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by Thiago Bomfim
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Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (2)
Um livro excelente. Não há nada de muito novo, mas Donald Miller faz coisas muito óbvias sobre vida cristã serem muito dolorosas. Ouvimos tudo o que Miller diz todos os dias, mas não ouvimos como ele diz.
Donald Miller simula um relato pessoal quando na verdade está falando da minha história, da minha pequena história.
Estou profundamente agradecido por ter uma leitura dessa à disposição, mesmo que ela me seja tão incômoda.
A presença de Deus parece esmaecida, mas na verdade ela está lá o tempo todo, só que inserida numa realidade que fazemos questão de ignorar.
SPOILER
Can you imagine an informecial with Paul, testyfying to the amazing product of Jesus, sayng that he once had power and authority, and since he tried Jesus he’s been moved from prision to prison, beaten, and routinely bitten by snakes? (…) I think Jesus can make things better, but I don’t think he is going to make things perfect. Not here, and not now.
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by Thiago Bomfim
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Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (1)
Donald Miller começa dizendo que se assistíssemos a um filme sobre um cara que quer comprar um Volvo e trabalha a vida toda pra fazer isso nós não iríamos achar qualquer graça. Nem lembraríamos dessa história daqui a uma semana, só se fosse para pedir o nosso dinheiro de volta.
Estranho é que essa história do cara trabalhando a vida toda pra comprar alguma coisa é muito parecida com a nossa, né não? Ou seja, nossa vida é bem tediosa.
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by Thiago Bomfim
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Análise: “Searching for God Knows What” de Donald Miller
Meu gosto por literatura cristã é bem limitado. Admito que li pouco o “subgênero”, mas o pouco que li já foi um bom aviso para que eu não insistisse muito na atividade. Achar boa literatura cristã, hoje, é procurar agulha num palheiro.
É injusto esquecer dos grandes escritores cristãos, não é? Mas verdade seja dita, todo bom escritor, mesmo cristão, soube dar o devido limite à sua obra: a universalidade.
Também não posso chutar o balde e dizer que nada do que se faz hoje é aproveitável. Há aqueles que têm mérito mais pelo pacote do que pelo conteúdo, mas há outros que ainda sabem fazer mágica com palavras. Donald Miller é desses raros artistas que hiptoniza com suas palavras.
Acabei de ler Searching for God Knows What com a sensação de que vai demorar para eu ler algo tão sereno e apaixonante. Não é a minha primeira boa experiência com os escritos de Miller. O mesmo aconteceu com Blue Like Jazz (sim, o dos Pinguins). Mas foi com ceticismo e pouca expectativa que iniciei esta minha última leitura, já que o Fé em Deus e pé na tábua não foi lá grande coisa. Expectativa superada pois, novamente, Miller foi surpreendente.
Mesmo lúdica, a mensagem que o escritor afirma desde o começo é o farol que direciona a escrita. Todo o livro fala basicamente que cristianismo não é fórmula, não é moral, não é teologia, é, acima de tudo, um relacionamento. Como é de praxe, Miller mistura as suas histórias, seus traumas e surpresas, desventuras e alegrias para comunicar essa mensagem de fé baseada em relacionamento. E como faz isso bem! E “fazer bem” não é sinônimo de erudição, ou de retórica bem trabalhada. Donald Miller fala de modo hipnotizante, a deixar o leitor sedento por histórias em sucessão que não cansam. No fundo, o que nos atrai nos escritos de Donald Miller é a intertextualidade que ele faz da nossa vida com a dele.
Já vi muitas críticas acerca de Donald Miller. Uma delas é que ele fica em cima do muro quando fala do lado conservador da igreja. Isso é verdade, Miller não levanta bandeira nos seus livros e isso é extremamente positivo, pois é característico dele literatura leve, bem humorada. Tomar partido de velhas brigas só prejudicaria aquilo que ele faz tão bem.
Há bons momentos em várias partes de Searching for God Knows What, mas o paralelo entre o relacionamento de Romeu e Julieta e o nosso com Cristo encerra esta obra com muito bom gosto. É livro que deixa a sensação de quero mais.
Pena que, mais uma vez, a editora escolheu mal a temática da capa. Dessa vez não foi aqui, com Pinguins, mas lá, com o circo. Diga-se de passagem, o trecho que narra a experiência de Don Miller no circo é um pouco tedioso. Ainda mais triste é o fato de que o livro não está disponível em português.
