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by Thiago Bomfim
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Carnavariscos
Um monte de gente aproveita para vociferar que o carnaval é a festa do diabo. Mas eu acho o lado bom do carnaval, este que permite o ócio, o churrasco familiar, o farofismo paulistano descendo a congestionada Imigrantes muito mais bonito do que certos carnavais que acontecem naqueles locais a que chamam igreja.
Vamos a um teste: você tem mais medo do carnaval da sessão do descarrego promovido pela Igreja Universal ou do desfile televisionado pela Rede Globo? Tudo bem que as opções são bem restritas e ruins, mas pense naquilo que é mais suportável: ver a evolução duma Beija Flor ou os gritos suínos dos pastores de tal denominação cristã, que é assim chamada apenas para que haja uma classificação que a inclua em algum lugar que não seja o limbo do sincretismo religioso?
A questão é: irmãozinhos, pra que tanta hipocrisia malhando a Globo com a sua cobertura dos desfiles sendo que a gente vê um show de horrores todos os dias nos canais ligados à Rede Record? E mais: se a anarquia global, como dizem, é feita em honra ao Belzebu, não é pior que o furdunço cristão seja feito em nome de Deus?
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 1º – Sufjan Stevens – Illinois (1)
Haja criatividade para fazer músicas com todos os estados americanos, e fazer música boa! Mesmo sendo um álbum conceitual, algo raro nessa lista extremamente pop, Illinois merece o primeiro lugar.
O disco não é só o topo da lista da Livraria como também está entre os melhores discos de outras listas por aí.
Alguns podem estranhar a presença desse multiinstrumentista numa lista de 100 discos cristãos, mas eis a explicação: mesmo tendo sido educado numa família ecumênica e liberal, boa parte das músicas de Stevens tocam em assuntos de espiritualidade cristã, algumas vezes de modo explícito e , em alguns casos, discretamente.
O curioso é que, mesmo com essa carga calórica transaturada teológica adicionada ao delicioso chocolate musical, Sufjan Stevens continua sendo reconhecido como um bom músico para além de selos cristãos.
Contudo, o selo que ele criou para publicar seus discos, o Asthmatic Kitty (gatinho asmático), divulga outros artistas que se dedicam exclusivamente à música cristã, como o casal da banda The Welcome Wagon.
Illionoise é um conjunto musical alucinante que te cativa contando histórias conhecidas de personalidades e cidades do estado americano que intitula o disco desse primeiro lugar.
Esse disco merece uma série de posts a que me dedicarei nestes próximos dias (vai dar trabalho o que eu quero fazer).
E só avisando: o ganhador do disco Redemption Songs que acertou em cheio album e artista via Twitter foi o jb_joaobatista.
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 3º – Learning to Breathe – Switchfoot
O terceiro disco do Switchfoot foi um disco definidor para a banda. Reconhecemos todo o trabalho posterior baseados em Learning to Breath. Se alguém algum dia disser que não gostou de um determinado disco do Switchfoot, automaticamente deve-se traduzir “tal disco não é igual a Learning to Breathe”.
Embora o trabalho que lançou a banda aos holofotes tenha sido o posterior – The Beautiful Letdown – é no terceiro trabalho que todas as boas características da banda estão condensadas.
Podemos dizer que o Switchfoot, mesmo sob o estigma do rótulo cristão, foi a banda desse entediante seguimento que mais passeou pela cultura mainstream, tudo graças a Learning to Breathe.
É um disco extremamente radiofônico, mas isso não é uma coisa ruim se o período a que o termo “radiofônico” se refere é a década de 90 ou os preciosos primeiros anos dos 00.
Ouso dizer que Learning to Breathe é o único disco que coloca Switchfoot no hall de dignidade do post-grunge.
Ficha:
Disco: Learning to Breathe
Artista: Switchfoot
Ano: 2000 (Setembro)
Gravadora/Selo: Re: Think
Lista de músicas:
- "Dare You to Move"
- "Learning to Breathe"
- "You Already Take Me There"
- "Love Is the Movement"
- "Poparazzi"
- "Innocence Again"
- "Playing for Keeps"
- "The Loser"
- "The Economy of Mercy"
- "Erosion"
- "Living Is Simple"
Video (Dare to Move + You Already Take Me There):
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by Thiago Bomfim
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Entrevista com o Jon Foreman da banda Switchfoot: justiça social, cinismo e fé
Como promessa é dívida, eis aqui a entrevista, um pouco atrasada, do Jon Foreman à Relevant Magazine.
O caminho do sucesso mudou a música da banda e definiu o foco.
“Um cínico é apenas alguém com um coração machucado,” diz o vocalista do Switchfoot, Jon Foreman, como se isto fosse um lema. “As circunstâncias te destroem e a resposta mais fácil para isso é destruir alguém junto.” É uma declaração que, ao mesmo tempo, mostra sua desaprovação e compreensão para com os críticos que tentam menosprezá-lo junto com sua banda.
