Carnavariscos

Carnaval Um monte de gente aproveita para vociferar que o carnaval é a festa do diabo. Mas eu acho o lado bom do carnaval, este que permite o ócio, o churrasco familiar, o farofismo paulistano descendo a congestionada Imigrantes muito mais bonito do que certos carnavais que acontecem naqueles locais a que chamam igreja.

Vamos a um teste: você tem mais medo do carnaval da sessão do descarrego promovido pela Igreja Universal ou do desfile televisionado pela Rede Globo? Tudo bem que as opções são bem restritas e ruins, mas pense naquilo que é mais suportável: ver a evolução duma Beija Flor ou os gritos suínos dos pastores de tal denominação cristã, que é assim chamada apenas para que haja uma classificação que a inclua em algum lugar que não seja o limbo do sincretismo religioso?

A questão é: irmãozinhos, pra que tanta hipocrisia malhando a Globo com a sua cobertura dos desfiles sendo que a gente vê um show de horrores todos os dias nos canais ligados à Rede Record? E mais: se a anarquia global, como dizem, é feita em honra ao Belzebu, não é pior que o furdunço cristão seja feito em nome de Deus?

XPo Cristã

Se há uma bizarrice grande é a tal segmentação “mercado evangélico”. Existe mercado judeu, mercado afro-religioso, mercado anglicano, mercado ateu?

Se a herança de alguma raiz protestante já te leva a um sentimento de pertencimento a uma linhagem alienígena, a separação que alguns oportunistas fazem para enfiar a mão no seu bolso produz efeito ainda pior.

Contudo, colocando o pingo no “i”, é preciso lembrar que há arte (música, cinema, literatura) que é feita com influências do pensamento cristão, assim como há arte com foco existencialista e por aí vai.

O que é inaceitável é você chegar ao supermercado e ver um arroz gospel, um feijão pentecostal, uma pasta de dente adventista, ou um papel higiênico Renascer.

Derek Webb: Como devemos votar ?

Kassab e Dilma Esse é um texto que o Derek Webb publicou às vésperas – um dia antes, para ser mais exato – das eleições americanas que elegeu o atual e, segundo a opinião de muitos, decepcionante presidente Obama. Há várias coisas que não estão no contexto do voto obrigatório a que estamos submetidos no Brasil, mas que são devidamente aplicáveis num voto nulo, numa justificativa fora do domicílio eleitoral, ou numa brincadeira à cabine eleitoral no feriado de Outubro, ainda mais num previsível segundo turno tucanos contra petistas.

Recomendo a leitura desse texto, que, na minha opinião, é um dos melhores artigos dessa década feito por um cristão, especialmente nesse tópico que é a política. Webb considerou este discurso tão essencial que o distribuiu gratuitamente com o disco Mockingbird Elections Edition, uma edição especial de sua obra prima acompanhada desse discurso lido por ele mesmo.

Como devemos votar então?

Parte 1: Uma breve afirmação no que diz respeito à consciência

Dependendo da época em que você está lendo isso, poderemos estar em qualquer lado de uma das eleições mais memoráveis na história recente do nosso país. Mas isso não importa, tendo em vista que este texto não se refere necessariamente à nossa atual eleição, e sim sobre como viver uma vida política honesta e íntegra. Ainda assim, não há tempo para sábias histórias ou introduções. Vou direto ao ponto: essencialmente, nossos problemas não serão resolvidos por um homem ou mulher éticos na Casa Branca. Não é bem assim que as coisas funcionam. Vivemos em uma democracia, uma forma de governo representativo, em que a nossa responsabilidade de amar e cuidar de nosso próximo é a mesma, senão maior. A mudança verdadeira e duradoura vem de conhecer e amar as pessoas que vivem nas casas ao lado da nossa, ao invés de depositar toda nossa expectativa e esperança na cabine de votação.

Entretanto, isso não quer dizer que não devemos tomar decisões com base em informações ao se envolver com o processo. Pelo contrário: se a sua consciência te permite, você pode até votar. Mais isto é muito complicado, especialmente numa escolha entre dois partidos* (e eu definitivamente não tenho tempo para isso).

Com toda a seriedade, quero ser muito claro nesse ponto: nunca é aconselhável, em qualquer decisão que você faça, violar sua consciência. Isso se aplica à essa eleição em que você poderá ter sérios conflitos morais com ambos candidatos, fazendo com que você se sinta como se estivesse votando de maneira defensiva ou para eleger o menor dos males.

