Mídia Música Pensando: entrevista hello hurricane jon foreman switchfoot tradução
by Thiago Bomfim
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Entrevista com o Jon Foreman da banda Switchfoot: justiça social, cinismo e fé
Como promessa é dívida, eis aqui a entrevista, um pouco atrasada, do Jon Foreman à Relevant Magazine.
O caminho do sucesso mudou a música da banda e definiu o foco.
“Um cínico é apenas alguém com um coração machucado,” diz o vocalista do Switchfoot, Jon Foreman, como se isto fosse um lema. “As circunstâncias te destroem e a resposta mais fácil para isso é destruir alguém junto.” É uma declaração que, ao mesmo tempo, mostra sua desaprovação e compreensão para com os críticos que tentam menosprezá-lo junto com sua banda.
Foreman é um enigma. Sentado no chão do trailer da banda antes de um show, ele é simpático e disposto a conversar, mas cauteloso, ainda que esteja exausto. “No meu caso, acho que há muitas coisas que aconteceram e que me deixaram cínico, até em relação a entrevistas,” ele diz rindo e olhando para cima brincando (ou não).
“Parece que…, ‘Por que nós damos entrevistas, qual é a de tudo isso?’ … Quando eu entro num palco ou concedo uma entrevista tento manter em mente o fato de que estou aqui para servir as pessoas. Se elas quiserem ouvir o que eu disse e aplicar, isso será um honra; se não quiserem, já não é da minha responsabilidade.
“Mas a questão central disso não sou eu. Se você se apresenta ao mundo vestindo um avental de servo, você poderá ir a lugares que não iria usando a coroa de um rei.”
Antes e depois
Atualmente na Atlantic Records, o Switchfoot lançou em novembro o seu sétimo álbum de inéditas, Hello Hurricane, o primeiro trabalho de músicas novas após três anos. O lançamento revela um novo lado do Switchfoot, que mantém o rock espiritualizado voltado para os velhos fãs e, mais importante, para eles mesmos.
“Eu levei esse disco com o seguinte pensamento: ‘Vocês gostariam de morrer cantando quais músicas?’” Conta o vocalista. “Todos nós já tivemos momentos incríveis no palco tocando músicas que, melodicamente, são agradáveis. Foi uma questão de se aprofundar numa busca para descobrir quais são as músicas que queremos cantar pelo resto de nossas vidas.”
Foreman brinca dizendo que, no início, fazer música era só uma questão de entreter a si mesmo e os amigos enquanto tentava passar de ano na faculdade e, ironicamente, foi a música que o levou a decisão de trancar a universidade. Hoje a sua visão da banda evoluiu.
“Acho que há diferentes maneiras de evoluir o modo como nos relacionamos com a música,” declara. Ele considera que a primeira turnê foi o momento em que a visão deles com a música começou a tomar forma. “Nós tocamos pelo mundo e as pessoas realmente estavam ouvindo o que tínhamos a dizer. Então pensamos, ‘Vamos procurar bem dentro de nós, na política, e na atmosfera espiritual para encontrar assuntos sobre os quais escrever ao invés de sair falando o que der na telha.’
“Penso que isso foi uma transição,” continua. ”Quando fomos contratados pela gravadora Columbia lembro-me que tínhamos objetivos diferentes. Sentamo-nos naquele estúdio de hip-hop que estava mixando um disco e havia cheiro de maconha por toda parte. Estávamos apenas procurando um lugar em que pudéssemos nos focar sem distrações, e lembro-me claramente de dizer: ‘OK, nós queremos ser sal e luz do mundo, pra todo mundo.’
“A segunda parte foi a revolução de ‘ser,’ acompanhada da idéia de que não há uma revolução do ‘fazer.’ Sei que o "fazer" é uma parte do processo, mas ele é gerado no interior, transcende o ato de forçar que os outros aceitem suas idéias. E daquele momento pra frente, acho que os horizontes se ampliaram, e passamos a nos preocupar menos com que os outros pensam e nos focamos em ter certeza das escolhas que fazemos .”
Rótulos e justica
Há algo a ser dito sobre a longevidade da banda. Nos últimos seis anos, a banda cruzou a intransponível linha que existe entre a música cristã e o mainstream, enquanto se movia dentro de um emaranhado de burocracia de uma grande gravadora numa época em que a indústria musical continuava desmoronando. Apesar disso tudo, o Switchfoot conseguiu manter a mesma formação desde o seu início em 1996. “Nós não estaríamos tocando por aí se não tivéssemos esse vínculo de amizade que temos,” Foreman confessa.
