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by Thiago Bomfim
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Feliz Natal e tradução do Jars of Clay
Cristão evangélico é um espécime esquisito: reclama da libertinagem carnavalesca e também reclama do espírito e do clima natalino: ou seja, não dê ouvidos, nada será bom pra esses caras, nem mesmo as oportunidades que esta data proporciona. Curta com aqueles que você ama este dia.
Lembre-se do nascimento do salvador, indiferente à imprecisão das datas, às coincidências com outras tradições que não a cristã. Aproveite o clima, esqueça o dinheiro, não passe perto do shopping, fique em casa.
Desejo a todos os leitores da Livraria um Natal maravilhoso.
Fiquem com esta música do Paul McCartney interpretada pelo Jars of Clay:
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by Thiago Bomfim
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Relevant Magazine: Jesus Is Not Political
Para aprofundar o assunto do post da Marina Silva, que falava das alianças políticas feitas em nome de Jesus, recomendo o post do Russ Masterson, Jesus Is Not Political, na Relevant Magazine (em Inglês).
Bem mais equilibrado do que aquela minha anarquia de ontem, diga-se de passagem. Aqui vai um trecho:
(…) I do think we should be compassionate whether we choose to be political or not. While Jesus’ heart wasn’t much moved by people who politicized issues, Jesus always cared about the issues themselves, because He cared about the people the issues effected. Jesus was clear during His compassionate life that His allegiance was to one kingdom. He was loyal to only one party. His allegiance was to the Kingdom of God that swallows up the earthly kingdoms we too often give our attention and affections to.
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by Thiago Bomfim
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X-Cristo
Criaram uma mutação de Jesus que me enoja. É o Cristo pós-moderno.
Antes que eu continue esse post, preciso avisar quer não sou contra a contextualização do evangelho ou de qualquer outro tipo de literatura. Há ensinamentos que são atemporais, embora a nossa interpretação e aplicação esteja limitada de acordo com a nossa visão de mundo. Enfim… esse post não é um conselho para que se preserve a estagnação e tradição a todo custo. É na verdade uma constatação de que cada um tem o Cristo que merece ou aquele que consegue inventar.
E é estranho eu escrever isso, sabendo que mesmo eu invento os meus deuses. Mais esquisito é concluir que os outros criadores de messias também poderiam estar a escrever esse mesmo post, dizendo que quem inventou uma divindade fui eu e os leitores simpatizantes da Livraria.
Eu recomendo, e é de todo o coração, que ninguém se aventure na busca de bons conselhos espirituais na Livraria do Thiago. Estou em crise. Minha mente é um emaranhado de ideias que não se ligam, de angústias que não se despedem. Podes me tachar de dramático, dissimulado. Talvez eu até seja isso mesmo, mas na maior da parte do tempo, sou um poço de emoções que desencadeiam atos desprezíveis. Não minto quando estou nervoso. Seja cauteloso e desconfie de mim se me encontrarem em extrema serenidade. Um CTRL+Z iria muito bem na criação…
Cristo não me cabe mais… pelos menos não esse que me apresenta a maioria: o puritano, o ditador, menos ainda o geek. Mas, e se ele for tudo isso que eu não quero que ele seja? Restaria-me a graça, porque de fé eu iria mal.
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by Thiago Bomfim
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Falando sobre Jesus
Faz algum tempo que não falo sobre Jesus, e isso é um erro gravíssimo. Mas hoje falarei mal dele.
Jesus era um cara bobo, pois poderia muito bem gozar de todas as delícias dessa terra sendo filho do Todo Poderoso. Quantas mulheres não estariam aos seus pés?! Se hoje, algumas de mau caráter são tachadas “maria-gasolina”, com certeza naquela época devia existir alguma “maria-milagreira”.
Jesus poderia transformar aquela pedra em pão, mas preferiu terminar a sua jornada espiritual de 40 dias, não cedendo ao belo palco que Lúcifer lhe armara ali no deserto. Se fosse no meu caso, aquelas pedras teriam virado não só um pão: ali mesmo no deserto, armaria um belo banquete com uma cerveja geladíssima e um churrasquinho suculento.