Foreman é um enigma. Sentado no chão do trailer da banda antes de um show, ele é simpático e disposto a conversar, mas cauteloso, ainda que esteja exausto. “No meu caso, acho que há muitas coisas que aconteceram e que me deixaram cínico, até em relação a entrevistas,” ele diz rindo e olhando para cima brincando (ou não).
“Parece que…, ‘Por que nós damos entrevistas, qual é a de tudo isso?’ … Quando eu entro num palco ou concedo uma entrevista tento manter em mente o fato de que estou aqui para servir as pessoas. Se elas quiserem ouvir o que eu disse e aplicar, isso será um honra; se não quiserem, já não é da minha responsabilidade.
“Mas a questão central disso não sou eu. Se você se apresenta ao mundo vestindo um avental de servo, você poderá ir a lugares que não iria usando a coroa de um rei.”
Antes e depois
Atualmente na Atlantic Records, o Switchfoot lançou em novembro o seu sétimo álbum de inéditas, Hello Hurricane, o primeiro trabalho de músicas novas após três anos. O lançamento revela um novo lado do Switchfoot, que mantém o rock espiritualizado voltado para os velhos fãs e, mais importante, para eles mesmos.
“Eu levei esse disco com o seguinte pensamento: ‘Vocês gostariam de morrer cantando quais músicas?’” Conta o vocalista. “Todos nós já tivemos momentos incríveis no palco tocando músicas que, melodicamente, são agradáveis. Foi uma questão de se aprofundar numa busca para descobrir quais são as músicas que queremos cantar pelo resto de nossas vidas.”
Foreman brinca dizendo que, no início, fazer música era só uma questão de entreter a si mesmo e os amigos enquanto tentava passar de ano na faculdade e, ironicamente, foi a música que o levou a decisão de trancar a universidade. Hoje a sua visão da banda evoluiu.
“Acho que há diferentes maneiras de evoluir o modo como nos relacionamos com a música,” declara. Ele considera que a primeira turnê foi o momento em que a visão deles com a música começou a tomar forma. “Nós tocamos pelo mundo e as pessoas realmente estavam ouvindo o que tínhamos a dizer. Então pensamos, ‘Vamos procurar bem dentro de nós, na política, e na atmosfera espiritual para encontrar assuntos sobre os quais escrever ao invés de sair falando o que der na telha.’
“Penso que isso foi uma transição,” continua. ”Quando fomos contratados pela gravadora Columbia lembro-me que tínhamos objetivos diferentes. Sentamo-nos naquele estúdio de hip-hop que estava mixando um disco e havia cheiro de maconha por toda parte. Estávamos apenas procurando um lugar em que pudéssemos nos focar sem distrações, e lembro-me claramente de dizer: ‘OK, nós queremos ser sal e luz do mundo, pra todo mundo.’
“A segunda parte foi a revolução de ‘ser,’ acompanhada da idéia de que não há uma revolução do ‘fazer.’ Sei que o "fazer" é uma parte do processo, mas ele é gerado no interior, transcende o ato de forçar que os outros aceitem suas idéias. E daquele momento pra frente, acho que os horizontes se ampliaram, e passamos a nos preocupar menos com que os outros pensam e nos focamos em ter certeza das escolhas que fazemos .”
Rótulos e justica
Há algo a ser dito sobre a longevidade da banda. Nos últimos seis anos, a banda cruzou a intransponível linha que existe entre a música cristã e o mainstream, enquanto se movia dentro de um emaranhado de burocracia de uma grande gravadora numa época em que a indústria musical continuava desmoronando. Apesar disso tudo, o Switchfoot conseguiu manter a mesma formação desde o seu início em 1996. “Nós não estaríamos tocando por aí se não tivéssemos esse vínculo de amizade que temos,” Foreman confessa.
O rótulo de “banda cristã” sempre foi um tema desconfortável para Jon Foreman. O Switchfoot chegou até mesmo a rejeitar a participação em festivais cristãos, por um curto período, depois de ganhar o disco de platina 2003 com o disco The Beautiful Letdown.
“Minha opinião sobre o fato de sermos ou não uma banda cristã é de que esta não é uma coisa que nós decidimos, já que as pessoas nos chamarão do que elas quiserem nos chamar,” declara Foreman. “Eu só acho que não assino embaixo desse rótulo.”
“Exploramos a nossa fé e a tornamos em uma mercadoria,” completa. “E é por isso que eu tenho uma cisma com isso tudo. O verdadeiro motivo do rótulo parece ser esse, na minha opinião.”
Rótulos à parte, Foreman tem várias opiniões sobre o que é ser uma banda cristã, especialmente no tocante à justiça social.