O rótulo de “banda cristã” sempre foi um tema desconfortável para Jon Foreman. O Switchfoot chegou até mesmo a rejeitar a participação em festivais cristãos, por um curto período, depois de ganhar o disco de platina 2003 com o disco The Beautiful Letdown.
“Minha opinião sobre o fato de sermos ou não uma banda cristã é de que esta não é uma coisa que nós decidimos, já que as pessoas nos chamarão do que elas quiserem nos chamar,” declara Foreman. “Eu só acho que não assino embaixo desse rótulo.”
“Exploramos a nossa fé e a tornamos em uma mercadoria,” completa. “E é por isso que eu tenho uma cisma com isso tudo. O verdadeiro motivo do rótulo parece ser esse, na minha opinião.”
Rótulos à parte, Foreman tem várias opiniões sobre o que é ser uma banda cristã, especialmente no tocante à justiça social.
“Eu sonho com todos se envolvendo com justiça social. ‘A quem muito é dado, muito é pedido,’” cita. “Só o fato de estar em solo americano significa que você é parte dos 98 por cento mais sortudos (ricos) do mundo; nós temos sapatos, calças jeans, cuecas limpas, e a oportunidade de tomar banho com água limpa. São coisas sobre as quais você nem se liga.”
Para Foreman, esta é a motivação que o faz lutar contra o cínico interior.
“Eu, se não acreditasse no amor de Deus, me tornaria um homem muito cínico. Acho que nem estaria vivo mais, não haveria nada que fizesse a vida digna.”
Ele também fala sobre sua perspectiva em relação a ativismo, questões de justiça e até mesmo a mudança do foco das músicas. “Passei por momentos em minha vida em que fui ingênuo a ponto de pensar que poderia mudar o mundo. É um sentimento incrível o momento em que você percebe que o negócio é mais embaixo.”
“Acredito, sobretudo, que toda essa jornada leva-nos a fé em Deus. Se esta divindade criou os céus e as estrelas e ainda assim se preocupa comigo, logo, se eu abrir mão de mim por Ele, há uma esperança além de qualquer esperança de que eu irei encontrá-lo por conta própria. Eu tentarei alcançar as coisas que quero por meio da minha música que significa muito pra mim, mas, em contrapartida, isso será feito com a única intenção de estar aproveitando e amando cada segundo de minha vida.”
Traduzido por Thiago Bomfim
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by Thiago Bomfim
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100 discos da década | 4º – Derek Webb – Mockingbird
Derek Webb deve ser o nome mais repetido desse blogue que, a todo custo, se esforça para divulgá-lo como alternativa a outras gringaiadas que fazem a cabeça do povo. Então, pra variar, vamos a mais uma sessão de rasgação de seda.
Mockingbird é um disco perfeito saído de um conjunto contraditório: melodia suave para ideias incômodas. E incômodo é a palavra mais adequada para este disco e para este cantor: não é possível ouvir Webb sem concordar com ele por completo e, consequentemente, sentir-se um lixo ou, ao contrário, enxotar sua música como se ela fosse a coisa mais abominável e injusta que já se ouviu.
Em várias vezes, enquanto ouvia esse disco, pulava faixas como Rich Young Ruler pelo desconforto que causava, sendo dotada de uma ideologia que, à primeira vista, parece apenas política, mas que é na verdade uma vontade gigantesca de aplicar o reino de Deus ao pé da letra.
Em outro campo Mockingbird merece inúmeros méritos: o da linguagem. Pouquíssimos discos bebem na fonte do sarcasmo de modo tão ávido como este. Ao desavisado este disco pode parecer um odioso propagar de ideologias subversivas, quando na verdade ele é um púlpito de essências de vida cristã, só que ditas, quase sempre, ao contrário por meio do velho e bom recurso chamado ironia.
Melodicamente o disco é extremamente suave, já que de choques estão fartas as letras: piano sobreposto a um violão discreto e cordas vergonhosas com aparição esporádica.
Ficha:
Disco: Mockingbird
Artista: Derek Webb
Ano: 2005 (Dezembro)
Gravadora/Selo: Integrity Media
Lista de músicas:
- "Mockingbird"
- "A New Law"
- "A King & A Kingdom"
- "I Hate Everything (But You)"
- "Rich Young Ruler"
- "A Consistent Ethic Of Human Life"
- "My Enemies Are Men Like Me"
- "Zeros & Ones"
- "In God We Trust"
- "Please, Before I Go"
- "Love Is Not Against The Law"
Video (minha tradução da música A New Law):
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by Thiago Bomfim
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Derek Webb: Como devemos votar ?
