Livraria Pensando Teologia: citação crença deus dúvida fé Fiódor Dostoiévski
by Thiago Bomfim
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Se eu já pensei em “descrer” ?
Toda a minha crença em Deus se sustenta na falta de respostas e na dúvida que eu tenho dele.
Li essa expressão de Fiódor Dostoiévski outro dia e vi que o meu processo de crença se baseia na estupefação que tenho dessa coisa chamada existência, dessa sensação de solidão que tenho todo o tempo: "Que terrível sofrimento me causou, e me causa ainda, a sede de crer, tanto mais forte na minha alma quanto maior é o número de argumentos contrários que em mim existe! Nada há de mais belo, de mais profundo, de mais perfeito do que Cristo. Não só não há nada, mas nem sequer pode haver.".
É assim, meu caro: creio porque tive essa sensação de abismo angustiante entre eu e ALGO MAIS. Creio porque descreio e se descreio com o argumento mais forte, mais se faz necessária a presença de Deus como consolo para a minha tola convicção.
Escrevendo Livros Pensando: a million miles in a thousand years Cristianismo deus donald miller fé Leitura Livros Notas de Leitura
by Thiago Bomfim
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Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (2)
Um livro excelente. Não há nada de muito novo, mas Donald Miller faz coisas muito óbvias sobre vida cristã serem muito dolorosas. Ouvimos tudo o que Miller diz todos os dias, mas não ouvimos como ele diz.
Donald Miller simula um relato pessoal quando na verdade está falando da minha história, da minha pequena história.
Estou profundamente agradecido por ter uma leitura dessa à disposição, mesmo que ela me seja tão incômoda.
A presença de Deus parece esmaecida, mas na verdade ela está lá o tempo todo, só que inserida numa realidade que fazemos questão de ignorar.
SPOILER
Can you imagine an informecial with Paul, testyfying to the amazing product of Jesus, sayng that he once had power and authority, and since he tried Jesus he’s been moved from prision to prison, beaten, and routinely bitten by snakes? (…) I think Jesus can make things better, but I don’t think he is going to make things perfect. Not here, and not now.
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by Thiago Bomfim
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Avatar: símbolos, símbolos e mais símbolos
Este é um filme milionário que consumiu até o talo tudo aquilo que a indústria cinematográfica foi capaz de inventar. Mas não é só isso: James Cameron vai além com uma história muito interessante e pertinente. É daquelas produções que me faz ter esperança de que o dinheiro de Hollywood não termina sempre numa lata de lixo para promover o estilo de vida que andamos mantendo.
A história aborda o tema batido do imperialismo, disfarçado num outro planeta e em outro contexto. Ainda assim, fica claro que a crítica é para o estilo belicoso com que algumas nações do norte conseguem as coisas.
Ainda mais interessante é a oposição clara entre expansão científica e conquista armada: os ambientalistas são sempre os chatos dos filmes, mas em Avatar os nerds mandam.
O melhor foco desse filme está no que diz respeito à espiritualidade. Então vamos lá para mais um clichê de comentário que busca desvendar as metáforas transcendentais nas produções hollywoodianas:
- Neoplatonismo - é uma corrente filosófica, cujo maior representante foi Plotino, em que se acredita na existência de um ser pelo meio do qual todas as demais coisas existem, como se fossem uma extensão dele. Chamam a este ser o Uno (pode ser chamado de Deus). Tudo se conecta ao Uno e existe por meio de sua luz. Na ausência dessa luz existe a escuridão (ou a falta de luz), tudo aquilo que não é iluminado. Em Avatar a presença do deus aparece em todo o planeta Pandora, exceto na parte em que os humanos implantaram o seu quartel general. No filme a divindade é a deusa Eywa. Ela se liga a toda floresta, espalhando sua luz entre os seres que lá vivem, inclusive nos humanóides azulados.
- Espiritualidade primitiva – os fenômenos da natureza, a disposição dos animais, as forças que regem o planeta: tudo é creditado à deusa Eywa. Lembra bem os primórdios da humanidade, com a evidente diferença de que no filme admite-se que os fenômenos, mesmo que explicáveis, possuem sim uma conexão com um ser espiritual.
- Vida após a morte – é bater na mesma tecla do Neoplatonismo que tem lá os seus pontos em comum com o cristianismo. Os nativos humanóides, Na’vi, acreditam que o ato de morrer não é nada além de retornar para a natureza a energia que se obteve dela. Ocorre também uma espécie de renascimento, num novo corpo, aperfeiçoado e conectado com Deus. Já ouviu esta história em outros lugares?
- Conversão - o conhecimento científico é elevado como uma qualidade aperfeiçoada na raça humana. Contudo, a Doutora Grace Augustine, que conduz as pesquisas com os humanóides, se vê obrigada a subjugar o seu conhecimento à uma experiência transcendental.
