Tag Archive for 'Música'

Sufjan Stevens é a trilha sonora da TV aberta

Tem sido recorrente o uso das músicas de Sufjan Stevens em várias reportagens de TV por aqui: aquela música do último comercial do Bradesco, por exemplo, é a introdução da música Chicago podada em looping.

Claro que isso não é motivo de orgulho nenhum para os fãs, que veem um artista desse nível sendo colocado de fundo nas matérias do Fantástico e do Superpop. Pior é o incômodo testemunho de ouvir Chicago tocando na propaganda de um banco que faz clientes como eu você serem torturados mensalmente.

Isto é até meio dramático, mas é que eu não me conformo em ver boa música sendo tranformada em acessório enquanto a má é a atração principal.

Graças à excelente música e à  locução, ficou até boa a publicidade do pior banco.

Propagando do Bradesco com a música Chicago de Sufjan Stevens

Sufjan Stevens–Chicago

Sabe aquela música que toca no comercial do Bradesco?

Sufjan Stevens–Chicago

Origens

Folhas caídas deveriam blasfemar contra seus galhos

Por não as deixarem decidir aonde cair

E por nem ao menos deixá-las ter o direito de se negar a cair

David Bazan

Andrew Peterson – Dancing in the Minefields

Esta música é do novo disco do Andrew Peterson. Logo, logo vou trazer mais detalhes e comentários sobre este disco. Será uma espécie de maratona semelhante ao que eu fiz com o Derek Webb ano passado.

Misteriosa Highway #1: de Demônios da Garoa até Terra Samba

Como um artista se liga a outro? Nesta categoria do tipo “enche linguiça” que estreia hoje na Livraria vou explorar as conexões de bandas diferentes por meio da ferramenta “Artist Connections” da Last.fm.

Vou procurar as relações entre os artistas e tentar aproximar a experiência do leitor do blogue com a ajuda de vídeos do YouTube. Buscarei conexões bem óbvias, mas, de vez em quando, vou brincar com coisas bem desconexas e mostrar que, pelo menos na música, é possível sempre se ter uma boa influência numa raiz bem profunda.

Vamos à primeira experiência: de Demônios da Garoa até Terra Samba! Tentaremos fazer este DNA maldito, sim. Reparem a “variação” de nível qualitativo de acordo com a idade da banda e respectiva posição: quanto mais embaixo, mais sofrimento para o querido leitor:

  • Demônios da Garoa:
Saudosa Maloca
  • Bezerra da Silva:
Tem Coca Aí na Geladeira
  • Gilberto Gil
Madalena

Agora aguenta…

  • Carlinhos Brown
Ashansu
  • Timbalada
Mimar Você
  • Terra Samba:
Liberar Geral

Desculpe o sofrimento proporcionado, leitor, mas fala aí: essa ferramenta da Last.fm pode provar, numa visão bem amigável, que qualquer banda tem lá suas raízes em boas coisas. Noutra visão, talvez a mais realista, a Last.fm denuncia o nível de degradação a que chegou a música popular.

Demônios da Garoa até Terra Samba[6]

Paixões que eu tinha e paixões que eu passei a ter

O tempo muda bastante os nossos gostos. Não é estranho pra mim pensar que o Thiago de hoje só neste dia existiu. Quem virá amanhã é um ser diferente, carregando as coisas velhas do hoje e renovando as esperanças para o depois de amanhã. Agora paremos de augustocuryces, e vamos à  duas listas.

Eu já gostei muito de:

  1. guitarra – comprava revistas de metal farofa e tenho algumas até hoje;
  2. diante do Trono – até virar homem;
  3. estudar – mas cheguei à faculdade;
  4. Oficina G3 – até resolver ir a um show deles;
  5. ir à igreja – até resolver aproveitar os meus domingos;
  6. assistir à Fórmula 1 – mesma justificativa do caso acima;
  7. sorvete – até que parei por causa da intolerância à lactose e hoje nem sinto mais falta;
  8. conversar com várias meninas – até notar que o assunto era sempre o plastiquinho numerado com a bandeira Visa impressa nele;
  9. ir ao correio – até mudar pra São Paulo;
  10. e de fazer “racha de bicicleta” no interior – até arrumar encrenca com os companheiros de “aventuras”.

Atualmente eu gosto muito:

  1. de ver filmes – principalmente dramas não românticos;
  2. de viajar – principalmente viagens longas;
  3. de me embriagar – pra pensar na vida e chorar para os amigos;
  4. de escrever – apesar de ser bem medíocre nessa atividade;
  5. de ler tirinhas – especialmente o Mundinho Animal;
  6. de Post Rock – graças ao Sigur Rós;
  7. de folk americano – graças à porta que foi Derek Webb;
  8. de Beatles – inexplicável;
  9. de comer à mesa – estou sentindo que me resta pouco tempo com meus pais;
  10. e de fazer barulho com os amigos da banda – por vários motivos.

Então é isso. Bom domingo.

Baixaria #1: o fim da música gospel/cristã/evangélica

Amigos, estamos vivendo a melhor época para a música que se autonomeia “gospel” que é justamente o seu fim. Vamos aqui começar pelo relatório de gravadoras indo a falência, tendo seus artistas engolidos pelo furacão Sony: MK Music, Gospel Records, Zekap Gospel, Line Records. Todos os “grandes” nomes estão sendo levados por este tornado medonho que também fabrica os Playstations, console que tanto exercitou os dedos da nossa geração (além de outras atividades).

Como todo o furacão, que traga tudo o que está à sua frente, a Sony tem ajuntado todo o lixo no meio do seu turbilhão. E como é comum ao fenômeno, este furacão, com todo o seu poder de destruição, espalhará o seu entulho pelas grandes redes de supermercados. É esperta, contudo, a multinacional japonesa, que sabe que para cristão “é pecado comprar pirata”.

Mas vamos ver o lado bom dessa capitalização da mensagem cristã! É depois da limpeza dos escombros deixados por este furacão que serão construídos os novos edifícios. Podemos já ver bandas cantando uma música com temática do cristianismo e em seguida, na mesma apresentação, tocar alguma música do gênio Marcelo Camelo: tudo em cima do mesmo palco/púlpito.

Os novos artistas que fazem isto não são mais capazes de traçar a linha entre vida secular e vida cristã: as duas se fundem de tal modo que viram um todo chamado apenas vida. Por isso não é mais estranho que a temática da vida (ou o oposto dela) possa ser ouvida dos lábios de artistas que cresceram em igrejas.

Não se enganem com o esperado sucesso ou a longa vida da parceria da Sony com os artistas evangélicos que já subiram aos palcos do SOS da Vida, ou fizeram “o primeiro DVD gospel do País”. Há um pessoal aí que sabe fazer mais, com muito menos.

Estamos na era dos famosos do MySpace: Arctic Monkeys, Panic! At The Disco, Lily Allen. Tempo do In Rainbows (do Radiohead) e do videoclipe que lança bandas via web, caso do Ok Go no YouTube. Estes foram só os primeiros passos que mostram que música vive muito melhor sem gravadora nenhuma.

Claro que esta instituição viverá enquanto puder tirar caldo do último bagaço que restar. O bagaço que atualmente ainda rende um caldo é a música gospel que fez sucesso sucesso no final dos 1990 e na metade da década passada. Logo, logo isso vai virar uma grande despesa e aí, no dia em que não der pra explorar mais nada, “bye, bye Cassiane, Resgate, Renascer Praise, Diante do Trono e Oficina G3”.

Radiohead fazendo um cover dos The Smiths