Notas: Arte com assinatura de Deus por C.S. Lewis

Há um sentido em que todos os agentes naturais, até mesmo os inanimados, glorificam a Deus continuamente, revelando os poderes que Ele lhes deu. E nesse sentido nós, como agentes naturais, fazemos o mesmo. Nesse nível, os nossos atos iníquos, no sentido em que eles exibem nossa perícia e força, pode dizer-se que glorificam a Deus, tanto quanto nossas boas ações. Uma peça musical executada com excelência, como operação natural que revela um grau alto dos poderes e habilidades dados ao homem, desta forma sempre glorifica a Deus, seja qual tenha sido a intenção dos executores.

C.S.Lewis, no capítulo “On Church Music”, do livro Christian Reflections.

Copiado daqui.

Minha (des)Esperança 2010: Marina Silva

Derek Webb é um artista que me impressiona de várias maneiras. Vê-lo, por meio da música, expressando mensagens tão diferentes é inspirador. Não é daqueles que se encerram num único estilo, por isso podemos, ao mesmo tempo, chamá-lo romântico, ativista, ou cético.

E ceticismo é uma das marcas mais fortes na arte desse compositor. Mas não é o ceticismo absoluto, na verdade está mais para negação dos valores do homem moderno, que é como um câncer para a utópica visão de vida ideal, baseada em valores de cristianismo – puro e simples – pregados por ele.
 
A descrença de Derek Webb é ainda mais forte quando o assunto é política. Em várias músicas, como em Rich Young Ruler, ele declara a falência do atual sistema, convidando-nos a um estilo de vida radical, que pede que “se venda a nossa casa, o utilitário esportivo, o gado, o seguro, e que isso tudo seja dado ao pobre”.
 
Noutra canção, The State, ele fala sobre as leis do Estado em oposição às leis que “estão escritas em nosso coração”. É uma crítica do “casamento” da igreja aos propósitos eleitoreiros, prática extremamente vantajosa e estimada atualmente.

Para quem não sabe, enquanto a ala liberal da igreja americana depositava a esperança em Obama, Webb apelava para que as pessoas não votassem apenas pela motivação de escolher o “menos ruim”.
 
Pena que não temos um profeta como este no Brasil, para criticar as alianças esperançosas que criam por aí para a promoção de Marina Silva à futura presidência do Brasil. Não confundam as coisas: não creio que senhora Silva seja uma pessoa má, de intenções corruptas, de passado duvidoso. Na verdade estou apenas incentivando a descrença, pois os sonhos tolos que se apóiam num determinado líder, sujeito a todos os mesmos desvios de conduta que qualquer mortal, devem permanecer assim como estão: na imaginação.
 
E em que forma de governo eu acredito? Numa que independe dos sistemas, do Estado, que brota do nosso coração, sem necessidades de contratos ou de votos. Ouvi dizer que a isso chamam amor.

Me Livro: um livro na internet, no iPhone e no computador

Há algum tempo planejava criar um espaço exclusivo para a publicação de ficção. Consumando a idéia, coloquei na internet o Me Livro.

O que significa Me Livro? Deixo-vos aqui um trecho da página “Sobre” do blog que explica o trocadilho usado no nome e na url do novo blog:

O domínio e nome do blog é um trocadilho com as palavras Me e Livro. Sendo um substantivo, livro significará o objeto com páginas, capa e texto. Como verbo, a palavra adquire o sentido de liberdade, de desvinculação de uma tradição ou rotina entediante e opressora, como a publicação tradicional de literatura. O Me é uma palavra muito comum e, em vários idiomas, está ligada à primeira pessoa do singular. O monossílabo destaca a liberdade de expressão, a capacidade de possuir sem ter que dispensar quantias injustas de dinheiro.

Além da página de internet o Me Livro será publicado nos seguintes formatos:

  • ePub (iPhone, iPod e outros leitores eletrônicos)
  • Arquivo PDF (Disponibilizado na primeira semana do mês)
  • Por e-mail
  • Por Feed/RSS

Espero que apreciem esse espaço mais zen.

Por que eu vou aos lançamentos de livros?