Há muito mais símbolos interessantes no filme, como o que está no nome do planeta (Pandora), mas deixo essa atividade para outros mais especializados nessas coisas de mitologia.
Fica uma recomendação que segui sem arrependimentos do Thomas McKenzie: vá ao cinema, se puder. Sua experiência assistindo Avatar em casa será muito inferior do que numa sessão em 3D.
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by Thiago Bomfim
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God Hates The World
Sabe aquele pastor para quem Derek Webb provavelmente fez a música Freddie Please? Pois é, esse pessoal do vídeo aí embaixo cantando o jingle da música da campanha God Hates The World é da igreja dele.
Esta é uma versão parodiada de We are the world, em que Deus usa os membros da Igreja Batista de Westboro para mandar a sua mensagem de ódio à humanidade, avisando que ela toda vai para o inferno.
Freddie Phelps é um pastor americano que encabeça uma campanha de gosto duvidoso contra os gays de todo o mundo, incluindo os do Brasil.
Derek Webb gentilmente dirige essa mensagem na música Freddie Please:
Freddie can’t you see
Brother, you’re the one who’s queerFreddie, será que não percebes?
Irmão, você que é o maricas
O amor é inspirador!
Via @cf_gomes
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by Thiago Bomfim
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X-Cristo
Criaram uma mutação de Jesus que me enoja. É o Cristo pós-moderno.
Antes que eu continue esse post, preciso avisar quer não sou contra a contextualização do evangelho ou de qualquer outro tipo de literatura. Há ensinamentos que são atemporais, embora a nossa interpretação e aplicação esteja limitada de acordo com a nossa visão de mundo. Enfim… esse post não é um conselho para que se preserve a estagnação e tradição a todo custo. É na verdade uma constatação de que cada um tem o Cristo que merece ou aquele que consegue inventar.
E é estranho eu escrever isso, sabendo que mesmo eu invento os meus deuses. Mais esquisito é concluir que os outros criadores de messias também poderiam estar a escrever esse mesmo post, dizendo que quem inventou uma divindade fui eu e os leitores simpatizantes da Livraria.
Eu recomendo, e é de todo o coração, que ninguém se aventure na busca de bons conselhos espirituais na Livraria do Thiago. Estou em crise. Minha mente é um emaranhado de ideias que não se ligam, de angústias que não se despedem. Podes me tachar de dramático, dissimulado. Talvez eu até seja isso mesmo, mas na maior da parte do tempo, sou um poço de emoções que desencadeiam atos desprezíveis. Não minto quando estou nervoso. Seja cauteloso e desconfie de mim se me encontrarem em extrema serenidade. Um CTRL+Z iria muito bem na criação…
Cristo não me cabe mais… pelos menos não esse que me apresenta a maioria: o puritano, o ditador, menos ainda o geek. Mas, e se ele for tudo isso que eu não quero que ele seja? Restaria-me a graça, porque de fé eu iria mal.
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by Thiago Bomfim
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“Photoshop na celulite da igreja”, por Donald Miller
Há algum tempo escrevi um post que falava da obsessão que alguns líderes cristãos modernos adquiriram dessa cultura publicitária de esconder falhas, de se adequar à modernização seja qual for o custo.
Lendo Searching for God knows what do Donald Miller, um dos poucos escritores cristãos interessantes no meio desse entediante mercado de literatura cristã, encontrei um trecho interessante e provocador acerca dessa busca absurda de adaptar a mensagem do cristianismo à vida caótica que estamos a viver. Aqui está a tradução livre do trecho, com os meus grifos em negrito:
Recentemente uma amiga, enquanto eu jantava com ela, comentou que a maior preocupação dos cristãos dos nossos dias deveria ser a “tradução” dos princípios das Escrituras para o público pós-moderno. E eu não sei o que significa pós-modernismo, mas eu discordei gentilmente dela e pensei em voz alta se não precisamos parar de “traduzir” a Bíblia para um público moderno, um público que valoriza a simplificação da realidade, um público que gosta de memorizar listas na tentativa de entender Deus. Talvez, se pararmos de reduzir textos a fórmulas de crescimentos pessoal, poderemos lê-los como histórias de humanos imperfeitos se relacionando com um Deus perfeito e chegando ao entendimento da mensagem óbvia que Ele está comunicando para a humanidade.
É uma pena que esse livro não foi traduzido para o nosso gostoso português, mas, mesmo no inglês, a leitura é simples e agradabilíssima. É o único livro de escritor cristão desse ano que recomendo, até porque não estou a par dos lançamentos abomináveis desse mercado.
Só para a ciência: se você clicar ali na capinha do livro, o link te levará à Livraria Cultura e a compra me renderá uma porcentagem.





