100 discos da década | 10º: Jars of Clay – Redemption Songs

[UPDATE] Liste os seus 10 discos preferidos nos comentários e concorra ao décimo lugar da nossa lista: Redemption Songs da banda Jars of Clay.

Ao listar os 100 discos cristãos da década, uma situação curiosa ficou nítida e quero compartilhar com vocês agora que nos aproximamos do pódio: a música cristã só é boa quando está prestes a romper com o compromisso de ser cristã, ou quando, paradoxalmente, retorna por completo à suas raízes. Um meio termo disso resulta em música ruim.

Para ficar mais claro o que eu quero dizer: uma música feita por artistas cristãos com foco em determinados nichos resulta numa combinação desagradável. Vira um grito de credos, uma mensagem dos excluídos que, mesmo falando só para um determinado gueto, carrega a exigência mesquinha de ser ouvida por todos e para este propósito esquece de ser música e torna-se uma sucessão de ruídos insuportáveis.

Num outro cenário existe música que é feita para relembrar-nos daquilo que há de mais comum e primitivo entre os cristãos: a comunhão da fé que se afirma em princípios básicos como vida eterna, salvação em Jesus Cristo, amor ao próximo, conforto, redenção e esperança. Não há lugar melhor para encontrar esta mensagem da forma mais nítida, simples e poética que já existiu, senão nos preciosíssimos e quase esquecidos hinários.

E é por isso que Jars of Clay está entre os 10 melhores discos cristãos da década que se foi. Até hoje nenhuma releitura de hinos tradicionais foi feita com tanto bom gosto, beleza e critério como se fez em Redemption Songs.

É um disco que traz o sentimento de comunidade de fé/igreja/corpo de Cristo como poucos, tanto pelo repertório, quanto pelos convidados que conferem às interpretações nuances completamente distintas: Martin Smith (Delirious?) – um pioneiro do estilo chamado worship, que seria a onda mais lucrativa do mercado cristão na década passada – Sara Kelly que traz o clima country das tradicionais igrejas americanas e o The Blind Boys of Alabama responsável pelo clima sulista das igrejas de negros dos EUA.

Não tenho qualquer receio do exagero, temeria se fosse injusto ao dizer que este é um disco menor do que “maravilhoso”.

Jars of Clay - Redemption Songs Ficha

Disco: Redemption Songs

Artista: Jars of Clay

Ano: 2005 (Março)

Gravadora/Selo: Essential

Lista de músicas:

01. God Be Merciful To Me
02. I Need Thee Every Hour
03. God Will Lift Up Your Head
04. I’ll Fly Away
05. Nothing But The Blood
06. Let Us Love And Sing And Wonder
07. O Come And Mourn With Me Awhile
08. Hiding Place
09. Jesus, I Lift My Eyes
10. It Is Well With My Soul
11. On Jordan’s Stormy Banks I Stand
12. Thou Lovely Source Of True Delight
13. They’ll Know We Are Christians By Our Love

Vídeo (uma faixa escolhida de acordo com a disponibilidade):

Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (2)

A Million Miles in a Thousan Years - Capa (Cover) Um livro excelente. Não há nada de muito novo, mas Donald Miller faz coisas muito óbvias sobre vida cristã serem muito dolorosas. Ouvimos tudo o que Miller diz todos os dias, mas não ouvimos como ele diz.

Donald Miller simula um relato pessoal quando na verdade está falando da minha história, da minha pequena história.

Estou profundamente agradecido por ter uma leitura dessa à disposição, mesmo que ela me seja tão incômoda.

A presença de Deus parece esmaecida, mas na verdade ela está lá o tempo todo, só que inserida numa realidade que fazemos questão de ignorar.

SPOILER

Can you imagine an informecial with Paul, testyfying to the amazing product of Jesus, sayng that he once had power and authority, and since he tried Jesus he’s been moved from prision to prison, beaten, and routinely bitten by snakes? (…) I think Jesus can make things better, but I don’t think he is going to make things perfect. Not here, and not now.

Confissões de São Thiago

Ano Novo é um momento em que as pessoas se aproveitam do simbólico recomeço para rever as atitudes tentando melhorar alguma coisa. Como este blogue é um adepto dos clichês, assim como eu, não há de fugir a essa regra.

