Parece que o mundo precisa de um rótulo gigantesco que te inclua numa categoria segura de pessoas. Eu mesmo uso os rótulos.
Mas uma coisa complicada de rotular é uma ideologia, porque, no instante em que o rotulado desvia um centímetro da convicção que diz ter, uma centena de dedos se viram para apontá-lo.
Lembro que nas eleições de 2010 a fortuna de Plínio de Arruda, segundo candidato com maior patrimônio da candidatura, foi usada por alguns para desmerecer as suas convicções socialistas.
Uma centena de portas podem se abrir ou fechar no instante em que você limita a sua identidade a uma categoria. Fumante, cristão, professor, alcoólatra: dependendo do contexto, cada uma dessas designações podem te incluir ou te excluir.
Eu há algum tempo já me sentia desconfortável com o rótulo de cristão, tanto que resolvi excluir essa denominação da lista de coisas que me definem. Isso abriu portas para conhecer pessoas interessantes, mas poderá criar – e vai criar – barreiras e estranheza entre amigos e conhecidos antigos e, certamente, com os meus familiares.
No instante em que abri mão de uma limitação, acabei me tornando mais tolerante. Triste é que, ao mesmo tempo, vi o mundo olhando com intolerância a minha indefinição de fé.
A banda Pedro The Lion conta uma história parecida na música “Suspect Fled the Scene” – grifos meus.
Old friend,
your horse is ready to ride when morning comes.
From this church town,
where damning rumors drip from holy tongues.It wont go away.
It wont go away.
It wont go away…The fever to find a scapegoat fast and fix the blame.
I know, you never meant to leave the way you came.It wont go away.
It wont go away.
It wont go away…Lookin down from there stained glass steeple.
They’ll never know why you had to run.Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…
Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…
Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…
Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…