Antes de ir além, deixe-me avisar que este pode não ser o seu caso. Além disso, entre o corpo de Cristo, poderia ser até pecaminoso se chegássemos às mesmas conclusões sobre como amar o nosso próximo melhor, por isso, há plena liberdade para opiniões diferentes sobre este assunto. Mas se estás nessa situação, eu tenho algumas sugestões:

1. Procure na sua bíblia algo que diga que você deve votar.

2. Se você não encontrar nada, ouça o que a sua consciência te diz. É para isso que ela está lá: para ser um guia e um farol vermelho quando você precisa tomar decisões significantes e difíceis.

Veja bem, não estou dizendo que você não deve votar.

Estou dizendo que, se a sua consciência está num conflito muito grande entre dois candidatos, você tem a liberdade de não votar.

Parte 2: Algumas objeções esperadas

Alguns podem dizer que não votar é dar o voto para aqueles que buscam usar o processo governamental com más intenções. Eu na verdade poderia argumentar de maneira completamente diferente. Ao votar, especialmente entre uma ou duas opções, você está dando um ‘sim’ e um ‘amém’ para a plataforma completa de um partido, o que provavelmente vai muito além da afirmação que você tentou fazer. Isto é ainda mais perigoso e menos nítido do que abster-se por completo. Nenhum partido poderá cooptar um voto que não foi dado.

Outros diriam: ‘Jesus disse “Dai a César o que é de César”, logo temos uma obrigação bíblica de voto.’ Claro que Jesus disse isso. Por isso eu pago os meus impostos e tento dirigir dentro dos limites de velocidade. Estas são algumas das leis dessa terra. Mas a minha consciência não pertence a César, por isso não compactuo com ele. César não pode me obrigar a violar a minha consciência. Votar é um direito legal, como carregar uma arma ou fazer um aborto, mas eu posso me abster de fazer qualquer coisa que, mesmo tendo direitos legais para realizar, contrarie minha consciência.

Alguns podem dizer que nós nunca iremos concordar por completo com a agenda ou plataforma política de alguém, desse modo, a espera por um candidato que se alinhe por completo com as nossas opiniões torna o voto impossível. Concordo completamente. Há muitas coisas sobre as quais eu posso discordar com um político que não correspondam necessariamente à uma crise de consciência. Portanto, há compromissos necessários e aceitáveis para o engajamento dentro de um sistema político, mas nunca quando eles passam por cima do cadáver de sua consciência.

Isto me leva à última objeção previsível: os nossos antepassados lutaram e até derramaram sangue para que nós tivéssemos o direito de votar. Mesmo que não haja nada óbvio nessa afirmação com que eu discorde, há um contexto a se considerar. Ainda maior que os sacrifícios dos nossos antepassados foi o sacrifício de nosso Pai celestial, que derramou seu sangue para despertar para ele uma fidelidade ainda maior do que a que damos à nação. Nós temos uma aliança eterna com o nosso Rei e o seu Reino que se constrói em nós e por meio de nós, superando qualquer outro compromisso.

No início da década dos anos 20 do século XVI, Martinho Lutero esteve notadamente de frente à uma assembléia na Alemanha, iniciando aquilo que conhecemos como Reforma Protestante. Em seu lendário discurso, Lutero se expôs à excomunhão e à morte para não trair a sua consciência ao dizer “Ir contra a consciência não é certo nem seguro. Não posso, nem irei me retratar. Eis-me aqui. Não posso fazer outra coisa. Deus me ajude.”

Estas questões de consciência são sérias e devem ser  consideradas. Tenho muitos amigos que estudaram as possibilidades dessa eleição em todos os aspectos e escolheram votar ou em Obama, ou em McCain, ou num outro candidato, e eu os apoio nisso. Reafirmo: somos diversos membros de um só corpo que segue a Jesus. Desconfiável seria se todos chegássemos às mesmas conclusões para problemas tão complexos. Novamente: talvez não haja conflitos de consciência para você nessa eleição, com todas as opções disponíveis. Mas se existe, sinta-se livre para não votar.

Nossa maior esperança não está nos políticos, nos poderes, ou no governo, mas num dia que virá para consertar todas as coisas. Nossa principal preocupação não é o sucesso, mas a fidelidade. Logo, se você acha necessário se abster do voto nessa eleição porque isto seria uma traição para a sua consciência, seja livre para permanecer fiel deixando a preocupação do sucesso e resultado para Deus. Ele, afinal de contas, foi quem criou os governos.