Eu ando contaminado por várias influências erradas do meio cristão: cultura, idéias e bobeiras. E vocês não tem noção de como isso é prejudicial para mim e para vocês que insistem na visita esporádica desse site. Conversava com uma pessoa da minha família que o fato de eu não ir na igreja, além dos compromissos escolares que não poupam nem o final de semana, era o estado de espírito em que me encontrava ao término das reuniões: estava cansado, farto e profundamente irritado com certos desvios de discurso em oposição à prática.

Creio que não é adequado exigir de outros uma conduta impecável. Para ser sincero eu não me irrito nenhum pouco com condutas irresponsáveis, pois a minha funciona dessa maneira. O que me tira do sério é o discurso que exige perfeição vindo de um orador que nem se preocupa com o conceito de “perfeito”. Devo ser justo e dizer que nem todos os casos se enquadram na moldura acima. Testemunhei uma bela exceção na última comunidade que freqüentei, que tinha à frente dela um pastor guiado por uma sinceridade que alguns julgavam extremada.

Entretanto, para uma pessoa como eu, contaminada por uma má disposição, o mais inocente deslize pode despertar uma raiva acumulada de experiências desagradáveis em comunidades cristãs que foram ambientes prejudiciais. Outro fator relevante para a minha indisposição com a comunhão dos santos é o fato de que estive por aí com várias comunhões – não muito santas, é verdade – que me fizeram muito bem. Posso dizer que a graça está por todo canto, no meio da desgraça que é o mundo e a vida.

Isso pode parecer uma bela desculpa de um vagabundo que não está querendo compromisso com igreja e talvez seja exatamente isto. Mas eu penso que é essencial que os leitores daqui estejam cientes da disposição do blogueiro para que não exijam dele algo que ele nunca mencionou que estava à disposição.

Por fim, algo que me desagrada muito é o meu ego que é como espelho do ego de todos nós. Vejo algo que fiz de modo mesquinho se voltando do mesmo modo contra mim de pessoas que até admiro. Não exijo deles outro comportamento: cada um tem a sua consciência transformada pelo Espírito que transcende toda a nossa moral e etiqueta. Há uma opção que é a mais viável e confortável para todos e que só depende da minha vontade: deixar de ouví-los. E foi isso que fiz: exclui do meu leitor uma série de feeds de blogs de cristãos, dei um unfollow em alguns profiles e fiz alguns bloqueios nos comunicadores.

No momento, é provável que alguns já estejam pondo o rótulo de “infantil” neste ato. Podem pensar desse modo, desde que seu pensamento não chegue aos meus ouvidos. Na Bíblia há uma bela metáfora que pede que nossos olhos sejam removidos, se eles nos trazem razão para o pecado. E é isto que estou fazendo: tapando olhos e ouvidos para aquilo que,  ao alcance dos sentidos, pode virar cólera no Thiago. Uma atitude ruim a menos talvez signifique alguma coisa nas contas celestiais que me prometem um tal “galardão”.

Você luta pelo cristianismo?

Pra quem que eu to lutando na verdade? Foi mais ou menos essa pergunta que um amigo fez no meu profile do formspring.me. Fui obrigado a admitir que não era isso o que eu fazia. Lutar pelo cristianismo não é falar mal de uma denominação ou de outra, vociferar poucas e boas de um Malafaia da vida. Não que eles não mereçam, mas é engano pensar que lutar pelo reino é só isso.

É muito fácil pensar que o reino acontece atrás de um teclado, que a vida eterna chega por meio de um blog com a centena de visitantes que aqui caem por acidente, ou pela dezena de amigos que reaparecem por aqui com certa frequência. Agora e o reino que acontece aqui em casa, lá no meu trabalho, onde eu sou, em alguma porcentagem, mais sincero do que por aqui?

Reproduzindo minha resposta do formspring:

Acho que estou incomodado de gostar de ir na igreja mas não me sentir bem nela. E lutar pelo cristianismo não é bem isso: é perdoar meu vizinho por ligar pancadão na maior altura, é gastar menos pra poder ajudar alguém que não pode gastar nada, é ficar calado quando te provocam e raramente eu faço essas coisas. Mas tô tentando mudar há 23 anos.

Derek Webb: Como devemos votar ?

Kassab e Dilma Esse é um texto que o Derek Webb publicou às vésperas – um dia antes, para ser mais exato – das eleições americanas que elegeu o atual e, segundo a opinião de muitos, decepcionante presidente Obama. Há várias coisas que não estão no contexto do voto obrigatório a que estamos submetidos no Brasil, mas que são devidamente aplicáveis num voto nulo, numa justificativa fora do domicílio eleitoral, ou numa brincadeira à cabine eleitoral no feriado de Outubro, ainda mais num previsível segundo turno tucanos contra petistas.

Recomendo a leitura desse texto, que, na minha opinião, é um dos melhores artigos dessa década feito por um cristão, especialmente nesse tópico que é a política. Webb considerou este discurso tão essencial que o distribuiu gratuitamente com o disco Mockingbird Elections Edition, uma edição especial de sua obra prima acompanhada desse discurso lido por ele mesmo.

Como devemos votar então?

Parte 1: Uma breve afirmação no que diz respeito à consciência

Dependendo da época em que você está lendo isso, poderemos estar em qualquer lado de uma das eleições mais memoráveis na história recente do nosso país. Mas isso não importa, tendo em vista que este texto não se refere necessariamente à nossa atual eleição, e sim sobre como viver uma vida política honesta e íntegra. Ainda assim, não há tempo para sábias histórias ou introduções. Vou direto ao ponto: essencialmente, nossos problemas não serão resolvidos por um homem ou mulher éticos na Casa Branca. Não é bem assim que as coisas funcionam. Vivemos em uma democracia, uma forma de governo representativo, em que a nossa responsabilidade de amar e cuidar de nosso próximo é a mesma, senão maior. A mudança verdadeira e duradoura vem de conhecer e amar as pessoas que vivem nas casas ao lado da nossa, ao invés de depositar toda nossa expectativa e esperança na cabine de votação.

Entretanto, isso não quer dizer que não devemos tomar decisões com base em informações ao se envolver com o processo. Pelo contrário: se a sua consciência te permite, você pode até votar. Mais isto é muito complicado, especialmente numa escolha entre dois partidos* (e eu definitivamente não tenho tempo para isso).

Com toda a seriedade, quero ser muito claro nesse ponto: nunca é aconselhável, em qualquer decisão que você faça, violar sua consciência. Isso se aplica à essa eleição em que você poderá ter sérios conflitos morais com ambos candidatos, fazendo com que você se sinta como se estivesse votando de maneira defensiva ou para eleger o menor dos males.

Antes de ir além, deixe-me avisar que este pode não ser o seu caso. Além disso, entre o corpo de Cristo, poderia ser até pecaminoso se chegássemos às mesmas conclusões sobre como amar o nosso próximo melhor, por isso, há plena liberdade para opiniões diferentes sobre este assunto. Mas se estás nessa situação, eu tenho algumas sugestões:

1. Procure na sua bíblia algo que diga que você deve votar.

2. Se você não encontrar nada, ouça o que a sua consciência te diz. É para isso que ela está lá: para ser um guia e um farol vermelho quando você precisa tomar decisões significantes e difíceis.

Veja bem, não estou dizendo que você não deve votar.

Estou dizendo que, se a sua consciência está num conflito muito grande entre dois candidatos, você tem a liberdade de não votar.

Parte 2: Algumas objeções esperadas

Alguns podem dizer que não votar é dar o voto para aqueles que buscam usar o processo governamental com más intenções. Eu na verdade poderia argumentar de maneira completamente diferente. Ao votar, especialmente entre uma ou duas opções, você está dando um ‘sim’ e um ‘amém’ para a plataforma completa de um partido, o que provavelmente vai muito além da afirmação que você tentou fazer. Isto é ainda mais perigoso e menos nítido do que abster-se por completo. Nenhum partido poderá cooptar um voto que não foi dado.

Outros diriam: ‘Jesus disse “Dai a César o que é de César”, logo temos uma obrigação bíblica de voto.’ Claro que Jesus disse isso. Por isso eu pago os meus impostos e tento dirigir dentro dos limites de velocidade. Estas são algumas das leis dessa terra. Mas a minha consciência não pertence a César, por isso não compactuo com ele. César não pode me obrigar a violar a minha consciência. Votar é um direito legal, como carregar uma arma ou fazer um aborto, mas eu posso me abster de fazer qualquer coisa que, mesmo tendo direitos legais para realizar, contrarie minha consciência.

Alguns podem dizer que nós nunca iremos concordar por completo com a agenda ou plataforma política de alguém, desse modo, a espera por um candidato que se alinhe por completo com as nossas opiniões torna o voto impossível. Concordo completamente. Há muitas coisas sobre as quais eu posso discordar com um político que não correspondam necessariamente à uma crise de consciência. Portanto, há compromissos necessários e aceitáveis para o engajamento dentro de um sistema político, mas nunca quando eles passam por cima do cadáver de sua consciência.

Isto me leva à última objeção previsível: os nossos antepassados lutaram e até derramaram sangue para que nós tivéssemos o direito de votar. Mesmo que não haja nada óbvio nessa afirmação com que eu discorde, há um contexto a se considerar. Ainda maior que os sacrifícios dos nossos antepassados foi o sacrifício de nosso Pai celestial, que derramou seu sangue para despertar para ele uma fidelidade ainda maior do que a que damos à nação. Nós temos uma aliança eterna com o nosso Rei e o seu Reino que se constrói em nós e por meio de nós, superando qualquer outro compromisso.

No início da década dos anos 20 do século XVI, Martinho Lutero esteve notadamente de frente à uma assembléia na Alemanha, iniciando aquilo que conhecemos como Reforma Protestante. Em seu lendário discurso, Lutero se expôs à excomunhão e à morte para não trair a sua consciência ao dizer “Ir contra a consciência não é certo nem seguro. Não posso, nem irei me retratar. Eis-me aqui. Não posso fazer outra coisa. Deus me ajude.”

Estas questões de consciência são sérias e devem ser  consideradas. Tenho muitos amigos que estudaram as possibilidades dessa eleição em todos os aspectos e escolheram votar ou em Obama, ou em McCain, ou num outro candidato, e eu os apoio nisso. Reafirmo: somos diversos membros de um só corpo que segue a Jesus. Desconfiável seria se todos chegássemos às mesmas conclusões para problemas tão complexos. Novamente: talvez não haja conflitos de consciência para você nessa eleição, com todas as opções disponíveis. Mas se existe, sinta-se livre para não votar.

Nossa maior esperança não está nos políticos, nos poderes, ou no governo, mas num dia que virá para consertar todas as coisas. Nossa principal preocupação não é o sucesso, mas a fidelidade. Logo, se você acha necessário se abster do voto nessa eleição porque isto seria uma traição para a sua consciência, seja livre para permanecer fiel deixando a preocupação do sucesso e resultado para Deus. Ele, afinal de contas, foi quem criou os governos.

Não acredite nesse engodo de igreja

Este é um aviso para qualquer pessoa que esteja cogitando frequentar alguma igreja por conta de alguma campanha interessante que porventura tenha visto na TV ou na internet. Tire isso da cabeça, para começar. Se foi uma campanha publicitária que te convenceu a freqüentar um recinto religioso você já deve excluir esse local da sua lista de soluções.

Igreja não é uma coisa legal, é entediante, juro, freqüento há 23 anos junto com minha família e só Deus sabe quanto é trabalhosa esse rotina de domingo. Se procuras diversão, vá a um bar, ou ao cinema, ou ao teatro. Garanto-lhe que isso não lhe custará 10% do seu salário, ao contrário daquilo que lhe demandaria uma visita à igreja.

Outra coisa: igreja é lugar pra loser. Qualquer imagem que contrarie isso é uma baita mentira. Não há pessoas tatuadas, elas não andam com um Macbook debaixo do braço e não fazem versões de músicas de rock de bandas americanas e australianas. Os caras não andam de pomada no cabelo e as garotas não portam uma sacola retornável, ecologicamente correta. Tudo isso está muito in, por isso você não vai encontrar numa comunidade cristã.

É engodo, leitor, pensar que igreja é coisa fácil, que seguir a Cristo é estar na ribalta, ditando tendências e, numa espécie de corrente do bem, listar os parâmetros para uma vida correta do século XXI. Garanto-lhes, o pessoal do Greenpeace faz isso muito melhor.

Pessoas felizes, roupas legais, músicas contagiantes, iPod no bolso: não, não é uma série do Disney Channel para adolescentes. É a falsa igreja que estão tentando te vender, não caia nesse papo!
 
Sangue no Coliseu, gente estraçalhada por leões, crucificação, homens assados em fogueiras, enfermeiras cuidando de crianças fedorentas contaminadas com AIDS na África: sim, é isso que você vai encontrar no Cristianismo. Depressivos, desempregados, doentes terminais, velhos desdentados, jovens excluídos: é essa gente que frequenta igreja.
 
Não acredite em outra história que não seja essa.