligados à Rede Record? E mais: se a anarquia global, como dizem, é feita em honra ao Belzebu, não é pior que o furdunço cristão seja feito em nome de Deus?
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 4º – Derek Webb – Mockingbird
Derek Webb deve ser o nome mais repetido desse blogue que, a todo custo, se esforça para divulgá-lo como alternativa a outras gringaiadas que fazem a cabeça do povo. Então, pra variar, vamos a mais uma sessão de rasgação de seda.
Mockingbird é um disco perfeito saído de um conjunto contraditório: melodia suave para ideias incômodas. E incômodo é a palavra mais adequada para este disco e para este cantor: não é possível ouvir Webb sem concordar com ele por completo e, consequentemente, sentir-se um lixo ou, ao contrário, enxotar sua música como se ela fosse a coisa mais abominável e injusta que já se ouviu.
Em várias vezes, enquanto ouvia esse disco, pulava faixas como Rich Young Ruler pelo desconforto que causava, sendo dotada de uma ideologia que, à primeira vista, parece apenas política, mas que é na verdade uma vontade gigantesca de aplicar o reino de Deus ao pé da letra.
Em outro campo Mockingbird merece inúmeros méritos: o da linguagem. Pouquíssimos discos bebem na fonte do sarcasmo de modo tão ávido como este. Ao desavisado este disco pode parecer um odioso propagar de ideologias subversivas, quando na verdade ele é um púlpito de essências de vida cristã, só que ditas, quase sempre, ao contrário por meio do velho e bom recurso chamado ironia.
Melodicamente o disco é extremamente suave, já que de choques estão fartas as letras: piano sobreposto a um violão discreto e cordas vergonhosas com aparição esporádica.
Ficha:
Disco: Mockingbird
Artista: Derek Webb
Ano: 2005 (Dezembro)
Gravadora/Selo: Integrity Media
Lista de músicas:
- "Mockingbird"
- "A New Law"
- "A King & A Kingdom"
- "I Hate Everything (But You)"
- "Rich Young Ruler"
- "A Consistent Ethic Of Human Life"
- "My Enemies Are Men Like Me"
- "Zeros & Ones"
- "In God We Trust"
- "Please, Before I Go"
- "Love Is Not Against The Law"
Video (minha tradução da música A New Law):
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 10º: Jars of Clay – Redemption Songs
[UPDATE] Liste os seus 10 discos preferidos nos comentários e concorra ao décimo lugar da nossa lista: Redemption Songs da banda Jars of Clay.
Ao listar os 100 discos cristãos da década, uma situação curiosa ficou nítida e quero compartilhar com vocês agora que nos aproximamos do pódio: a música cristã só é boa quando está prestes a romper com o compromisso de ser cristã, ou quando, paradoxalmente, retorna por completo à suas raízes. Um meio termo disso resulta em música ruim.
Para ficar mais claro o que eu quero dizer: uma música feita por artistas cristãos com foco em determinados nichos resulta numa combinação desagradável. Vira um grito de credos, uma mensagem dos excluídos que, mesmo falando só para um determinado gueto, carrega a exigência mesquinha de ser ouvida por todos e para este propósito esquece de ser música e torna-se uma sucessão de ruídos insuportáveis.
Num outro cenário existe música que é feita para relembrar-nos daquilo que há de mais comum e primitivo entre os cristãos: a comunhão da fé que se afirma em princípios básicos como vida eterna, salvação em Jesus Cristo, amor ao próximo, conforto, redenção e esperança. Não há lugar melhor para encontrar esta mensagem da forma mais nítida, simples e poética que já existiu, senão nos preciosíssimos e quase esquecidos hinários.
E é por isso que Jars of Clay está entre os 10 melhores discos cristãos da década que se foi. Até hoje nenhuma releitura de hinos tradicionais foi feita com tanto bom gosto, beleza e critério como se fez em Redemption Songs.
É um disco que traz o sentimento de comunidade de fé/igreja/corpo de Cristo como poucos, tanto pelo repertório, quanto pelos convidados que conferem às interpretações nuances completamente distintas: Martin Smith (Delirious?) – um pioneiro do estilo chamado worship, que seria a onda mais lucrativa do mercado cristão na década passada – Sara Kelly que traz o clima country das tradicionais igrejas americanas e o The Blind Boys of Alabama responsável pelo clima sulista das igrejas de negros dos EUA.
Não tenho qualquer receio do exagero, temeria se fosse injusto ao dizer que este é um disco menor do que “maravilhoso”.