Esse é um texto que o Derek Webb publicou às vésperas – um dia antes, para ser mais exato – das eleições americanas que elegeu o atual e, segundo a opinião de muitos, decepcionante presidente Obama. Há várias coisas que não estão no contexto do voto obrigatório a que estamos submetidos no Brasil, mas que são devidamente aplicáveis num voto nulo, numa justificativa fora do domicílio eleitoral, ou numa brincadeira à cabine eleitoral no feriado de Outubro, ainda mais num previsível segundo turno tucanos contra petistas.
Recomendo a leitura desse texto, que, na minha opinião, é um dos melhores artigos dessa década feito por um cristão, especialmente nesse tópico que é a política. Webb considerou este discurso tão essencial que o distribuiu gratuitamente com o disco Mockingbird Elections Edition, uma edição especial de sua obra prima acompanhada desse discurso lido por ele mesmo.
Como devemos votar então?
Parte 1: Uma breve afirmação no que diz respeito à consciência
Dependendo da época em que você está lendo isso, poderemos estar em qualquer lado de uma das eleições mais memoráveis na história recente do nosso país. Mas isso não importa, tendo em vista que este texto não se refere necessariamente à nossa atual eleição, e sim sobre como viver uma vida política honesta e íntegra. Ainda assim, não há tempo para sábias histórias ou introduções. Vou direto ao ponto: essencialmente, nossos problemas não serão resolvidos por um homem ou mulher éticos na Casa Branca. Não é bem assim que as coisas funcionam. Vivemos em uma democracia, uma forma de governo representativo, em que a nossa responsabilidade de amar e cuidar de nosso próximo é a mesma, senão maior. A mudança verdadeira e duradoura vem de conhecer e amar as pessoas que vivem nas casas ao lado da nossa, ao invés de depositar toda nossa expectativa e esperança na cabine de votação.
Entretanto, isso não quer dizer que não devemos tomar decisões com base em informações ao se envolver com o processo. Pelo contrário: se a sua consciência te permite, você pode até votar. Mais isto é muito complicado, especialmente numa escolha entre dois partidos* (e eu definitivamente não tenho tempo para isso).
Com toda a seriedade, quero ser muito claro nesse ponto: nunca é aconselhável, em qualquer decisão que você faça, violar sua consciência. Isso se aplica à essa eleição em que você poderá ter sérios conflitos morais com ambos candidatos, fazendo com que você se sinta como se estivesse votando de maneira defensiva ou para eleger o menor dos males.
Antes de ir além, deixe-me avisar que este pode não ser o seu caso. Além disso, entre o corpo de Cristo, poderia ser até pecaminoso se chegássemos às mesmas conclusões sobre como amar o nosso próximo melhor, por isso, há plena liberdade para opiniões diferentes sobre este assunto. Mas se estás nessa situação, eu tenho algumas sugestões:
1. Procure na sua bíblia algo que diga que você deve votar.
2. Se você não encontrar nada, ouça o que a sua consciência te diz. É para isso que ela está lá: para ser um guia e um farol vermelho quando você precisa tomar decisões significantes e difíceis.
Veja bem, não estou dizendo que você não deve votar.
Estou dizendo que, se a sua consciência está num conflito muito grande entre dois candidatos, você tem a liberdade de não votar.
Parte 2: Algumas objeções esperadas
Alguns podem dizer que não votar é dar o voto para aqueles que buscam usar o processo governamental com más intenções. Eu na verdade poderia argumentar de maneira completamente diferente. Ao votar, especialmente entre uma ou duas opções, você está dando um ‘sim’ e um ‘amém’ para a plataforma completa de um partido, o que provavelmente vai muito além da afirmação que você tentou fazer. Isto é ainda mais perigoso e menos nítido do que abster-se por completo. Nenhum partido poderá cooptar um voto que não foi dado.
Outros diriam: ‘Jesus disse “Dai a César o que é de César”, logo temos uma obrigação bíblica de voto.’ Claro que Jesus disse isso. Por isso eu pago os meus impostos e tento dirigir dentro dos limites de velocidade. Estas são algumas das leis dessa terra. Mas a minha consciência não pertence a César, por isso não compactuo com ele. César não pode me obrigar a violar a minha consciência. Votar é um direito legal, como carregar uma arma ou fazer um aborto, mas eu posso me abster de fazer qualquer coisa que, mesmo tendo direitos legais para realizar, contrarie minha consciência.
Alguns podem dizer que nós nunca iremos concordar por completo com a agenda ou plataforma política de alguém, desse modo, a espera por um candidato que se alinhe por completo com as nossas opiniões torna o voto impossível. Concordo completamente. Há muitas coisas sobre as quais eu posso discordar com um político que não correspondam necessariamente à uma crise de consciência. Portanto, há compromissos necessários e aceitáveis para o engajamento dentro de um sistema político, mas nunca quando eles passam por cima do cadáver de sua consciência.
Isto me leva à última objeção previsível: os nossos antepassados lutaram e até derramaram sangue para que nós tivéssemos o direito de votar. Mesmo que não haja nada óbvio nessa afirmação com que eu discorde, há um contexto a se considerar. Ainda maior que os sacrifícios dos nossos antepassados foi o sacrifício de nosso Pai celestial, que derramou seu sangue para despertar para ele uma fidelidade ainda maior do que a que damos à nação. Nós temos uma aliança eterna com o nosso Rei e o seu Reino que se constrói em nós e por meio de nós, superando qualquer outro compromisso.
No início da década dos anos 20 do século XVI, Martinho Lutero esteve notadamente de frente à uma assembléia na Alemanha, iniciando aquilo que conhecemos como Reforma Protestante. Em seu lendário discurso, Lutero se expôs à excomunhão e à morte para não trair a sua consciência ao dizer “Ir contra a consciência não é certo nem seguro. Não posso, nem irei me retratar. Eis-me aqui. Não posso fazer outra coisa. Deus me ajude.”
Estas questões de consciência são sérias e devem ser consideradas. Tenho muitos amigos que estudaram as possibilidades dessa eleição em todos os aspectos e escolheram votar ou em Obama, ou em McCain, ou num outro candidato, e eu os apoio nisso. Reafirmo: somos diversos membros de um só corpo que segue a Jesus. Desconfiável seria se todos chegássemos às mesmas conclusões para problemas tão complexos. Novamente: talvez não haja conflitos de consciência para você nessa eleição, com todas as opções disponíveis. Mas se existe, sinta-se livre para não votar.
Nossa maior esperança não está nos políticos, nos poderes, ou no governo, mas num dia que virá para consertar todas as coisas. Nossa principal preocupação não é o sucesso, mas a fidelidade. Logo, se você acha necessário se abster do voto nessa eleição porque isto seria uma traição para a sua consciência, seja livre para permanecer fiel deixando a preocupação do sucesso e resultado para Deus. Ele, afinal de contas, foi quem criou os governos.
Escrevendo Língua Pensando Teologia: bíblia comentários confusão invenções Søren Kierkegaard tradução
by Thiago Bomfim
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Deus nos livre da Bíblia!
Embora não seja necessário à maioria dos meus leitores, fica o aviso: o trecho abaixo usa um recurso de linguagem chamado ironia.
Abro o Novo Testamento e leio: "Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e segue-me". Bom Deus, se nós realmente fizéssemos isso, todos os capitalistas, os legisladores e os empresários, de fato, toda a sociedade, seria composta de mendigos! Estaríamos afundados, não fosse a erudição cristã! Louvados sejam todos que trabalham para consolidar a reputação da erudição cristã, que ajudam a reprimir o Novo Testamento, esse livro confuso que nos desmontaria se fosse realmente livre (isto é, se a erudição cristã não o reprimisse).
Tradução dum texto/confissão de Søren Kierkegaard, feita de modo genioso e impecável pelo Walter Cruz.
Mídia Música Pensando: chad butler entrevista hello hurricane jerome jon foreman lançamento Música pensamento relevant magazine revista servo switchfoot tim foreman tradução
by Thiago Bomfim
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Jon Foreman do Switchfoot na Relevant Magazine desse mês
Esse é só um trechinho do começo da entrevista sobre o Switchfoot na Relevant Magazine desse mês. Se os leitores da Livraria quiserem, eu posso fazer uma tradução da matéria completa.
Quem fala é o Jon Foreman, vocalista da banda:
Quando estou num palco ou dou uma entrevista, tento me lembrar que estou aqui para servir as pessoas. Se quiserem ouvir o que digo e aplicar será uma honra. Se não quiserem, já não é minha responsabilidade.
(…) Mas eu acho que essa questão já não é mais uma coisa minha. Se você se apresenta ao mundo usando um avental de servo, você poderá ir a lugares que nunca iria usando uma coroa de rei.
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by Thiago Bomfim
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Tradução: MUTEMATH – The Nerve
Tradução da música “The Nerve” da banda MUTEMATH numa de suas estimulantes performances corriqueiras. O vídeo foi gravado num show feito no Japão.
A música foi uma das primeiras do disco Armistice divulgadas .






