Furo MTV, Kassab e Dilmão

Humor é uma coisa difícil. Estava a assistir o Casseta & Planeta que, assim como a carreira do RPM, só volta quando ninguém estava sentindo falta e nem ao menos sabendo que tinha acabado, notando como o programa tem tudo, menos graça.

E olha que, tirando o elenco já batido, o time que integra o Casseta inclui nomes como Allan Sieber e já contou até com Arnaldo Branco como roteirista: ambos jovens e já consagrados pela fuga do lugar comum da comédia televisiva do Brasil que, com raras excessões, é uma piada de mau gosto.

Não sei se sou chato – provavelmente sou – mas é bem custoso arrancar um riso de mim e de o monte de gente, se o único recurso que você tem é uma fantasia de espuma ou uma dentadura caricata para caracterizar uma presidente. O riso fica ainda mais difícil se a tal presidenta estiver dirigindo um metrô e terminando suas frases com um bordão qualquer.

Mas, como diria José Serra, “dá pra fazer” muito com pouco, basta buscar uma coisa essencial ao humor: a graça. E isto não é questão de elenco, pois dá pra gente rir bastante com um Didi Mocó dos anos 80 e quase chorar de dor e tristeza ao vê-lo acendendo extintores no set de gravações em pleno século XXI. A prova definitiva que humor não depende muito da atuação está no próprio Bento Ribeiro que, apesar de não ter graça nenhuma, tem arrancados risos e dentaduras de muitas mães, tias e avós desse Brasilzão.

E, antes de escrever qualquer coisa como especilista de mídias sociais, vou apenas postar um vídeo de um dos grandes momentos do Furo MTV.

É um programa impressionante não pelos apresentadores, que apesar de serem hilários, tem os seus altos e baixos. O diferencial do Furo é o fôlego para fazer piada de segunda quinta, com assuntos que passariam batidos à qualquer riso. O programa é a versão evoluída de José Simão – já obsoleto nas piadinhas matinais da Ilustrada.

Quem no país da piada pronta é capaz de fazer piada sobre a própria piada, sem a recorrência a trocadilhos infame – a não ser que propositalmente numa autodepreciação das próprias limitações do pograma – merece o título honroso e raro de “engraçado”.

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Não há escolha

TrainA vida está sob nossas mãos, incondicionalmente. Todo o resto é obstáculo ou facilidade aleatória, estes sim, completamente fora de nosso controle. Mas a nossa vida, esta sim, é propriedade inalienável.

O que ocorre é que desta vida que em nossas mãos está, podemos fazer pouco ou quase nada perante todo o restante de contigências que estão fora de nosso controle. Imagine só que uma ordem do governo pode te obrigar a sair da sua casa pelos mais diversos motivos, seja porque sua casa está em um lugar perigoso ou, ao contrário, sua casa está num lugar por demais seguro. Ou porque simplesmente a autoridade diz que a sua casa atrapalhará a passagem do trilho de ferro do progresso. E não há nada que represente melhor a dureza do progresso do que o ferro: inflexível, resistente, implacável na sua fome de se arraigar ao pedaço de terra que desejar.

É pena que o coração não seja feito deste material, pois estaria um pouco imune à implacável e cruel aleatoriedade da vida. Sofreria sim, mas só os danos físicos, e não aqueles que afetam a mente. Ou já vistes um trem inteiro parar de circular simplesmente por conta de um arranhão em seus trilhos?

Não há, assim, de parar o coração simplesmente por conta de uns rasgos pequenos que a vida forja grosseiramente na sua história. história assim, e não História, uma vez que a insignificância e o anonimato são as únicas coisas certas da breve passagem do seu vagão pelo trilho do Universo. Universo que nada. Pelo trilho da estação do seu país. Menos ainda, do seu bairro. Quiçá, da sua casa. Sonhemos, do seu quarto. Mas certamente, do seu frágil coração, abrigado na melindrosa capa do seu corpo.

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Eu sofro mais que todos

Eu não ando gostando de muitas coisas na minha vida. Não há nada que eu leia que possa me convencer que a vida é bela ou que alguém num plano superior e sobrenatural está me amando, como dizem por aí as religiões.

A vida é uma crueldade sem limite, e embora tal crueldade se manifeste nas imagens mais terríveis, como naquelas de crianças desnutridas em um país outrora dito de “Terceiro Mundo”, e que hoje, politicamente correto e embelezado, rotulamos de emergente, a cruel realidade também se manifesta no cotidiano a que estamos acostumados.

Quando considero as proporções das arguras e dos danos, os sofrimentos de alguns são infinitamente maiores que os meus. Mas os meus, só eu os sinto. E não há altruísmo que nos faça dizer que o sofrimento do próximo dói mais que o nosso sofrer.

É egoísta, mas é dolorosamente verdadeiro.

Ai que vida

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Ídolo

Eu estou prometendo há um tempinho voltar a escrever, mas não tá dando. Tudo o que eu tenho pra falar é inefável no momento e obscuro demais até pra mim. Não! Não tive experiências com Satanás nem entrei em seitas esquisitas.

Eu ando meio que organizando umas louquices na minha cabeça, pois por pouco não faço besteira. É um momento bem egoísta, confesso. Notem que minha militância política anda um pouco atenuada e minha neura anti-religiosa anda com a força de um Sansão escalpelado.

Mas amigos, eu não morri. Estou vivo mesmo. Mais que nunca.

Ando guardando baterias pra voltar à vida das palavras virado no giraia. Não sei porque algumas pessoas acham que eu deveria dizer algumas coisas. Não sei mesmo. Sei que levo em conta o que elas acham de mim e vou me manter no altar engando-as por um tempo, fazendo-as pensar que sei de alguma coisa, quando nem sei onde estão minhas chaves agora e nem como vou pagar todas as contas.

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As 20 melhores músicas brasileiras (ou feitas por brasileiros) em 2011

Top 20 brazilian songs in 2011 from thiagobomfim on 8tracks.

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