Disco: Redemption Songs
Artista: Jars of Clay
Ano: 2005 (Março)
Gravadora/Selo: Essential
Lista de músicas:
01. God Be Merciful To Me
02. I Need Thee Every Hour
03. God Will Lift Up Your Head
04. I’ll Fly Away
05. Nothing But The Blood
06. Let Us Love And Sing And Wonder
07. O Come And Mourn With Me Awhile
08. Hiding Place
09. Jesus, I Lift My Eyes
10. It Is Well With My Soul
11. On Jordan’s Stormy Banks I Stand
12. Thou Lovely Source Of True Delight
13. They’ll Know We Are Christians By Our Love
Vídeo (uma faixa escolhida de acordo com a disponibilidade):
Educação Filosofia Igreja Livraria Pensando: catástrofe esperança estilo de vida fé Haiti
by Thiago Bomfim
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Você vive cerca de 80 anos num planeta de 4,5 bilhões de anos
Não sei se isso é mal de fase de crescimento infinita ou é aquilo que num reality show chamam “falta de personalidade”: mudo fácil de opinião. Ainda há pouco divulgava uma espécie de cristianismo que se engajava na causa de um mundo melhor. Pelo menos no meu caso, isso servia apenas como um crédito de carbono espiritual que pagava com assistencialismo a vil existência de uma humanidade mesquinha da qual faço parte.
É ilusória a idéia de que o homem tem crucial importância para a mudança do curso da história. E justamente o episódio no Haiti me fez pensar que a dedicação exclusiva ao trabalho de mudar o mundo pode se converter numa grande frustração: uma fatalidade, cuja responsabilidade não se dá nem a um ser terreno nem a uma divindade, destrói tudo aquilo que se levou anos para construir.
Não pense o leitor que este é um convite para que se deixe tudo de pernas para o ar, com um mundo bagunçado como está. Minha mãe ainda insiste na higiene da casa, mesmo sabendo que um vento soprando um monte de folhas pelo chão pode aparecer a qualquer hora. Nesse post, estou só desviando a conversa que te pede um trabalho extremado de construção da sociedade perfeita.
Há um tendência perversa das novas frentes evangélicas de glorificar um estilo de vida que promova uma sociedade alternativa, feliz, totalmente imune ao mal. Contudo, a boa intenção confunde nossos nossos olhos, esmaecendo o fato de que a nossa existência é curta, insignificante e vulnerável; se livres de toda a maldade humana, ainda não estaremos protegidos de um fenômeno natural como uma erupção vulcânica, um terremoto, um furacão ou uma tsunami.
Devo amar o próximo? Como a mim mesmo, ensina o Mestre. Mas esta não é a questão única e central de uma vida.
Não devemos nos submeter a prescrições de condutas que censurem a crise, que neguem a liberdade de achar que a nossa contribuição é minúscula. Acima de tudo: não é adequado o apego a nenhuma ideologia que nos impeça a crença de que o sentido da vida está justamente na eterna busca de sentido para a vida.
Educação Igreja Mídia: mercado mídia publicidade xpocristã
by Thiago Bomfim
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XPo Cristã
Se há uma bizarrice grande é a tal segmentação “mercado evangélico”. Existe mercado judeu, mercado afro-religioso, mercado anglicano, mercado ateu?
Se a herança de alguma raiz protestante já te leva a um sentimento de pertencimento a uma linhagem alienígena, a separação que alguns oportunistas fazem para enfiar a mão no seu bolso produz efeito ainda pior.
Contudo, colocando o pingo no “i”, é preciso lembrar que há arte (música, cinema, literatura) que é feita com influências do pensamento cristão, assim como há arte com foco existencialista e por aí vai.
O que é inaceitável é você chegar ao supermercado e ver um arroz gospel, um feijão pentecostal, uma pasta de dente adventista, ou um papel higiênico Renascer.
10 momentos do ano gospel de 2009
1 - O Pavarini deixou a Ana Paula Valadão em paz. Resultado: família Valadão vai pro casting da Globo fazer companhia para o MunRah gospel Cid Moreira:
2 – O casal Hernandes volta triunfalmente de Miami trazendo várias muambas:
3 – Régis Dane-se a música:
4 – Silas Malafaia oferece bíblia e a exclusiva benção de prosperidade a 900 reais:
5 – Marco Feliciano e André Valadão mudam o visual:
6 – Caio Fábio não brigou com ninguém:
7 – Pavablog quase vira livro, mas quem acabou editado foi o Paulo Brabo:
8 – Cristianismo Hoje renova o site e entrevista a última personalidade do momento: o… o… Qual era o nome mesmo?
9 – Kaká, Silas Malafaia e R.R. Soares são abençoados com aviões particulares e ungidos:
10 – O único que continua sem avião, mas com altíssimo custo de manutenção, é o Apóstolo Estevam Hernandes:














