Notas de leitura: futilidades literárias sobre “As ‘alegrias’ do jovem Werther”

O romance Os sofrimentos do jovem Werther fez sensação. Recebido com entusiasmo pelos amigos do poeta, inquietou os moralistas a tal ponto que Friederich Nicolai publicou, no início de 1775, uma caricatura satírica intitulada As alegrias do jovem Werther. Goethe escreveu em março:

Dos sofrimentos de Werther

E mais ainda de suas alegrias

Preserve-nos, senhor Deus!

Tirei do prefácio de uma edição da Martins Fontes.

Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (2)

A Million Miles in a Thousan Years - Capa (Cover) Um livro excelente. Não há nada de muito novo, mas Donald Miller faz coisas muito óbvias sobre vida cristã serem muito dolorosas. Ouvimos tudo o que Miller diz todos os dias, mas não ouvimos como ele diz.

Donald Miller simula um relato pessoal quando na verdade está falando da minha história, da minha pequena história.

Estou profundamente agradecido por ter uma leitura dessa à disposição, mesmo que ela me seja tão incômoda.

A presença de Deus parece esmaecida, mas na verdade ela está lá o tempo todo, só que inserida numa realidade que fazemos questão de ignorar.

SPOILER

Can you imagine an informecial with Paul, testyfying to the amazing product of Jesus, sayng that he once had power and authority, and since he tried Jesus he’s been moved from prision to prison, beaten, and routinely bitten by snakes? (…) I think Jesus can make things better, but I don’t think he is going to make things perfect. Not here, and not now.

Notas de leitura: A Million Miles in a Thousand Years (1)

Donald Miller começa dizendo que se assistíssemos a um filme sobre um cara que quer comprar um Volvo e trabalha a vida toda pra fazer isso nós não iríamos achar qualquer graça. Nem lembraríamos dessa história daqui a uma semana, só se fosse para pedir o nosso dinheiro de volta.

Estranho é que essa história do cara trabalhando a vida toda pra comprar alguma coisa é muito parecida com a nossa, né não? Ou seja, nossa vida é bem tediosa.

Minhas leituras de 2009

Usei um widget do LibraryThing para exibir minhas leituras desse ano. Provavelmente atualizarei essa lista antes do dia 31.

Notas de leitura: To Kill A Mockingbird/O sol é para todos

To Kill A Mockingbird de Harper Lee Black Classic Cover Depois de ver a lista de livros que podem fornecer algumas pistas acerca dos rumos de Lost, depois de achá-lo em inúmeras listas dos melhores do Século XX, depois de recomendações dum gringo entusiasmado, depois de dezenas de “nunca ouvir falar”, finalmente comecei a leitura de To Kill a Mockingbird, de Harper Lee.

É um clássico da literatura norteamericana, com tudo aquilo que ela possui de local e universal – segundo o que se diz. Estou ainda nas primeiras páginas e, por isso, pode ser um erro fazer um comentário tão precoce. Mas vou me arriscar nessa nota de leitura. Estou entusiasmado já às primeiras folhas mesmo…

É muito interessante o modo como Atticus explica uma questão de moral da população de Maycomb para a garotinha Scout. Olhe só como a própria menina narra a explicação do pai:

Ele disse que os Ewell eram membros de uma sociedade exclusiva, constituída só de Ewell. Em determinadas circunstâncias, a gente comum sabiamente concedia-lhes certos privilégios através do simples expediente de fechar os olhos a algumas de suas atividades. Por exemplo, os Ewell não tinham de ir à escola. Outro exemplo: o sr. Bob Ewell, o pai de Burris, tinha permissão para caçar e montar armadilhas fora da estação.

- Atticus, isto está errado! – exclamei.

Em Maycomb, caçar fora da estação era uma contravenção, um crime aos olhos da população.

- É contra a lei – concordou Atticus – e errado, sem dúvida alguma. Mas quando um homem gasta seus cheques da assistência social em uísque, seus filhos costumam chorar de fome. Eu não conheço nenhum proprietário de terras por aqui que não ceda de boa vontade àquelas crianças qualquer caça que o pai delas consiga pegar.

Por que você lê?

Numa lista em que participo, a Rose Guedes perguntou qual o motivo do interesse dos participantes pela leitura, pedindo que comentássemos algumas preferências. Essa foi a minha resposta:

Eu não sei bem por que eu leio, talvez por costume. Prefiro essa atividade a muitas outras. Um pouco é por culpa da minha mãe que sempre me encheu de gibis quando eu era pequeno. Outro fato curioso é que onde eu morava, numa cidade pequena de Minas Gerais, não tinha energia elétrica, logo várias distrações de uma infância comum não estavam à minha disposição, fui para os livros então.

Ler é importante pra descansar, pra organizar a mente, para aprender e para ter o que falar.

Não concordo na crença de que a leitura é algo sempre positivo. Depende de um conjunto de fatores e da disposição daquele que lê. Outro dia soube que Hitler lia bons livros, mas ignorava tudo aquilo que não fosse útil para reforçar as suas convicções, ou seja, ele não aprendeu nada…

Eu gosto de ler romances e, não tenho vergonha de dizer, livros infantis. A mulher que matou os peixes, um infanto-juvenil da Clarice Lispector, é uma das coisas mais bonitas dessa Terra. Gosto também daqueles poemas espertinhos do Gregório de Matos. Tem o Charles Dickens que também é muito legal.