Zeitgeist: além do New York Times, da Folha de São Paulo, da Veja ou da Igreja

O documentário Zeitgeist não é novidade: data de 2007, mas é muito bom revê-lo para ao menos entender a que tipos de ciclos estamos subjugados.

A questão não é saber se é verdade ou paranóia de nerds. A necessidade maior é a de abrir os olhos para novas possibilidades de informação. Mentira por mentira, ficamos com a enganação de zeitgeist-capaproporção menor, ao invés de se alienar naquilo que a Globo, a Veja e a Folha traduzem do New York Times para as massas.

Enquanto assistia a esse documentário veio à minha mente uma especulação acerca do zeitgeist tupiniquim. Estamos numa época de intensa valorização do patriotismo e confiança do povo brasileiro, logo o assunto é pertinente.

Promessas de progresso que os eventos esportivos irão trazer, filmes que elevam a figura do presidente sofredor que deu certo na vida depois de sair do nordeste – versão brasileira do sonho americano – sorte rara que planta a mesma esperança na cabeça de milhares de brasileiros que fizeram metade dessa rota, mas que pararam no sudeste e por lá mesmo ficaram.

Os bancos vão bem, fundem-se uns aos outros enquanto fodem com aqueles que a eles recorrem. Os primeiros sinais de que nosso “emergentismo” é extremamente lucrativo são propagandeados pela a imprensa, que faz questão de ressaltar a ligeira recuperação da tal crise.

E na política? Nada muda! A esperança é a última que morre, mas se nada der certo, ainda tem a Copa do Mundo para nos entreter no ano das eleições. Há, como luz do fim do túnel, a Marina Silva (Obama brasileiro), evangélica tradicional que é contra o aborto, pedindo que os outros brasileiros, obviamente, batam o martelo do sim que ela não teria coragem de aprovar: toda a firmeza e caráter se dobra diante da necessidade de aprovação (eleição) que trará, como consequência, poder.

Falando em cristão, a igreja vai de vento em popa. Os bancos deveriam invejá-la. A cruz de Santo André conhecerá o dia em que renderá menos que a cruz de Cristo. Não sei se é privilégio de algum diretor importante de algum banco ter o seu próprio jatinho, mas é certo que o R.R. Soares já tem o dele.

Deixo o link para o download desse documentário perturbador (via Torrent), antes que eu me passe por um doido varrido ainda pior:

Baixe o torrent do documentário Zeitgeist.

Procure a legenda aqui no Legendas.tv.

Semelhanças entre os retirados do Egito e nós

Sempre faltará uma peça nesse quebra cabeça chamado homem. Somos tão vazios e necessitados que encaixamos à nossa existência um pedaço de jogo mais próximo para que alguém nos valorize de alguma maneira.

Vi nessa semana tudo e todos falarem bem, mal, a favor e contra a moça daquela universidade. Mas só foi aparecer outra novidade, o apagão de ontem, para que toda gente emitisse opiniões acerca do incidente. E esse tópico será amplamente “discutido”, até que outras novas venham à tona.

Isso me lembra muito aquele povo cuja épica andança foi narrada no antigo testamento: os Hebreus, guiados pelo irritadiço líder Moisés. Multidão ávida por novidade, impaciente na espera, incompreensiva no silêncio.
 
Enjoaram de carne de aves, ganharam maná. E do estranho alimento comeram e, erroneamente, abastaram as dispensas. Como era de se esperar, pegaram asco logo daquela espécie de pão doce celestial.
 
E como não lembrar que, na falta de deuses, moldaram uma estranha criatura, um filhote de boi, para substituir um criador?
 
E quanto criticamos essa gente nos nossos discursos e nas nossas congregações! Como se fôssemos diferentes dela, como se a novidade não nos despertasse qualquer interesse.
 
Mesmo que não tenhamos carência de alimentos, ainda estamos esfomeados por novidade, por algo que nos inclua na conversa, que nos lance na roda dos discursos. É de nosso interesse a ciência de qualquer tópico que nos permita dizer sim ou não, concordo ou discordo, eu vi ou eu ignoro.

Switchfoot – Daisy Cover

Essa é uma música do Switchfoot que ficou meio no limbo musical, mas é belíssima. O cara aí canta bem, vale a pena ouvir essa interpretação: