Duas salvações, uma única vida

Eu acredito no evangelho que considera a salvação que nos é apresentada fora do plano sobrenatural. Esta que nos permite viver uma vida melhor aqui na Terra. E este “melhor” não está de acordo com os padrões desse mundo, na verdade os contraria em boa parte dos casos. O melhor às vezes pode significar abrir mão de algum conforto em prol da dignidade do próximo.

Entretanto, não se deve considerar única a salvação que começa com o estilo de vida que levamos na Terra. Devemos sempre lembrar do nosso refúgio eterno, de que temos pouca certeza, mas muita esperança.

Se tivermos em mente as duas possibilidades, a vida será prazerosa o suficiente para nos proporcionar o mínimo de vontade de continuá-la e, por outro lado, não será tão graciosa a ponto de trazer esquecimento do nosso possível futuro lar.

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:) Esse é Jesus: a um Nicodemos que pensava apenas no aqui e agora, ele mostra a necessidade de transceder. Àquela que acreditava na ressurreição do último dia, ele mostra que as coisas podem ter vida aqui e agora.

Que Jesus nos salve de termos o coração totalmente lá, indiferente as coisas daqui, ou o coração totalmente aqui, indiferente as coisas de lá. Seja lá onde lá for.

“A idéia por trás de toda esta espiritualidade negativa é algo realmente proibido aos cristãos. Dentre todos os homens, justamente eles não devem conceber a alegria e valor espirituais como coisas que precisam ser resgatadas e ternamente protegidas do tempo, lugar, matéria e sentidos. O seu Deus é o Deus do trigo, do óleo e do vinho. Ele é o alegre Criador, que se tornou Ele mesmo encarnado. Os sacramentos foram instituídos. Certos dons espirituais só nos são oferecidos sob a condição de realizarmos certos atos corporais. Depois disso não podemos ter, na verdade, dúvidas quanto às suas intenções. Recuar de tudo que pode ser chamado de natureza, para dentro da espiritualidade negativa, é como se fugíssemos dos cavalos em vez de aprender a montar. Em nossa presente condição de peregrinos existe espaço suficiente (mais espaço do que a maioria de nós aprecia) para a abstinência e a renúncia, assim como a mortificação de nossos desejos naturais. Mas, por trás de todo ascetismo a idéia deve ser: “Quem irá confiar-nos a verdadeira riqueza se não formos fiéis nem mesmo com a riqueza que perece?” Quem me confiará um corpo espiritual se não posso controlar sequer um corpo terreno? Esses corpos pequenos e perecíveis que temos agora, nos foram dados como os pôneis são dados aos meninos. Devemos aprender a manejá-los, não porque venhamos algum dia a ficar de todo livres dos cavalos, mas para que possamos algum dia montar sem sela, confiantes e alegres, aquelas montarias maiores, aqueles cavalos alados, brilhantes, que fazem tremer o mundo, que talvez mesmo agora nos esperem com impaciência, escarvando e resfolegando nos estábulos do Rei. Embora esse galope não valesse coisa alguma a não ser que fosse um galope com o Rei; mas de que outro modo, desde que Ele reteve seu próprio cavalo de guerra, poderíamos acompanhá-lo?” C.S. Lewis

(lembrei desse trecho de manhã, me parece apropriado a seu texto)

Walter, de onde é esse trecho?

Milares. Perdoe minha imprecisão bibliográfica.

Milagres. Perdoe minha imprecisão ortográfica agora.

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