Tag Archive for 'internet'

Falar bem

Estava a observar um determinado perfil no Twitter, divertindo-me ao acompanhar o esforço grandioso que o dono do microblog dispensava fazendo seus updates. Com a minha minúscula experiência de revisor e com a minha medíocre, mas ainda aproveitável, leitura, costumo julgar os melhores textos aqueles que dizem muito com pouco.

Lendo O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, acabo me decepcionando ao tentar encontrar traços de afetação erudita. Não encontro nada. O máximo de léxico estranho que aparece pode ser creditado ao que é comum no dialeto de Portugal.

A língua escrita, ao meu ver, não deve recorrer a extremos nem na literatura, a não ser que isto seja ferramenta para o próprio enriquecimento da criação. Porém, se o preciosismo tem como finalidade mostrar a habilidade com as palavras, creio que a missão não será difícil e o “artista” terá o que quer.

Afinal, o tempo de Olavos Bilacs já passou e, mesmo que eles voltem algum dia, não será no Twitter que leremos contorcionismos parnasianos.

Livraria censurada

Há alguma coisa que se diga que não já foi dita antes? Mesmo nessa pergunta está ausente o elemento da surpresa, pois tal questionamento já foi feito muitas vezes por mentes mais geniais do que a minha e tão medíocres quanto ela. Então qual a utilidade de se escrever o que quer que seja? Pra que serve um blogue?

Segundo aquelas teorias da comunicação que todo mundo de todos os cursos estuda, a função fática é aquela que serve para testar o canal, ver se ele está funcionando. Dentre os exemplos dessa função posso citar aqueles bons dias e boas noites que distribuímos a torto e à direito por aí, mas que significam nada ou coisa alguma. Encaixaria os posts e notícias na mesma categoria.

A maior censura que existe hoje é a do falar. Não é preciso fazer muito para que a sua mensagem seja barrada: basta falar. Para tempos tão banais, todas as banalidades são verdades e todas as verdades são banalidades. Ou seja: ninguém vai te ouvir de qualquer jeito.

E você, por que está lendo isso? Perdeu seu tempo ao ler, e eu desperdicei o meu a escrever.

Ecos da internet

Dog and BoneEstou querendo ler, ouvir, ou assistir alguma novidade, e tem sido demasiado difícil realizar tal atividade. A internet, com o “advento” das redes sociais, faz eco de qualquer informação com a ajuda de uma “personalidade virtual” que possua um número considerável de seguidores no Twitter. Se eu leio alguma coisa no microblog, já posso esperar ver o mesmo conteúdo daqui a alguns minutos no Facebook, no Google Buzz ou no e-mail. E por ser informação gerada pelo meu ciclo de convivência, com gostos bem semelhantes aos meus, provavelmente eu não vou me incomodar ao receber os itens compartilhados.

Até o jeito que ouvimos música hoje é extremamente limitado. Acredito na utilidade de recursos como a Last.fm, ferramenta que, ao meu ver, é genial em sua proposta de recomendar. Mas esta rádio via web é bastante limitada em nos oferecer aquilo que está fora da nossa “cápsula de preferência”, em nos proporcionar algo que nos afaste daquilo que certamente nos agrada.

Vivemos numa órbita comportamental que a internet só ajuda a manter em perfeito estabilidade, pois nela é vetado o afastamento do ciclo das recomendações, é proibido a distância daquilo que não nos trará choque. Diria que a nossa dieta cultural não nos oferece nada além daquilo que nós queremos.

Por exemplo: ontem fui escolher um filme para assistir. Gosto muito de Clube da Luta e fui no IMDB ver as recomendações de títulos semelhantes para amparar minha escolha baseada nesta preferência. Acabei escolhendo Zodíaco. As chances de eu gostar deste filme são altas, mas as chances de eu me surpreender com algo alheio ao meu universo são praticamente inexistentes.

