Definindo a minha religião

Abraço de UrsoParece que o mundo precisa de um rótulo gigantesco que te inclua numa categoria segura de pessoas. Eu mesmo uso os rótulos.

Mas uma coisa complicada de rotular é uma ideologia, porque, no instante em que o rotulado desvia um centímetro da convicção que diz ter, uma centena de dedos se viram para apontá-lo.

Lembro que nas eleições de 2010 a fortuna de Plínio de Arruda, segundo candidato com maior patrimônio da candidatura, foi usada por alguns para desmerecer as suas convicções socialistas.

Uma centena de portas podem se abrir ou fechar no instante em que você limita a sua identidade a uma categoria. Fumante, cristão, professor, alcoólatra: dependendo do contexto, cada uma dessas designações podem te incluir ou te excluir.

Eu há algum tempo já me sentia desconfortável com o rótulo de cristão, tanto que resolvi excluir essa denominação da lista de coisas que me definem. Isso abriu portas para conhecer pessoas interessantes, mas poderá criar – e vai criar – barreiras e estranheza entre amigos e conhecidos antigos e, certamente, com os meus familiares.

No instante em que abri mão de uma limitação, acabei me tornando mais tolerante. Triste é que, ao mesmo tempo, vi o mundo olhando com intolerância a minha indefinição de fé.

A banda Pedro The Lion conta uma história parecida na música “Suspect Fled the Scene” – grifos meus.

Old friend,
your horse is ready to ride when morning comes.
From this church town,
where damning rumors drip from holy tongues.

It wont go away.
It wont go away.
It wont go away…

The fever to find a scapegoat fast and fix the blame.
I know, you never meant to leave the way you came.

It wont go away.
It wont go away.
It wont go away…

Lookin down from there stained glass steeple.
They’ll never know why you had to run.

Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…
Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…
Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…
Ride as fast as you can, they’re shootin to kill…

3 Comments

Filed under Educação, Eventos de doutrina, Livraria, Política, Religião

  • http://twitter.com/Beafe Felipe Medeiros_Bife

    O caminho não tem “checkpoints”. Vai muito além de símbolos e ícones. Costuma-se limitar a espiritualidade as versões da religião dos profetas, no entanto, quando se atinge a sua consciência, se pensa mais alto, e aí… comunga-se o amor de Deus em todas as partes, sem que nosso cérebro procure um caminho de simbologias já conhecidas e manjadas recheadas de dogmas e preconceitos.

    • http://melivro.com/ Thiago Bomfim

      Mano achei isso chique demais. Bonito mesmo… Na primeira lida pareceu só pompa, mas é bonito mesmo.

      • http://twitter.com/Beafe Felipe Medeiros_Bife

        Pois é. É muito difícil tomar essa atitude e admiro essa maturidade espiritual. Porque nos ensinaram que segurança é se guardar dentro de casa(religião), com sistema de alarme e tudo mais, entretanto, caminhar sem medo na favela(no desconhecido), é ser maduro. Você muda a realidade ao seu redor quando abrange a espiritualidade a toda existência. Os que se afastaram de ti, não serão mais os mesmos – pelo seu exemplo.