Pergunto-lhe, não seria mais correto se Jesus trabalhasse numa repartição do governo? Afinal calejar as mãos numa carpintaria é vergonhoso para o status de messias.
E na cruz! Meu Deus! Eu, no lugar de Jesus, teria dado um fim a todo aquele furdunço e ainda colocaria todos os fariseus atrás das grades.
Como um mestre, com todos os poderes à sua disposição, por qual motivo não foi capaz de se tornar uma pessoa extremamente popular na sua época? Por que, como Mestre não usou das prerrogativas da onipotência para viver a melhor das vidas dessa terra?
Podes achar absurdo que eu questione essas coisas, e até certo ponto soa esquisito mesmo. Mas pense bem: por que achas tão absurdo que eu sugira condutas ideais para o Cristo, enquanto você já se utiliza de toda a sorte de estratégia para se dar bem no seu viver por este mundo? Na mesma condição que você Ele estava. E tinha mais direitos ainda, pois era Deus, mas se esvaziou para viver uma vida sem levar vantagem de ninguém.
Quantas vezes você já orou para que o seu Deus te desse uma forcinha no vestibular ou no concurso, te colocando, honradamente, a frente de outras pessoas que estudaram incansavelmente? Quantas vezes já orou para que seu Senhor aumentasse a dispensa da sua casa, enquanto uma criança inocente morre de fome noutro país ou, logo ali, no nordeste brasileiro?
Se aceitas essas condutas para você, e ainda as propaga em cima de púlpitos, não deverias se admirar ao ver o Deus encarnado, o homem, praticando as mesmas coisas.
Imagem de negatendo usada sob Licença Creative Commons 2.0.
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by Thiago Bomfim
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Você é primitivo ou vanguardista?
Parece-me que o verdadeiro cristão, ou melhor, o mais coerente não consegue se encaixar no seu tempo: ou ele é primitivo, ou é vanguardista. Jamais contemporâneo!
Deixe-me explicar: para Lutero, fez muito sentido ser vanguardista. Para nós, talvez, voltar ao mais primitivo possível seja o ideal.
E primitivo, não se traduz como fundamentalista, rabugento e xiita.
Post inspirado numa conversa com o Tom Fernandes.
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by Thiago Bomfim
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Créditos à maldade
Resolvi, novamente, mudar o tom das postagens desse blog. Os leitores, pouquíssimos, mas fiéis, devem estar cansados dessa ladainha de redenção temporária: alguns dias pura mansidão, noutros a cólera incontrolável de um escritor de meia tigela. A página que estás lendo não merece mais que a dezena de seguidores desse feed perdido, que é só mais um nessa imensidão da internet.
A justificativa para a escolha desse novo caminho é, de novo, o cansaço. Cansei-me de falar do mal, protagonizá-lo nos posts daqui. Invejo e admiro, se é que os dois sentimentos podem conviver, os amigos que perseveram no combate das deturpadas ideologias por meio de seus espaços pessoais na web.
Eu, fracote, optei pelo caminho egoísta de me deleitar das coisas boas da vida no meio desse campo de batalha, pelos menos nesta segunda-feira. Altruisticamente, afirmo que farei o bem ao invés de combater o mal. Um discurso! Pois já é um começo, seu cético… Seria melhor o começo sem discurso nenhum, concordo.
Devo, por força do título, dar o devido crédito à maldade. Sem ela nossas histórias perderiam o tempero. Foi de seu engenho as trapaças pelas quais Cândido passou. Seu braço açoitou o Messias. E Paulo? Não teria sido apenas mais um, se antes não tivesse sido um Saulo?
Os contos perderiam o sentido de existência se apenas a bondade imperasse. Não havendo o mal, a moral da história não teria com o que contradizer.
A maldade serve apenas para criar o mártir. Seu papel coadjuvante só eleva ainda mais o sofrimento e a glória de um herói.
Não digo que seja necessária ou útil a ruindade. Apenas constato sua existência e sua vaga garantida no mercado de trabalho da vida. É dela também a contradição da promessa inicial dessa postagem.
Imagem do post: Conversão de São Paulo, por Caravaggio, 1600.





