Comecei a ler um livro sobre religiões que atende ao meu nível de conhecimento atual (leigo/burrão pra cacete): O livro das religiões, de Jostein Gaarder. O objetivo do manual é descrever panoramicamente o perfil das principais religiões mundiais.
Argumenta-se, e os fatos estão aí para confirmar, que a religião pode ser um malefício à tão sonhada paz e união, uma vez que a fé tem sido estopim para guerras e intolerâncias recíprocas entre povos que habitam até mesmo uma nação em comum.
Mas o curioso é que, ao ler um pouco que seja sobre as outras religiões que não a sua (incluindo o ateísmo), percebe-se que as diferenças entre os modos de pensar são insignificantes perante as coincidentes semelhanças.
No capítulo do livro em que se detalha as características do budismo não pude deixar de fazer uma relação com a história do príncipe Sidarta Gautama, fundador da filosofia budista, à trajetória da minha segunda figura preferida do cristianismo: Francisco de Assis. Na minha opinião, este santo merecia mesmo um lugar no cânone bíblico, mas a história dele é de um radicalismo econômico e de uma rebeldia insustentável para o cristianismo de hoje.
Assim como o santo, Sidarta era detentor de posses, membro de família abastada. Francisco de Assis ignorando os projetos da família e o futuro de segurança, abandonou os familiares e começou a fazer uma peregrinação pelo mundo. Ambos tiveram uma iluminação à certa altura da vida em suas andanças, depois de aproveitar os prazeres que a fortuna lhes permitia, e, a partir desse momento, abandonaram tudo para uma vida de ascetismo e propagação da mensagem que acreditavam ter entendido.
Há outros detalhes que fazem das duas histórias uma coincidência impressionante. Recomendo a leitura de ambas.
E quais as implicações de tais semelhanças entre as duas trajetórias? O cético pode argumentar que o caráter fictício das histórias são comprovados com tal coincidência. Ou seja, são apenas lendas. Mas pergunto: não se pode pensar que a proximidade dessas duas narrativas não reforçam ainda mais a raiz transcendente dos dois ensinamentos?
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