Ecos da internet

Dog and BoneEstou querendo ler, ouvir, ou assistir alguma novidade, e tem sido demasiado difícil realizar tal atividade. A internet, com o “advento” das redes sociais, faz eco de qualquer informação com a ajuda de uma “personalidade virtual” que possua um número considerável de seguidores no Twitter. Se eu leio alguma coisa no microblog, já posso esperar ver o mesmo conteúdo daqui a alguns minutos no Facebook, no Google Buzz ou no e-mail. E por ser informação gerada pelo meu ciclo de convivência, com gostos bem semelhantes aos meus, provavelmente eu não vou me incomodar ao receber os itens compartilhados.

Até o jeito que ouvimos música hoje é extremamente limitado. Acredito na utilidade de recursos como a Last.fm, ferramenta que, ao meu ver, é genial em sua proposta de recomendar. Mas esta rádio via web é bastante limitada em nos oferecer aquilo que está fora da nossa “cápsula de preferência”, em nos proporcionar algo que nos afaste daquilo que certamente nos agrada.

Vivemos numa órbita comportamental que a internet só ajuda a manter em perfeito estabilidade, pois nela é vetado o afastamento do ciclo das recomendações, é proibido a distância daquilo que não nos trará choque. Diria que a nossa dieta cultural não nos oferece nada além daquilo que nós queremos.

Por exemplo: ontem fui escolher um filme para assistir. Gosto muito de Clube da Luta e fui no IMDB ver as recomendações de títulos semelhantes para amparar minha escolha baseada nesta preferência. Acabei escolhendo Zodíaco. As chances de eu gostar deste filme são altas, mas as chances de eu me surpreender com algo alheio ao meu universo são praticamente inexistentes.

Para uma pessoa ligada em recursos da internet, existe uma cápsula anti-decepção quase impenetrável, graças aos sistemas de recomendação e estrelinhas que usuários como nós espalham por aí na avaliação de consumíveis culturais. Contudo, numa cápsula onde você só pode dizer “Like”, as chances de se surpreender são remotas, ou até nulas.

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