Como aperitivo, deixo um trecho do capítulo dez, em tradução livre, para os leitores da Livraria. É só o Donald Miller, contando histórias dos outros:
Meu pastor e amigo, Rick McKinley, contou-me recentemente sobre um encontro que ele teve com um jovem pastor que estava plantando uma igreja numa outra cidade. No vai e vem da conversa, este pastor perguntou ao Rick qual era a hora de tirar da liderança uma pessoa que estivesse com dificuldade de compreender a natureza do ministério. Rick olhou meio confuso para aquele pastor. “Tirar da liderança ?”, perguntou. “Isso.” , o jovem pastor respondeu. “Temos que avançar, né? E se a pessoa não acompanha precisamos tirá-la.”Rick respirou e riu “Cara, seu eu fosse tirar todo mundo que não conseguiu acompanhar o início da Imago Dei, não sobraria ninguém, nem eu! Você nunca vai construir uma igreja mandando as pessoas embora. Isso não é uma lanchonete, é o reino de Deus, e bons discípulos demandam tempo. Jesus é paciente até o fim.”
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by Thiago Bomfim
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Donald Miller: Correspondências
Sobre o pedido que Jesus fez à mulher samaritana:
Um amigo me disse recentemente que essa conversa seria o equivalente a um evangélico famoso indo a um bar gay e pedindo a um homem que lhe pagasse uma cerveja.
Acerca do bom samaritano:
O equivalente nos nossos dias seria contar uma história a um grupo de evangélicos conservadores em que um pluralista e homossexual liberal, heroicamente, interrompe seu caminho para ajudar um viajante abandonado depois de um pregador, um republicano e um escritor cristão negligenciá-lo.
Retirado do livro Searching for God knows what de Donald Miller.
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by Thiago Bomfim
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Podcast da Livraria – Episódio 2: Literatura cristã é um lixo
Depois de alguns meses, resolvi finalmente fazer o segundo podcast. O assunto é o que avisa o amistoso título dessa postagem.
Para acompanhar o podcast, é ideal que você assine o Feed RSS no seu iTunes ou leitor favorito. Entretanto, você pode baixar o arquivo via Torrent mesmo:
- Feed RSS (recomendável)
- Torrent (fora do ar)
- Arquivo MP3
Links importantes relacionados ao podcast:
- Bandas Jars of Clay
- Análise do disco The Long Fall Back to Earth do Jars of Clay
- Fórmulas literatura cristã explicadas por Donald Miller
- Mais sobre o livro Caim, de José Saramago
- Entrevista em que Derek Webb explica sua preferência por escritores defuntos
Músicas tocadas no Podcast
- Owl City – Dental Care (Abertura)
- Jars of Clay – Caught Escape
- Matisyahu – So Hi So Lo
- Muse – Undisclosed Desires
- Derek Webb – Heaven (final)
Clique para ouvir o podcast
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by Thiago Bomfim
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“Photoshop na celulite da igreja”, por Donald Miller
Há algum tempo escrevi um post que falava da obsessão que alguns líderes cristãos modernos adquiriram dessa cultura publicitária de esconder falhas, de se adequar à modernização seja qual for o custo.
Lendo Searching for God knows what do Donald Miller, um dos poucos escritores cristãos interessantes no meio desse entediante mercado de literatura cristã, encontrei um trecho interessante e provocador acerca dessa busca absurda de adaptar a mensagem do cristianismo à vida caótica que estamos a viver. Aqui está a tradução livre do trecho, com os meus grifos em negrito:
Recentemente uma amiga, enquanto eu jantava com ela, comentou que a maior preocupação dos cristãos dos nossos dias deveria ser a “tradução” dos princípios das Escrituras para o público pós-moderno. E eu não sei o que significa pós-modernismo, mas eu discordei gentilmente dela e pensei em voz alta se não precisamos parar de “traduzir” a Bíblia para um público moderno, um público que valoriza a simplificação da realidade, um público que gosta de memorizar listas na tentativa de entender Deus. Talvez, se pararmos de reduzir textos a fórmulas de crescimentos pessoal, poderemos lê-los como histórias de humanos imperfeitos se relacionando com um Deus perfeito e chegando ao entendimento da mensagem óbvia que Ele está comunicando para a humanidade.
É uma pena que esse livro não foi traduzido para o nosso gostoso português, mas, mesmo no inglês, a leitura é simples e agradabilíssima. É o único livro de escritor cristão desse ano que recomendo, até porque não estou a par dos lançamentos abomináveis desse mercado.
Só para a ciência: se você clicar ali na capinha do livro, o link te levará à Livraria Cultura e a compra me renderá uma porcentagem.