“Eu sonho com todos se envolvendo com justiça social. ‘A quem muito é dado, muito é pedido,’” cita. “Só o fato de estar em solo americano significa que você é parte dos 98 por cento mais sortudos (ricos) do mundo; nós temos sapatos, calças jeans, cuecas limpas, e a oportunidade de tomar banho com água limpa. São coisas sobre as quais você nem se liga.”
Para Foreman, esta é a motivação que o faz lutar contra o cínico interior.
“Eu, se não acreditasse no amor de Deus, me tornaria um homem muito cínico. Acho que nem estaria vivo mais, não haveria nada que fizesse a vida digna.”
Ele também fala sobre sua perspectiva em relação a ativismo, questões de justiça e até mesmo a mudança do foco das músicas. “Passei por momentos em minha vida em que fui ingênuo a ponto de pensar que poderia mudar o mundo. É um sentimento incrível o momento em que você percebe que o negócio é mais embaixo.”
“Acredito, sobretudo, que toda essa jornada leva-nos a fé em Deus. Se esta divindade criou os céus e as estrelas e ainda assim se preocupa comigo, logo, se eu abrir mão de mim por Ele, há uma esperança além de qualquer esperança de que eu irei encontrá-lo por conta própria. Eu tentarei alcançar as coisas que quero por meio da minha música que significa muito pra mim, mas, em contrapartida, isso será feito com a única intenção de estar aproveitando e amando cada segundo de minha vida.”
Traduzido por Thiago Bomfim
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 4º – Derek Webb – Mockingbird
Derek Webb deve ser o nome mais repetido desse blogue que, a todo custo, se esforça para divulgá-lo como alternativa a outras gringaiadas que fazem a cabeça do povo. Então, pra variar, vamos a mais uma sessão de rasgação de seda.
Mockingbird é um disco perfeito saído de um conjunto contraditório: melodia suave para ideias incômodas. E incômodo é a palavra mais adequada para este disco e para este cantor: não é possível ouvir Webb sem concordar com ele por completo e, consequentemente, sentir-se um lixo ou, ao contrário, enxotar sua música como se ela fosse a coisa mais abominável e injusta que já se ouviu.
Em várias vezes, enquanto ouvia esse disco, pulava faixas como Rich Young Ruler pelo desconforto que causava, sendo dotada de uma ideologia que, à primeira vista, parece apenas política, mas que é na verdade uma vontade gigantesca de aplicar o reino de Deus ao pé da letra.
Em outro campo Mockingbird merece inúmeros méritos: o da linguagem. Pouquíssimos discos bebem na fonte do sarcasmo de modo tão ávido como este. Ao desavisado este disco pode parecer um odioso propagar de ideologias subversivas, quando na verdade ele é um púlpito de essências de vida cristã, só que ditas, quase sempre, ao contrário por meio do velho e bom recurso chamado ironia.
Melodicamente o disco é extremamente suave, já que de choques estão fartas as letras: piano sobreposto a um violão discreto e cordas vergonhosas com aparição esporádica.
Ficha:
Disco: Mockingbird
Artista: Derek Webb
Ano: 2005 (Dezembro)
Gravadora/Selo: Integrity Media
Lista de músicas:
- "Mockingbird"
- "A New Law"
- "A King & A Kingdom"
- "I Hate Everything (But You)"
- "Rich Young Ruler"
- "A Consistent Ethic Of Human Life"
- "My Enemies Are Men Like Me"
- "Zeros & Ones"
- "In God We Trust"
- "Please, Before I Go"
- "Love Is Not Against The Law"
Video (minha tradução da música A New Law):
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 5º – John Reuben – Word of Mouth
Falar de atualidades é normal, todo mundo faz isso todo dia no Twitter e no Facebook. Agora prever uma novidade, uma tendência, e tirar sarro dela antes de todo mundo é pra poucos. Um dos tais poucos é John Reuben.
Quando o hype da internet ainda era blogs, nem se sonhava com Twitter, e as redes sociais estavam começando a dar os primeiros passos trôpegos, Reuben já caçoava desse papo de marketing boca a boca.
Além da atualidade dos temas, John Reuben superou tudo aquilo que algum cristão já fez em termos de hip hop, indo muito além do “put your hand up and praise”.
E acreditem ou não, Reuben foi um dos poucos músicos que, na época, me chegou por vias não cristãs: meu primeiro contato com ele foi no blog do Fábio Seixas, o rapaz do Camiseteria.
Ficha:
Disco: Word of Mouth
Artista: John Reuben
Ano: 2007 (Fevereiro)
Gravadora/Selo: Gotee Records
Lista de músicas:
1. Sing It Like You Mean It
2. Trying Too Hard
3. Make Money Money
4. Focus
5. Word of Mouth
6. Miserable Exaggeration
7. Universal
8. Curiosity
9. Cool the Underdog
10. Good Evening
Video (clipe Word of Mouth):