Para uma pessoa ligada em recursos da internet, existe uma cápsula anti-decepção quase impenetrável, graças aos sistemas de recomendação e estrelinhas que usuários como nós espalham por aí na avaliação de consumíveis culturais. Contudo, numa cápsula onde você só pode dizer “Like”, as chances de se surpreender são remotas, ou até nulas.

Baixaria #1: o fim da música gospel/cristã/evangélica

Amigos, estamos vivendo a melhor época para a música que se autonomeia “gospel” que é justamente o seu fim. Vamos aqui começar pelo relatório de gravadoras indo a falência, tendo seus artistas engolidos pelo furacão Sony: MK Music, Gospel Records, Zekap Gospel, Line Records. Todos os “grandes” nomes estão sendo levados por este tornado medonho que também fabrica os Playstations, console que tanto exercitou os dedos da nossa geração (além de outras atividades).

Como todo o furacão, que traga tudo o que está à sua frente, a Sony tem ajuntado todo o lixo no meio do seu turbilhão. E como é comum ao fenômeno, este furacão, com todo o seu poder de destruição, espalhará o seu entulho pelas grandes redes de supermercados. É esperta, contudo, a multinacional japonesa, que sabe que para cristão “é pecado comprar pirata”.

Mas vamos ver o lado bom dessa capitalização da mensagem cristã! É depois da limpeza dos escombros deixados por este furacão que serão construídos os novos edifícios. Podemos já ver bandas cantando uma música com temática do cristianismo e em seguida, na mesma apresentação, tocar alguma música do gênio Marcelo Camelo: tudo em cima do mesmo palco/púlpito.

Os novos artistas que fazem isto não são mais capazes de traçar a linha entre vida secular e vida cristã: as duas se fundem de tal modo que viram um todo chamado apenas vida. Por isso não é mais estranho que a temática da vida (ou o oposto dela) possa ser ouvida dos lábios de artistas que cresceram em igrejas.

Não se enganem com o esperado sucesso ou a longa vida da parceria da Sony com os artistas evangélicos que já subiram aos palcos do SOS da Vida, ou fizeram “o primeiro DVD gospel do País”. Há um pessoal aí que sabe fazer mais, com muito menos.

Estamos na era dos famosos do MySpace: Arctic Monkeys, Panic! At The Disco, Lily Allen. Tempo do In Rainbows (do Radiohead) e do videoclipe que lança bandas via web, caso do Ok Go no YouTube. Estes foram só os primeiros passos que mostram que música vive muito melhor sem gravadora nenhuma.

Claro que esta instituição viverá enquanto puder tirar caldo do último bagaço que restar. O bagaço que atualmente ainda rende um caldo é a música gospel que fez sucesso sucesso no final dos 1990 e na metade da década passada. Logo, logo isso vai virar uma grande despesa e aí, no dia em que não der pra explorar mais nada, “bye, bye Cassiane, Resgate, Renascer Praise, Diante do Trono e Oficina G3”.

Radiohead fazendo um cover dos The Smiths

Não faça piada, faça amor

Twitter, Facebook, Google Reader, blogues, Tumblr, Posterous, YouTube, correntes de email: a piada é sempre o tom de cada texto, tuite, imagem e vídeo que vemos por aí. Todo item compartilhado no Google Reader é sempre alguém tentando me fazer rir! Estamos numa geração em que todo mundo está tentando ser engraçado.

Claro que o resultado disso é muita piada ruim, e até para elas estamos fazendo concessões de riso.

A impressão que tenho é a de que a comunicação diária está parecendo aqueles roteirinhos mal escritos para um stand up comedy do Rafinha Bastos. 

Na Globo os comentaristas esportivos fazem as piores macaquices para achar graça até onde não tem. E o pior: estamos rindo com eles!

Já devo ser tachado de rabugento por alguém que lê este post, mas o que estou tentando dizer não tem nada de extremo. Eis o exemplo de um esforço sobre-humano pra tentar arrancar risos de cidadãos cansados nos seus sofás de fim de noite:

Legendários TENTANDO fazer piada

Via Trabalho Sujo (peneirona de humor).