Igreja Pensando Teologia: adolescência comportamento crescimento Igreja Teologia
by Thiago Bomfim
11 comments
Pode copiar
Igreja em fase de crescimento ?
As igrejas tendem a ficar melhores com o passar do tempo? Por “melhor” entenda-se: mais sinceridade dos líderes e membros, mais participação ativa na comunidade, mais mensagem cristocêntrica, menos coligações com interesses partidários e estatais e por aí vai.
Gostaria que alguém respondesse essa pergunta.
Mas uma coisa que é certa no que se refere ao avanço de algumas instituições cristãs: insistem pela permanência numa crise de adolescência, tentando se afirmar por meio de tatuagens, imagens e música.
Educação Filosofia Igreja Mídia Pensando Teologia: aborto Cristianismo derek webb discurso Educação eleições Estado Filosofia Igreja mandamentos marina silva mídia mockingbird Música obama obrigações stockholm syndrome Teologia tradução vida voto
by Thiago Bomfim
2 comments
Pode copiar
Derek Webb: Como devemos votar ?
Esse é um texto que o Derek Webb publicou às vésperas – um dia antes, para ser mais exato – das eleições americanas que elegeu o atual e, segundo a opinião de muitos, decepcionante presidente Obama. Há várias coisas que não estão no contexto do voto obrigatório a que estamos submetidos no Brasil, mas que são devidamente aplicáveis num voto nulo, numa justificativa fora do domicílio eleitoral, ou numa brincadeira à cabine eleitoral no feriado de Outubro, ainda mais num previsível segundo turno tucanos contra petistas.
Recomendo a leitura desse texto, que, na minha opinião, é um dos melhores artigos dessa década feito por um cristão, especialmente nesse tópico que é a política. Webb considerou este discurso tão essencial que o distribuiu gratuitamente com o disco Mockingbird Elections Edition, uma edição especial de sua obra prima acompanhada desse discurso lido por ele mesmo.
Como devemos votar então?
Parte 1: Uma breve afirmação no que diz respeito à consciência
Dependendo da época em que você está lendo isso, poderemos estar em qualquer lado de uma das eleições mais memoráveis na história recente do nosso país. Mas isso não importa, tendo em vista que este texto não se refere necessariamente à nossa atual eleição, e sim sobre como viver uma vida política honesta e íntegra. Ainda assim, não há tempo para sábias histórias ou introduções. Vou direto ao ponto: essencialmente, nossos problemas não serão resolvidos por um homem ou mulher éticos na Casa Branca. Não é bem assim que as coisas funcionam. Vivemos em uma democracia, uma forma de governo representativo, em que a nossa responsabilidade de amar e cuidar de nosso próximo é a mesma, senão maior. A mudança verdadeira e duradoura vem de conhecer e amar as pessoas que vivem nas casas ao lado da nossa, ao invés de depositar toda nossa expectativa e esperança na cabine de votação.
Entretanto, isso não quer dizer que não devemos tomar decisões com base em informações ao se envolver com o processo. Pelo contrário: se a sua consciência te permite, você pode até votar. Mais isto é muito complicado, especialmente numa escolha entre dois partidos* (e eu definitivamente não tenho tempo para isso).
Com toda a seriedade, quero ser muito claro nesse ponto: nunca é aconselhável, em qualquer decisão que você faça, violar sua consciência. Isso se aplica à essa eleição em que você poderá ter sérios conflitos morais com ambos candidatos, fazendo com que você se sinta como se estivesse votando de maneira defensiva ou para eleger o menor dos males.
Antes de ir além, deixe-me avisar que este pode não ser o seu caso. Além disso, entre o corpo de Cristo, poderia ser até pecaminoso se chegássemos às mesmas conclusões sobre como amar o nosso próximo melhor, por isso, há plena liberdade para opiniões diferentes sobre este assunto. Mas se estás nessa situação, eu tenho algumas sugestões:
1. Procure na sua bíblia algo que diga que você deve votar.
2. Se você não encontrar nada, ouça o que a sua consciência te diz. É para isso que ela está lá: para ser um guia e um farol vermelho quando você precisa tomar decisões significantes e difíceis.
Veja bem, não estou dizendo que você não deve votar.
Estou dizendo que, se a sua consciência está num conflito muito grande entre dois candidatos, você tem a liberdade de não votar.
Parte 2: Algumas objeções esperadas
Alguns podem dizer que não votar é dar o voto para aqueles que buscam usar o processo governamental com más intenções. Eu na verdade poderia argumentar de maneira completamente diferente. Ao votar, especialmente entre uma ou duas opções, você está dando um ‘sim’ e um ‘amém’ para a plataforma completa de um partido, o que provavelmente vai muito além da afirmação que você tentou fazer. Isto é ainda mais perigoso e menos nítido do que abster-se por completo. Nenhum partido poderá cooptar um voto que não foi dado.
Outros diriam: ‘Jesus disse “Dai a César o que é de César”, logo temos uma obrigação bíblica de voto.’ Claro que Jesus disse isso. Por isso eu pago os meus impostos e tento dirigir dentro dos limites de velocidade. Estas são algumas das leis dessa terra. Mas a minha consciência não pertence a César, por isso não compactuo com ele. César não pode me obrigar a violar a minha consciência. Votar é um direito legal, como carregar uma arma ou fazer um aborto, mas eu posso me abster de fazer qualquer coisa que, mesmo tendo direitos legais para realizar, contrarie minha consciência.
Alguns podem dizer que nós nunca iremos concordar por completo com a agenda ou plataforma política de alguém, desse modo, a espera por um candidato que se alinhe por completo com as nossas opiniões torna o voto impossível. Concordo completamente. Há muitas coisas sobre as quais eu posso discordar com um político que não correspondam necessariamente à uma crise de consciência. Portanto, há compromissos necessários e aceitáveis para o engajamento dentro de um sistema político, mas nunca quando eles passam por cima do cadáver de sua consciência.
Isto me leva à última objeção previsível: os nossos antepassados lutaram e até derramaram sangue para que nós tivéssemos o direito de votar. Mesmo que não haja nada óbvio nessa afirmação com que eu discorde, há um contexto a se considerar. Ainda maior que os sacrifícios dos nossos antepassados foi o sacrifício de nosso Pai celestial, que derramou seu sangue para despertar para ele uma fidelidade ainda maior do que a que damos à nação. Nós temos uma aliança eterna com o nosso Rei e o seu Reino que se constrói em nós e por meio de nós, superando qualquer outro compromisso.
No início da década dos anos 20 do século XVI, Martinho Lutero esteve notadamente de frente à uma assembléia na Alemanha, iniciando aquilo que conhecemos como Reforma Protestante. Em seu lendário discurso, Lutero se expôs à excomunhão e à morte para não trair a sua consciência ao dizer “Ir contra a consciência não é certo nem seguro. Não posso, nem irei me retratar. Eis-me aqui. Não posso fazer outra coisa. Deus me ajude.”
Estas questões de consciência são sérias e devem ser consideradas. Tenho muitos amigos que estudaram as possibilidades dessa eleição em todos os aspectos e escolheram votar ou em Obama, ou em McCain, ou num outro candidato, e eu os apoio nisso. Reafirmo: somos diversos membros de um só corpo que segue a Jesus. Desconfiável seria se todos chegássemos às mesmas conclusões para problemas tão complexos. Novamente: talvez não haja conflitos de consciência para você nessa eleição, com todas as opções disponíveis. Mas se existe, sinta-se livre para não votar.
Nossa maior esperança não está nos políticos, nos poderes, ou no governo, mas num dia que virá para consertar todas as coisas. Nossa principal preocupação não é o sucesso, mas a fidelidade. Logo, se você acha necessário se abster do voto nessa eleição porque isto seria uma traição para a sua consciência, seja livre para permanecer fiel deixando a preocupação do sucesso e resultado para Deus. Ele, afinal de contas, foi quem criou os governos.
Educação Igreja Mídia Pensando Teologia: escrituras graça Humanismo lutero Pensando publicidade Renascimento salvação Teologia Vendendo seu estilo de vida
by Thiago Bomfim
5 comments
Pode copiar
Vendendo o seu estilo de vida – Parte I
Todo homem é influenciado pelo pensamento predominante do seu tempo. Quase ninguém escapa a esta realidade, com a exceção de raros revolucionários.
Lutero, o reformador da igreja mais importante, não foi imune à esta verdade. Alguns podem dizer que a transformação operada pelo outrora católico é de responsabilidade exclusiva de uma revelação celestial. Mas vamos por tudo isso em pratos limpos e ver se esta é uma verdade completa.
A Reforma Protestante é um entre tantos outros rebuliços trazidos pelo pensamento humanista do Renascimento. Embora Lutero não considerasse o homem centro do universo, medida de todas as coisas, ele ainda pensou que era justo que qualquer alma viva fosse igualada naquilo que concerne ao estudo das Escrituras. Na Idade Média, período anterior, não se cogitaria, de maneira alguma, acesso à uma graça salvadora que não fosse intermediada por alguma autoridade da igreja. Mas Lutero muda essa perspectiva dizendo que o acesso, como dizia a escritura, já está aberto a todos por meio de uma graça que até hoje nos parece meio sem pé e cabeça.
Se este fundador da igreja protestante não considerava o homem “o rei da cocada preta”, podemos dizer que ao menos ele trabalhou por alguma valorização dessa criatura na tentativa de alcançar a graça salvadora. Ou seja, mesmo que indiretamente, um veio humanístico levou-nos a esse turbulento rio chamado Protestantismo.
Está é uma série intitulada “Vendendo o seu estilo de vida”. A segunda parte sairá amanhã.
ATUALIZAÇÃO: Leia a segunda parte dessa série aqui.
Pensando Teologia: Cristianismo esperança morte Pensando salvação Teologia vida
by Thiago Bomfim
5 comments
Pode copiar
Duas salvações, uma única vida
Eu acredito no evangelho que considera a salvação que nos é apresentada fora do plano sobrenatural. Esta que nos permite viver uma vida melhor aqui na Terra. E este “melhor” não está de acordo com os padrões desse mundo, na verdade os contraria em boa parte dos casos. O melhor às vezes pode significar abrir mão de algum conforto em prol da dignidade do próximo.
Entretanto, não se deve considerar única a salvação que começa com o estilo de vida que levamos na Terra. Devemos sempre lembrar do nosso refúgio eterno, de que temos pouca certeza, mas muita esperança.
Se tivermos em mente as duas possibilidades, a vida será prazerosa o suficiente para nos proporcionar o mínimo de vontade de continuá-la e, por outro lado, não será tão graciosa a ponto de trazer esquecimento do nosso possível futuro lar.
Livros Língua Pensando Teologia: ateísmo caim compainha das letras Cristianismo José Saramago lançamento Leitura Livros nobel opinião português Teologia
by Thiago Bomfim
8 comments
Pode copiar
Opinião final acerca de Caim, o novo livro de José Saramago
Terminei de ler Caim, o novo livro de José Saramago. Uma boa leitura, necessária para qualquer um que ainda tem esperanças quando vai a uma livraria desejoso de comprar algum título em que a língua portuguesa seja a protagonista.
A polêmica toda em volta do livro, arquitetada ou não, é secundária para o leitor que já conhece Saramago e que se arriscaria na compra do volume, indiferente às críticas que saem nas revistas e jornais.
Infelizmente é um livro que repete uma fórmula narrativa do começo ao fim. O inusitado e a surpresa servem só uma vez. Depois dos primeiros capítulos, Caim se aventura numa sucessão de episódios com desfecho semelhante; só mudam lugar e personagens. Ou seja, tudo o que é interessante nas primeiras páginas, torna-se previsível no restante.
Por outro lado, a enumeração repetitiva das aventuras de Caim – com todas as semelhanças duma história para a outra – serve para reforçar a visão distorcida de Saramago acerca da maior religião ocidental e o seu principal representante: o Criador.
Recomendo essa leitura ao visitante da Livraria. Conheço o público que aqui vem sempre, e isto me é suficiente para saber que farão bom proveito da obra.
Educação Livros Mídia Pensando Teologia: caim catolicismo cristão fé fundamentalismo José Saramago literatura Livros Mário David religião Teologia
by Thiago Bomfim
19 comments
Pode copiar
Se Saramago fala de um deus que você diz seguir, certamente precisas de outro
A ideia de que a pior a gente portuguesa colonizou o Brasil é, em parte, equivocada. Lá nos tempos em que Portugal ainda era a metrópole, considerava-se crime, a torto e a direito, tudo o que contrariava a monarquia e a santíssima igreja. Uma falta peculiar estava no ato de seguir a religião judaica. Havia apenas um perdão para a falta considerada gravíssima, digna de degredo por nossas terras: a conversão ao cristianismo.
E o Tribunal do Santo Ofício não pensava duas vezes antes de mandar o pobre infiel para sofrer nas terras selvagens, carinhosamente colonizadas. E do Brasil se fazia a pior propaganda, como hoje se faz do Oriente Médio, descrevendo-o como terra insólita de condições de sobrevivência e conforto impossíveis.
Mas isso foi há muito tempo, não é amigo? Hoje a liberdade de expressão e de culto permite-nos viver e propagar diferentes ideologias, sem que estas sejam consideradas crimes contra o Estado e contra a necessária religião, concorda? Engano nosso. Pois não é exatamente lá no velho mundo que os velhos costumes são desenterrados, em defesa da imaculada fé e do controle da caneta de velhos escritores galhofeiros!
Irritado com as recentes declarações do escritor José Saramago, um tal Mário David, deputado lá na outra ponta do Atlântico, “aconselhou” ao premiado escritor que deixe de ser cidadão português. Isso mesmo que estás a ler: uma espécie de degredo voluntário, para o “crime” de ateísmo. more »