Mia Couto Antes de Nascer o Mundo Capa Cover Estive hoje no lançamento do novo livro de Mia Couto, escritor de um país com 11 livrarias: Moçambique. Imagino os tipos de pensamentos que os leitores da Livraria nutrem a meu respeito, quando me observam noticiando as minhas idas a esses locais: “uma verdadeira tiete de escritores, maria celulose!”.

Em primeiro lugar, preciso esclarecer que esses eventos high end user são raríssimos na minha agenda de peão e estudante de Letras. Lembro-me só de dois: Saramago e o de hoje. Depois, preciso deixar bem clara a minha atitude perante essas pessoas que escrevem livros: não vejo nada de superior neles. Seu talento é encarado por mim apenas como uma dedicação imensa ao ato de escrever, que para alguns geram bons frutos e para outros apenas bons lucros.

Entretanto, visitas a lançamentos de livros são úteis para que eu reafirme o verdadeiro lugar desses escritores: o de homens. Mia Couto hesita, pensa, erra. Juro que, da segunda fileira de onde ouvia a entrevista, parecia que era feito de carne e osso. O branco que muitos escritores dizem ter, visitou a fala mais que às folhas. Toda a visão de ícone que porventura possa ter criado acerca da genialidade de um fazedor de livros se desfaz quando tenho a oportunidade de ouví-lo.

Podes pensar que desprezo o talento para o romance moldado no escritor, mas não é disso que falo. Cabe ainda mais a congratulação, posto que de material humano provenha excelente arte. Porém, não me verias numa fila de autógrafos, tanto pela fadiga, quanto pela inutilidade do ato.

Mas qual a diferença entre receber o autógrafo e ouvir a palestra? Na primeira atitude cria-se um deus, consciente de seu poder, riscando sua criação com letras horrendas. Na outra situação ele é um homem sem qualquer poder, mas com toda a espontaneidade de um criador.

Devo dizer que Couto é espirituoso e consegue simpatia de leitores com facilidade. Como naquelas avaliações que fazem do risco-país, concluo que, numa primeira impressão, o artista moçambicano me deu bons motivos para investir num de seus títulos.

Um comentário breve de Mia Couto no meu canal do YouTube:

Compre o livro Antes de Nascer o Mundo de Mia Couto.

Devemos ter muito cuidado ao criar deuses, pois os poucos que temos, verdadeiros ou falsos, já nos trazem problemas e apuros demais.

7 erros: Radiohead e Third Day

Preciso ouvir o disco do Third Day para ver se há alguma relação. Mas rola uma desconstruçãozinha aí pelo jeito.

Third Day é uma característica banda do mercado cristão e Radiohead a principal voz da incerteza na música.

Radiohead – Hail to the Thief

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Third Day – Revelation

hailtothird

Obs: tente formar sequências com as partes laranjas da primeira capa (Radiohead).

A manifestação natural do espiritual

Na verdade, enquanto buscamos o espiritual explícito, podemos encontrar muito mais carnalidade do que imaginávamos.

Essa frase é do meu amigo, Luís Fernando e me incomodou muito já faz algumas semanas. É simples mas diz muita coisa.

Não me conformo ao ver pessoas buscando o sobrenatural como uma direção ou manifestação de um ser superior sendo que as verdadeiras manifestações espirituais são naturais e cotidianas. A inocência de uma criança: quer uma manifestação melhor que essa ? E a sabedoria dos velhos ? E o amor de uma mãe para com a sua prole ? E, como bem observou o pastor de jovens Villy, a experiência mística do luar ?  O nascer do sol, uma bela canção…

Há uma explicação científica para todos os fenômenos acima? Sim! Mas, meu caro, isso não desmerece uma experiência de espiritualidade cotidiana.

Todas as suas expectativas devem ser colocadas em uma nova perspectiva, para que o seu encontro divino seja simples. Depende pouco de Deus, aliás ele já fez a parte dele. Abra os seus olhos, esses mesmos que enxergam essas palavras.

The Message

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Canto coisas simples, que alguém contou

Canto a beleza que o olhar notou

Canto o que não via

E o que pra mim se revelou

Canto a alegria, sei pra onde vou

Canto a esperança que não morre

A paz que sinto no meu coração

Banda Crombie